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Caoa Ka? 5 possíveis caminhos se marca comprar fábrica da Ford na Bahia

Moderna, fábrica da Ford em Camaçari (BA) pode voltar a operar sob o comando do Grupo Caoa, que já tem duas unidades fabris funcionando no Brasil - Divulgação
Moderna, fábrica da Ford em Camaçari (BA) pode voltar a operar sob o comando do Grupo Caoa, que já tem duas unidades fabris funcionando no Brasil
Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

20/01/2021 04h00

Conforme noticiado ontem com exclusividade por UOL Carros, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador e proprietário do Grupo Caoa, avalia a aquisição da fábrica da Ford em Camaçari (BA).

Entrevistado pelo colunista Jorge Moraes, o empresário revelou que "sempre tem interesse em novos negócios", ressaltando que um eventual acordo com a montadora norte-americana, que acaba de anunciar o fim das operações de manufatura no Brasil, ainda depende de diversos fatores.

"É preciso analisar todo o processo porque não queremos desgastar a nossa imagem. Só iremos para frente se eu sentir muita segurança", diz Andrade.

Caoa não entrou em detalhes ou confirmou qualquer possibilidade sobre o que seria feito pela empresa em Camaçari caso a compra da fábrica seja concretizada.

O UOL Carros, porém, lista abaixo alguns caminhos que poderiam ser traçados pela marca ao assumir o comando da planta da Ford, levando em consideração o histórico da Caoa no mercado brasileiro.

1 - Manutenção de Ka e EcoSport

Ford Ka S - Divulgação - Divulgação
Caoa Ka? Compacto e EcoSport podem voltar a ser produzidos pela Caoa sob licença da Ford
Imagem: Divulgação

A manutenção da produção dos modelos Ka, Ka Sedan e EcoSport seria uma saída para, ao menos em um primeiro momento, ocupar o máximo possível a capacidade de produção da fábrica baiana, que atualmente é de 250 mil carros por ano. A Ford estava produzindo menos da metade desse volume, o que resultava em aumento de custos devido à ociosidade.

Não que isso mude imediatamente se a Caoa assumir a unidade de Camaçari, caso a intenção se concretize. No entanto, mesmo com o pagamento de royalties à Ford, o grupo atingiria um volume de vendas muito maior do que o atual, algo sonhado por Carlos Alberto de Oliveira Andrade há muito tempo.

A Caoa Chery comercializou 20.089 veículos no ano passado, enquanto os três modelos da Ford que estão prestes a sair de linha somaram 117.265 emplacamentos no mesmo período.

Ainda que o segmento de compactos não seja lucrativo, conforme alegam executivos de montadoras e especialistas, a relevância da Caoa no mercado brasileiro aumentaria exponencialmente no que se refere à quantidade de vendas.

Vale lembrar que os compactos anteriormente vendidos pela Chery, como Celer e QQ, já descontinuados, nunca chegaram perto do volume alcançado pelo Ka.

2 - Volta às origens

Concessionária Ford Caoa - Divulgação - Divulgação
Caoa nasceu após compra de concessionária Ford em Campina Grande (PB) em 1979
Imagem: Divulgação

Caso assuma a operação de Camaçari, a Caoa não estará navegando águas desconhecidas.

A companhia ainda é o maior concessionário Ford do Brasil, com dez pontos de venda. Além disso, suas atividades no ramo automotivo começaram no fim da década de 1970, quando Carlos Alberto de Oliveira Andrade comprou sua primeira revenda de veículos com bandeira da oval azul.

Portanto, conhece muito bem os produtos da marca e sabe como vendê-los.

Não por acaso, prospectou a compra da fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP), desativada em 2019 e menos avançada tecnologicamente em relação à unidade da Bahia. Contudo, o negócio não se concretizou.

O Grupo Caoa tem ainda outras credenciais: sabe trabalhar com diferentes montadoras e culturas. Como importador, foi decisivo para consolidar a Renault e a Hyundai no Brasil.

Quanto à marca sul-coreana, construiu uma fábrica em Anápolis (GO) para montar localmente alguns modelos da empresa, mantendo a atividade como importador oficial.

Hoje, a unidade goiana também produz modelos da Caoa Chery, fruto da sociedade com a marca chinesa - paralelamente à linha de produção em Jacareí, no interior de São Paulo.

O grupo automotivo pertencente a Andrade também é o representante oficial da japonesa Subaru no País.

3 - Marca própria

Carlos Alberto de Oliveira Andrade Chery - Otavio Dias de Oliveira/Folhapress - Otavio Dias de Oliveira/Folhapress
Carlos Alberto de Oliveira Andrade não esconde desejo de ter marca nacional de automóveis
Imagem: Otavio Dias de Oliveira/Folhapress

O empresário já deu entrevistas dizendo que o seu sonho é um dia ter marca própria de automóveis no Brasil, algo que já concretizou parcialmente com a Caoa Chery.

Caso acerte a aquisição da linha de produção em Camaçari, um caminho possível seria passar a fabricar e comercializar Ka, Ka Sedan e EcoSport com alguns retoques visuais e a troca do emblema da Ford pelo da Caoa.

A prática de vender projetos de outras marcas com logotipo diferente em determinados mercados não é novidade e tem até um termo específico em inglês: "rebadging".

Outra possibilidade, aparentemente mais remota, seria utilizar a moderna fábrica baiana para produzir uma linha inédita de veículos nacionais da Caoa, sem associação direta com outras montadoras.

4 - Mais carros da Caoa Chery

Chery Tiggo 2 2021 - Divulgação - Divulgação
Caoa Chery anunciou renovação de produtos para 2021, como atualização do Tiggo 2
Imagem: Divulgação

A Caoa anunciou em dezembro do ano passado que neste ano atualizará e ampliará a gama de veículos Chery produzidos e vendidos no Brasil, além de lançar o primeiro modelo da divisão de luxo Exeed, que virá importado.

A aquisição da fábrica da Ford no Nordeste poderia servir para os planos de expansão - a unidade de Jacareí tem capacidade para 50 mil veículos/ano e a de Anápolis é capaz de produzir 86 mil unidades a cada 12 meses.

Em novembro de 2020, o grupo também tornou pública a intenção de investir R$ 1,5 bilhão durante cinco anos na unidade de Goiás, cuja capacidade produtiva saltaria para mais de 100 mil carros anuais.

O aporte serviria não apenas para fabricar modelos da Caoa Chery, como também de outra marca, provavelmente também chinesa.

Nada impediria que, após a Ford encerrar sua operação de manufatura local, o Grupo Caoa mudasse seus planos e direcionasse ao menos parte dos investimentos já anunciados para Camaçari.

5 - Outra marca chinesa

Geely EC7 - Divulgação - Divulgação
Após rápida passagem pelo Brasil, Geely seria uma das marcas chinesas interessadas na fábrica baiana
Imagem: Divulgação

Como informado acima, Carlos Alberto de Oliveira Andrade não faz segredo sobre negociações para investir em outra montadora chinesa no Brasil, além da Chery.

O empresário já tinha sinalizado essa intenção durante as tratativas frustradas para adquirir a unidade da Ford em São Bernardo - reforçada com o recente anúncio de ampliação da fábrica da Caoa em Anápolis.

O governo da Bahia divulgou que está sondando potenciais compradores das instalações de Camaçari, incluindo fabricantes chineses, indianos, sul-coreanos e japoneses.

Conforme a CNN Brasil, as montadoras chinesas Great Wall, Changan, Geely e GAC estariam interessadas e sua vinda ao mercado brasileiro teria a participação de Andrade.