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PSA confirma plano para trazer Opel de volta ao Brasil e 2 modelos inéditos

Opel Corsa (foto), irmão de plataforma do novo Peugeot 208 é um carro famoso no Brasil que poderá voltar ao País daqui a poucos anos - Divulgação
Opel Corsa (foto), irmão de plataforma do novo Peugeot 208 é um carro famoso no Brasil que poderá voltar ao País daqui a poucos anos Imagem: Divulgação

Joaquim Oliveira

Colaboração para UOL Carros, em Lisboa (Portugal)

11/06/2020 04h00

A PSA, dona das marcas Peugeot, Citroën e DS, também controla a Opel, que um dia pertenceu à General Motors.

Fabricante de origem alemã, a Opel é velha conhecida dos brasileiros, pois desenvolveu carros famosos vendidos aqui com o emblema da Chevrolet: Monza, Kadett, Corsa, Vectra e Astra são alguns exemplos.

Depois de reestruturar a marca e aumentar sua rentabilidade na Europa, a PSA agora planeja levá-la para outros mercados - incluindo o Brasil.

Também está em análise o retorno ao País da DS, divisão de luxo derivada de veículos da Citroën, que interrompeu as vendas aqui em 2017.

É o que revela Patrice Lucas, vice-presidente global do grupo automotivo e presidente na América Latina, em entrevista exclusiva para UOL Carros.

No ano passado, a PSA manifestou interesse em trazer mais marcas do grupo para o Brasil até 2023 caso a participação de mercado de Peugeot e Citroën no País salte dos atuais 1,51% para 5%.

"Mantemos essa intenção. Claro que primeiro teremos que ser bem-sucedidos com a ofensiva de produto que iniciamos agora, com a nova geração de modelos com base no novo 208. Estamos confiantes de alcançar esse objetivo e, se isso acontecer, concretizar esse lançamento de mais marcas", afirma o executivo.

Ele complementa dizendo que "a Opel mudou por completo, técnica e estilisticamente. Essa evolução permite que seja um posicionamento realmente diferenciado da Chevrolet no Brasil".

208 argentino e 2 carros inéditos

Plataforma CMP Peugeot PSA - Divulgação - Divulgação
Fábrica no RJ recebeu aporte de R$ 220 mi para produzir 2 modelos sobre a plataforma CMP
Imagem: Divulgação

Segundo o executivo, a nova geração do Peugeot 208 começa a ser produzida na fábrica de Palomar, na Argentina, "dentro de poucas semanas", com exportação também para o Brasil.

Ao mesmo tempo, o executivo confirma o fim da fabricação do 208 atual na unidade de Porto Real (RJ), para dar lugar a dois novos modelos compactos, a serem fabricados sobre a mesma plataforma modular CMP utilizada no 208.

A empresa já havia anunciado as duas novidades no fim de 2019.

"Investimos R$ 220 milhões de reais desde o ano passado para preparar a transição para a plataforma CMP. No segundo semestre de 2021, começaremos a fabricar dois modelos novos [em Porto Real]", informa, sem especificar quais serão eles.

De acordo com colunista Fernando Calmon, um desses carros é a nova geração do Citroën C3. Já o outro, especula-se, seria um inédito SUV compacto, eventual substituto do atual Aircross. Já o novo Peugeot 2008 será montado na Argentina, informa Calmon.

Retomada da produção no RJ

Lucas antecipa, ainda, que a retomada da produção na fábrica fluminense, que completa 20 anos em 2021, está programada para este mês.

"Antes da pandemia, estávamos operando em dois turnos e com uma utilização de 65 a 70% da capacidade instalada. Com a covid-19, a fábrica de Porto Real está encerrada, tal como a da Argentina, mas iremos reabrir antes do final de junho, em data que está prestes a ser anunciada. Inicialmente, a retomada será apenas com um turno de produção".

Hoje, a unidade instalada no Rio está encarregada da fabricação do 208 "antigo", do 2008, do C4 Cactus, do C3 e do C3 Aircross.

CEO mundial fala sobre fusão com FCA

Carlos Tavares (esq) e Mike Manley selam acordo FCA-PSA - Divulgação - Divulgação
Carlos Tavares (à esq.) e Mike Manley selam acordo de fusão entre PSA e FCA
Imagem: Divulgação

A reportagem também conversou com Carlos Tavares, CEO do Grupo PSA, que abordou a fusão anunciada com a FCA no fim do ano passado e outros temas - incluindo o "renascimento" da Opel na Europa após a aquisição da marca em 2017 - no Reino Unido, a fabricante é rebatizada como Vauxhall.

Taveres é considerado a atual grande estrela da indústria automotiva depois de, em tempo recorde, resgatar Citroën, Peugeot, DS e Opel de situações financeiras muito delicadas e de transformar o Grupo PSA em um campeão de margens de lucro - apesar da queda de 10% nas vendas mundiais de automóveis dessas marcas no ano passado.

"Quando se aplica na empresa o mesmo rigor e a mesma criatividade que se usa na vida privada para fazer o máximo pelo custo mínimo as coisas só podem correr bem e os melhores resultados podem ser alcançados. Chama-se bom senso", afirma o chefe do grupo, para justificar a redução de custos e foco que ampliaram a lucratividade da companhia.

Quanto à fusão com a FCA, o executivo nega a possibilidade de fechamento de fábricas e destaca que a colaboração entre as variadas marcas de ambos os grupos vai proporcionar que cada uma melhore seus pontos fracos.

"Temos um plano de fusão muito sólido com os nossos amigos da FCA, que levou ao anúncio de sinergias anuais estimadas em 3,7 mil milhões de euros, sem que isso implique qualquer encerramento de fábricas. Enquanto isso, desde a assinatura do acordo em meados de dezembro, muitas outras ideias estão a surgir, mas, nesta fase, apenas estamos a usar a nossa energia para preparar as aplicações finais para seguir os regulamentos".

Tavares complementa:

"O que vejo são duas empresas muito maduras com resultados financeiros saudáveis, mas é claro que sabemos que há muitos desafios a enfrentar. Isso não significa que somos fortes em todas as regiões, em todos os mercados; se me disser que a FCA não está bem na Europa, tenho que concordar, mas a PSA também precisa de melhorar muito na China".

O CEO não vê, ao menos neste momento, a redução na quantidade de marcas por conta da fusão e vê a diversidade de opções como alternativa para explorar diferentes mercados e demandas.

Isso passa também pelos planos de eletrificação, face à exigência cada vez maior de redução nas emissões de poluentes - especialmente na Europa, onde as montadoras pagam multa ao excederem os limites de emissão de CO2, gás causador do efeito estufa.

Naquele continente, grandes cidades também limitam a circulação de veículos a combustão.

Pugeot 208 2020 - Divulgação - Divulgação
Novos Peugeot 208 e Opel Corsa têm versões a combustão e também variantes 100% elétricas
Imagem: Divulgação

Hoje, Opel e Peugeot já oferecem no mercado europeu carros com versões "gêmeas" de modelos com motores de combustão, só que com propulsão 100% elétrica, sob o pretexto de que é dada maior liberdade de escolha ao consumidor. Um exemplo são Corsa e 208 europeus.

"Decidimos adotar uma estratégia de plataforma de energias múltiplas, para que pudéssemos nos adaptar facilmente às flutuações da procura do mercado. Nossos dez modelos com versões eletrificadas representam 6% do total das nossas vendas", esclarece.

Carlos Tavares também comenta a tendência de a indústria automotiva se transformar em uma fornecedora de mobilidade e não mera produtora e vendedora de veículos. Isso exige criatividade para oferecer produtos e serviços que atendam os anseios do consumidor.

"Acho que haverá uma diferenciação maior entre as áreas urbanas e rurais e que a propriedade de veículos perderá terreno no futuro a curto e médio prazo para 'usabilidade', por assim dizer. A necessidade de formas diversificadas de mobilidade não vai desaparecer. Temos é que ser criativos e encontrar soluções que atendam a todas as necessidades, mesmo que tenhamos que pensar 'fora da caixa'", analisa.

Ele cita Citroën o Ami, um carro elétrico urbano de dois lugares com mensalidade de 19,99 euros (cerca de R$ 113 no câmbio de ontem). "Acreditamos que seduzirá muitas pessoas. É bonito, funcional, totalmente elétrico, confortável, compacto e acessível".