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Rodrigo Hübner Mendes

É hora de voltar à escola

Fachada da escola estadual João Solimeo, no Jardim Maristela, região da Vila Brasilândia, periferia pobre da zona norte de São Paulo - Simon Plestenjak/UOL
Fachada da escola estadual João Solimeo, no Jardim Maristela, região da Vila Brasilândia, periferia pobre da zona norte de São Paulo Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Rodrigo Hübner Mendes

11/12/2020 11h53

Já se passaram dez meses desde que as escolas foram fechadas. De forma bastante heterogênea, as redes de ensino exploraram possibilidades de educação à distância, utilizando-se da internet, da telefonia celular e até mesmo do rádio. Apesar das dúvidas e divergências sobre os caminhos a serem percorridos nos próximos meses, parece haver um consenso de que a falta de convivência gera prejuízos brutais no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, mesmo nos casos em que o ensino à distância é bem avaliado.

Aprender a conviver, refinar os conceitos ligados ao coletivo, à vida em grupo e sua respectiva dinâmica de oportunidades e limites são exemplos de lacunas incontornáveis quando a experiência educacional se limita a relações remotas. A escola é, no fundo, um curso de sociedade. Sem ela, fica um vazio nessa vertente fundamental da formação de um indivíduo.

O Brasil é um dos países em que a interrupção da atividade escolar mais tempo durou. E nossas escolas continuam fechadas, salvo nos casos de algumas atividades em horários restritos. Na Europa, os países que estão enfrentando a segunda onda de expansão da epidemia reincorporaram regras de lockdown para boa parte das atividades mas, em geral, mantiveram as escolas abertas.

Sabemos que as carências de infraestrutura em nossas redes de ensino são desmedidas. Há unidades de ensino que sequer dispõem de água potável. Como, então, garantir que os protocolos sanitários sejam implementados? A resposta reside na velha e atual obviedade de que a educação precisa ser nossa máxima prioridade, foco de todo empenho necessário para garantir condições básicas que propiciem aprendizagem e equidade. Isso pressupõe investimentos contínuos e o fortalecimento de instrumentos estratégicos, como o FUNDEB.

É inaceitável que essas gerações de crianças e adolescentes paguem o incompensável ônus imposto por tanto tempo de privação da incomparável experiência de estar na escola. É mais do que tempo de se empreender um esforço conjunto de Estado e sociedade para que implementemos padrões e regras que permitam a volta à escola com a maior segurança possível. Sem isso, a covid-19 trará uma sequela que vai além das trágicas perdas de vidas: o irrecuperável vazio, para toda uma geração, quanto à edificação de uma cultura de coletividade que só a escola traz com plenitude.