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Julie Dorrico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

16ª Edição da Balada Literária homenageia também Eliane Potiguara

Eliane Potiguara aos 27 anos - Instagram/Eliane Potiguara
Eliane Potiguara aos 27 anos Imagem: Instagram/Eliane Potiguara
Julie Dorrico

Julie Dorrico é doutora em teoria da literatura na PUC-RS. Autora da obra "Eu sou macuxi e outras histórias" (Caos e Letras, 2019) que venceu o 1º Lugar no Concurso Tamoios de Novos Escritores Indígenas, promovido pelo Instituto UK'A e Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ, 2019). Descendente do povo macuxi (Roraima). Organizadora da Coleção Memórias Ancestrais, obras de autoria indígena, pela Editora Tekoha (2021). Este é um espaço-terreno para reflorestar simbolicamente a educação brasileira. Buscando fortalecer o uso da lei 11.645/2008 que tornou obrigatório o ensino das culturas e histórias afro e indígenas em todo currículo escolar, esta coluna busca compartilhar iniciativas, projetos e temas indígenas que possam fortalecer a educação étnico-racial no país.

17/11/2021 06h00

Inaugura hoje (17) a balada mais esperada do ano: A Balada Literária 2021. A XVI edição reverencia as escritoras Geni Guimarães e Eliane Potiguara, além do coreógrafo Marcelo Evelin e da atriz Vera Lopes. O evento, em formato virtual transmitido pelo Youtube, com algumas gravações feitas com plateia presencial, acontece de 17 a 21 de novembro. A Balada Literária tem o apoio do Itaú Social.

Neste ano, a Balada Literária conta com a curadoria coletiva de Marcelino Freire, o idealizador do evento; Julie Dorrico; Mulheres Negras na Biblioteca; Nelson Maca e Wellington Soares.

Conheça a homenageada indígena Eliane Potiguara

Eliane Potiguara é indígena pertencente ao povo Potiguara (Paraíba), que nasceu no estado do Rio de Janeiro. Escritora, contadora de história, ativista defensora dos direitos das mulheres indígena e dos povos originários. Seu carro-chefe é a obra "Metade cara, metade máscara" (GRUMIN, 2019), onde reúne poemas de 1979, publicados em "poemas-pôster" e cartilha mimeografada, como disse Naine Terena, na apresentação "Coletânea Indígena Tempos" (2021).

Em "Metade cara, metade máscara" conhecemos um pouco da liquidez da autora em transitar por vários gêneros, como testemunho, ensaio, autobiografia, e epopeia. Todos os gêneros trabalhados mostram o empoderamento da autora em empunhar a criatividade individual que tenta fortalecer a identidade - a indígena, a da mulher - perseguida pelas políticas indigenistas brasileiras. O poema "Brasil, o que faço com minha cara de índia" denota a expressão da indignação da violência, do sufocamento das mulheres indígenas no país, convocando os leitores ao conhecimento da diáspora compulsória, do empobrecimento, do amor-próprio e da esperança.

Além dessa obra destinada ao público adulto, Eliane Potiguara é autora de livros infantis e juvenis como "O coco que guardava a noite" (Mundo Mirim, 2012); "O pássaro encantado" (Jujuba Editora, 2014); "A cura da terra" (Editora do Brasil, 2015).

Palestrante de cultura indígena, Eliane Potiguara está presente em espaços universitários e culturais, escreve ainda textos nas mídias sociais diversos assuntos que versam sobre o feminino e a liberdade que nós indígenas almejamos.

Sobre sua presença na Balada Literária, Eliane Potiguara, nossa matriarca simbólica compartilha as seguintes palavras:

Há dois anos Marcelino Freire, num evento organizado por ele, anunciou para mim que eu seria homenageada pela Balada Literária. Fiquei feliz, mas não acreditei muito. Mas no início desse ano ele me comunicou novamente e solicitou que eu fizesse um documentário com o Alberto Álvarez (Guarani). Alberto esteve na minha casa e logo fiquei surpreendida. Eu disse: É verdade! A minha alegria é tanta que ao fazer um pequenino vídeo para divulgar o evento eu parecia uma palhacinha de tanto que ria de satisfação. Enfim, participar do Balada Literária é como ganhar um prêmio. Meu coração se enche de amor e paz ao saber que muitos escritores e intelectuais do Brasil conhecerão a minha verdadeira história. Por todas essas razões tenho muito carinho ao coordenador desse grande acontecimento literário.

Biografia de Eliane Potiguara

Eliane Potiguara recebeu do governo brasileiro o Título de "Cavaleiro da Ordem ao Mérito Cultural em 2014. Foi indicada em 2005 ao Projeto Internacional "Mil Mulheres ao Prêmio Nobel da Paz", é escritora, poeta, professora, formada em Letras Português-Literatura) e Educação, especializada em Educação ambiental pela UFOP. É da etnia Potiguara, brasileira, fundadora da 1ªorg. de mulheres indígenas GRUMIN / Grupo Mulher-Educação Indígena (1988). É embaixadora da Paz pelo Círculo de Embaixadores da França e Suíça.

Trabalhou pela Declaração Universal dos Direitos Indígenas na ONU em Genebra. Seu livro carro-chefe é "METADE CARA, METADE MÁSCARA", pela Global Editora, 2004 e em 2019 pela GRUMIN EDIÇÕES. Ganhou o Prêmio do PEN CLUB da Inglaterra e do Fundo Livre de Expressão, USA. Possui vários livros infantis e textos, pensamentos e poesias em antologias nacionais e internacionais. Para acessar seus livros e histórico de vida, visite o site oficial da escritora: Site pessoal: www.elianepotiguara.org.br.

O espaço de homenagem à Eliane Potiguara indica uma atitude que deveria ser indispensável nas culturas brasileiras, a da valorização do pertencimento étnico-racial indígena como fundamental para a construção de imagens e conhecimentos oriundos de corpos e saberes indígenas. O escritor Daniel Munduruku repete constantemente que "nós indígenas, considerados estrangeiros em nossa própria terra, estamos aqui para ficar". Desejamos que assim seja.

Histórico da Balada Literária

Consta no site a seguinte história de como a Balada Literária foi gestada. Em 2006, durante uma edição da Festa Literária Internacional de Paraty, Marcelino Freire resolveu fazer a própria festa, tomando como inspiração e referência a Vila Madalena, em São Paulo, bairro em que ele reside há quase três décadas. Mobilizou livreiros, donos de bar, donos de sebo, escritores e escritoras e fez uma primeira edição modesta, sempre reunindo autores de todos os gêneros sexuais e literários, nacionais e internacionais. Virou essa a cara do evento: a cara da diversidade.

A Balada já acontece também em Teresina (desde 2017) e em Salvador (desde 2015). Já passaram pela Balada, entre outros, Adélia Prado, Adriana Calcanhotto, Amara Moira, Ana Maria Gonçalves, Antônio Cândido, Áurea Martins, Binho, Caetano Veloso, Chico César, Conceição Evaristo, Emicida, Gog, João Ubaldo Ribeiro, José Luandino Vieira, Lygia Fagundes Telles, Mia Couto, Ondjaki, Phedra de Córdoba, Rogéria, Sérgio Vaz, Ney Matogrosso, Valter Hugo Mãe, Wagner Moura e Tom Zé.

Confira toda a programação aqui: (acompanhe em negrito os indígenas que estarão presentes no evento):

Dia 17 de novembro (quarta):
19h30 - ABERTURA DA BALADA LITERÁRIA 2021:
Com os curadores: Coletivo Mulheres Negras na Biblioteca, Julie Dorrico, Marcelino Freire, Nelson Maca e Wellington Soares
Exibição do documentário UMA ALDEIA EM MIM, sobre a trajetória de Eliane Potiguara (homenageada 2021) com direção de Alberto Alvares Hernandez
Participações de Marcelo Evelin (homenageado de Teresina) e Vera Lopes (homenageada de Salvador) Show ZUMBIZANDO - UM RECITAL NEGRO, com Geni Guimarães (homenageada 2021) e família, direto de Barra Bonita, São Paulo, com direção de Daniel Fagundes

Dia 18 de novembro (quinta):
9h30
Via sala do zoom, ao vivo, café da manhã com ELIANE POTIGUARA, mediação de Claudiney Ferreira e as participações dos curadores Julie Dorrico, Mulheres Negras na Biblioteca, Marcelino Freire, Nelson Maca e Wellington Soares
Inscrições: pelo site: Início - Balada Literária (baladaliteraria.com.br)
12h00
ED MARTE e RENATO NEGRÃO, direto de Belo Horizonte, anunciam o "Na Hora do Almoço", especial com atrações da comunidade LGTQIA+
Apresentação da cantora e atriz SUZY SCHOCK, direto de Buenos Aires
Acervo: apresentação de AO CORAL (do especial Balada Literária Mês a Mês)
15h30
A poeta MIDRIA, em São Paulo, conversa com o coletivo AS MULHERES DA PALAVRA, em Angola Participação especial do escritor e professor KAIO CARMONA, com o apoio do Centro Cultural do Brasil em Angola
18h00
O poeta e professor brasileiro KAIO CARMONA, direto de Luanda, conversa com a escritora angolana CÍNTIA GONÇALVES e os escritores angolanos GOCIANTE PATISSA e LOPITO FEIJÓ, com o apoio do Centro Cultural do Brasil em Angola
20h30
Exibição do documentário "Destrave", sobre a trajetória do bailarino MARCELO EVELIN, com direção de Luíza Sobral
Logo após, uma roda de conversa com o homenageado sabatinado por REGINA VELOSO, diretora do Campo, LUIZA SOBRAL, diretora do documentário, e NAYSE LÓPEZ, fundadora e editora do site especializado em dança www.idanca.net.
WELLINGTON SOARES anuncia o show literomusical "O Poeta e Sua Hora", a partir da poética de Mário Faustino, uma realização da NAVILOUCA PRODUÇÕES
23h00
SARAU NOTURNO - Via Zoom: ARTE NEGRA EM RESISTÊNCIA À PANDEMIA - Artistas da Bahia e de Pernambuco que lançaram trabalhos em plena Pandemia: com Marina Mah, Alessandra Sampaio, Reyynam, Prince Àddamo e Leno Sacramento Apresentação de NELSON MACA
Inscrições para acesso: Início - Balada Literária (baladaliteraria.com.br)

Dia 19 de novembro (sexta):
9h30
Via sala do Zoom, ao vivo, café da manhã com DANIEL MUNDURUKU, com mediação de LOURENÇO MUTARELLI
Inscrições para acesso: Início - Balada Literária (baladaliteraria.com.br)
12h00
No especial "Na Hora do Almoço", ED MARTE e VALÉRIA BARCELLOS conversam com DIVINA VALÉRIA Apresentação de RENATO NEGRÃO
Acervo: apresentação de UMA LUIZA PESSOA (do especial Balada Literária Mês a Mês)
15h30
CAMILA ARAÚJO, do coletivo Mulheres Negras na Biblioteca, conversa com DIANNE MELO, coordenadora da área de engajamento social e leitura do Itaú Social, WANDETH CUNHA, da Biblioteca Semente Literária, do Maranhão, ao lado dos angolanos ADILSON GONÇALVES, da Biblioteca Contr'ignorância, e DAGO, da Biblioteca 10padronizada.
Apresentação do professor e escritor brasileiro KAIO CARMONA, com o apoio do Centro Cultural do Brasil em Angola
18h00
A curadora convidada da Balada Literária 2021 JULIE DORRICO conversa com a escritora CAROLA SAAVEDRA
20h30
SAMÁRIA ANDRADE, da Revista Révestres, conversa com LETÍCIA NASCIMENTO sobre "Transfeminismo", com a participação especial de NAYARA COSTA
23h00 SARAU NOTURNO - Via Zoom: ELLEN LIMA (NE/RJ, Wassú Cocal), JAMILLE ANAHATA (AM) e SONY FERSECK (Macuxi/RR)
Apresentação de JULIE DORRICO
Inscrições para acesso: Início - Balada Literária (baladaliteraria.com.br)

Dia 20 de novembro (sábado):
9h30
Via sala do zoom, ao vivo, Café da manhã com HELENICE FARIA e MULHERES NEGRAS NA BIBLIOTECA
12h00
Exibição de "O colecionador de CID's", com atuação e dramaturgia do poeta JOMAKA, com direção de LUÍSA LAGOEIRO
Apresentação de ED MARTE e RENATO NEGRÃO
Participação de VALÉRIA BARCELLOS (acervo)
15h30
Uma roda de conversa sobre "Direito Irrestrito à Literatura" - WELLINGTON SOARES conversa com DR. SAMUEL VIDA, DRA. ANDREIA BEATRIZ e KASSIANE SCHWINGEL
WILSON FREIRE apresenta o curta inédito "Deslocamento", com participação de SÉRGIO LINS, poeta que vai a Sertânia, PE, para se reencontrar com a memória afetiva de seu avô, o escritor Ulysses Lins.
18h00
Roda de Conversa sobre "Conto Literário Indígena". MAYRA SIGWALT encontra com GLEYCIELLI NONATO e LIA MINAPOTY
19h30
Conexão Brasil-Moçambique: SARAU BEM BLACK, em Salvador, na Bahia, dialoga com POETAS D'ALMA, em Maputo
20h30
Exibição do documentário "FÀMÓRA - A Bahia abraça VERA LOPES" com direção de RICARDO SOARES
Roda de conversa "Performance Negra - Cinema, Teatro e Poesia": JESSÉ OLIVEIRA (Grupo Teatral Caixa Preta - Rio Grande do Sul), JORGE WASHINGTON (Bando de Teatro Olodum - Bahia) e DAY RODRIGUES (Cineasta -São Paulo) conversam com a homenageada da Balada Litéraria em Salvador, VERA LOPES
Em seguida, show "Barca Ijexá": Mestre JORJÃO BAFAFÉ canta Ijexás de sua autoria
MATÉRIA ESPECIAL: "Griotes: tempo e espaço" - JULIANE SOUSA entrevista duas autoras de diferentes gerações, MARLI AGUIAR e ZAINNE LIMA
23h00
SARAU NOTURNO - Via Zoom: com participação de EDUARDO EZUS, JOMAKA, SUED HOSANA, JOY THAMIRES, CARMEN LIMA, ITAYNÁ RANNY e MÁRCIA MURA
Apresentação do coletivo MULHERES NEGRAS NA BIBLIOTECA
Inscrições: Início - Balada Literária (baladaliteraria.com.br)

Dia 21 de novembro (domingo):
9h30
Sala Paulo Freire especial com o professor indígena Maya Kiché da Guatemala, EMIL KEME
Apresentação de JULIE DORRICO
Participação especial do escritor DÉCIO ZYLBERSZTAJN e do poeta EMERSON ALCALDE (acervo da Balada Literária Mês a Mês)
12h00
Roda de conversa LGBTQIA+: A cantora e escritora VALÉRIA BARCELLOS conversa com SEU VÉRCIAH, MARINALVA SANTANA e AURITHA TABAJARA Apresentação de ED MARTE e RENATO NEGRÃO
15h30
TATIANA CARVALHEDO, direto de Brasília, anuncia o show "Ninguém canta para ninguém" com FERNANDA JACOB e a banda CONTÉM DENDÊ. Entrega do Prêmio Donizete Galvão, e participação especial de ANA TEREZA SOUZA, DÉBORAH DORNELLAS, DIEGO RUAS, MARTA NEVES e NICOLAS BEHR
18h00
GABRIEL PINHEIRO fala sobre o Sarau dos 15 anos do Centro Cultural b_arco
Show "Pa-Lavrar: quem lava também é lava", com HELOISA DE LIMA e CAMILA SILVA
19h00
Vídeo-lançamento de DANIEL MINCHONI em referência aos 100 anos da Semana de Arte Moderna. Participação de ADRIENNE MYRTES
A cantora FABIANA COZZA, com a participação de seu pai, OSWALDO SANTOS, anuncia o homenageado da Balada Literária 2022, sob direção de EMILIANO GOYENECHE
19h30
Encerramento com o show da banda KRUVIANA

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL