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Fiat Toro, 3 anos: donos elogiam versatilidade, mas consumo é ponto fraco

Picape foi lançada em 2016 e logo virou uma das campeãs de venda da Fiat - Murilo Góes/UOL
Picape foi lançada em 2016 e logo virou uma das campeãs de venda da Fiat
Imagem: Murilo Góes/UOL

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, do Rio de Janeiro (RJ)

24/02/2019 08h00

Resumo da notícia

  • Picape superou rival Renault Oroch com design e mais versões
  • Espaço interno e versatilidade são elogiados por proprietários
  • Consumo alto é um dos pontos mais criticados

A Fiat Toro não inaugurou um novo segmento em fevereiro de 2016. Isso porque a Renault tinha lançado a Duster Oroch meses antes.

Porém, foi o desenho mais arrojado e a vasta gama de opções da linha que fez da picape da Fiat ser um sucesso de vendas, tanto pelo porte das antigas médias quanto pelo preço competitivo. Hoje ela é a segunda mais vendida do país, atrás apenas da companheira de vitrine Strada.

A Toro já era badalada antes mesmo de ser lançada com opções 1.8 flex e 2.0 turbodiesel. Com muita mídia, a marca italiana conseguiu causar expectativa. Tanto que a pré-venda foi disputada. O militar da reserva da Marinha, Valdiner Cruz, 67 anos, foi um dos primeiros a emplacar o modelo no Rio de Janeiro. 

Ele reservou a picape antes do lançamento e esperou 40 dias para recebê-la. Isso porque queria uma vinho, mas gostou bastante da branca da série limitada de lançamento Opening Edition e acabou ficando com ela.

Ex-proprietário de picapes como Chevrolet S10 e Fiat Strada, Cruz (que também trabalha como mecânico de motores náuticos) foi atraído justamente pelo porte "no meio do caminho" entre compactas e médias e pela capacidade para levar os propulsores dos clientes.

"Ela é muito utilitária. A caçamba bem grande e profunda ainda permite adaptar alongador. Sem falar no conforto, é um carro macio e confortável, com espaço bom atrás e fácil de estacionar. Eu tinha muita dificuldade em estacionar a S10, que ainda era pesada e danificava o piso da minha garagem", conta.

Em Vinhedo (SP), Daniel Neubauer conheceu a picape antes mesmo do lançamento. Por ser cliente da Fiat há muito tempo e ter tido muitos carros da marca, viu de perto a picape antes mesmo de ela ir para o showroom da concessionária. E foi radical: trocou o sedã médio Volvo S60 T5 2012 por uma Toro Freedom 1.8 flex 2017.

"Nunca tinha tido uma picape. Comprei pelo design e por ter espaço que necessito para a família. Oferece praticidade em poder colocar qualquer tipo de bagagem na caçamba, desde malas até brinquedos das crianças cheios de areia após sair da praia", diz o advogado de 36 anos e pai de duas crianças, de oito e dois anos de idade.

De hatch para picape

Razões parecidas motivaram Valdinéa Aboboreira Passinho, moradora de Itabuna (BA). Porém, a professora de 47 anos nunca tinha tido picape -- só modelos hatches -- e preferiu uma Volcano 16/17 com motor turbodiesel e câmbio automático de nove marchas. Além do design, ela diz que a tecnologia e a versatilidade do veículo fizeram a diferença.

"Queria um carro mais espaçoso e versátil. Só havia comprado carro hatch e não dava conta quando viajava. Viajo sempre, o carro vai carregado e na volta nem sempre cabe tudo que compro. Estou até querendo um extensor da caçamba", explica Valdinéa.

Essa versatilidade fez a cabeça de muito empresário. Afinal, a Toro é menor que as médias, mas tem boa capacidade de carga para quem tem comércio de pequeno e médio portes. Dono de uma loja e de uma distribuidora de bebidas no Rio, Rogério Braga, de 54 anos, adicionou uma Toro Freedom 1.8 ao serviço, no qual já usava uma Volkswagen Saveiro.

"Precisava da caçamba, mas queria um carro mais confortável, contudo que não fosse muito grande que nem uma Hilux. A Toro tem direção macia, motor excelente e um seguro viável. Até pesquisei uma Mitsubishi L200 seminova, mas o seguro era muito alto. Na outra ponta, a Strada Cabine Dupla é muito cara", ressalta Braga.

O empresário Fábio Monteiro, 34 anos, também tinha uma situação parecida com a do colega carioca. Morador de Catanduva (SP), ele era dono de uma Saveiro e precisava de caçamba para o transporte de ervas medicinais. "A Saveiro me impedia de usá-la com a família por conta dos dois lugares e uma picape grande estava fora de cogitação por falta de espaço na garagem. Então, a Toro atendeu todas minhas necessidades", afirmou.

Toro de Fábio tem motor 2.4 Tigershark - Fábio Monteiro/UOL
Toro de Fábio tem motor 2.4 Tigershark
Imagem: Fábio Monteiro/UOL

A diferença é que Monteiro optou pela Toro com o motor Tigershark 2.4 de 186/174 cv, lançada no fim de 2016. "É uma picape pesada, então um motor 1.8 aspirado deixa a picape muito lenta e, com peso na caçamba, mais ainda. Por experiência com carros já deduzi que o 1.8 seria fraco", explica.

O desempenho do motor 1.8 nem é tão controverso, apesar de algumas queixas em relação ao câmbio automático de seis velocidades. Mas o consumo é motivo de reclamação recorrente entre os donos da Toro com o motor menos potente. Braga explica que a sua, com etanol, dificilmente faz mais de 6 km/l. Cruz optou por colocar um kit GNV de quinta geração, enquanto Valdinéa se livrou desse problema ao optar pela turbodiesel.

Reclamação quase unânime é em relação à central multimídia Uconnect, principalmente no que diz respeito à pequena tela de cinco polegadas -- pouco sensível e intuitiva, segundo os donos de Toro.

O empresário Rogério Braga, por exemplo, já teve de trocar duas vezes o equipamento, dentro da garantia de fábrica.

A central também está na lista de (poucos) defeitos apontados pelos proprietários. "A multimídia deixa um pouco a desejar, o acelerador demora a responder, alguns acabamentos são mal encaixados. São pequenos problemas pontuais", aponta Fábio Monteiro. "O multimídia é pequeno, não tem TV. Falta espaço para objetos no painel e sensor ou câmera frontal", pontua Valdinéa Passinho.

Dirigibilidade cativa quem tem, mas alguns trocariam por rivais

Para os donos, porém, a dirigibilidade apaga qualquer pequeno detalhe negativo. A professora de Itabuna mesmo diz que não troca sua Toro por nenhuma picape média justamente pela questão de comportamento da picape da Fiat, que usa monobloco. 

"Não quero uma picape maior por ter chassi, acho desconfortável", diz Valdinéa. "A Toro é muito estável. Pego serra e não rabeia na curva. Com a S10 encontrava essa dificuldade: a mais de 60 km/h, já rabeava na curva", faz coro Valdiner Cruz.

A chegada de novos concorrentes pode ameaçar o "reinado" da Toro entre alguns proprietários. A Volkswagen deve lançar a Tarok, picape derivada do SUV T-Cross, até 2020. GM e Ford também preparam lançamentos deste porte. Fábio Monteiro e Valdinéa até considerariam uma troca. "Se for superior ou com boas novidades, considero a troca, pois sempre troco de carro, no máximo, a cada dois anos", avisa o empresário de Catanduva.

Porém, os donos da Toro estão de olho é em outras versões dentro da própria família. "Futuramente quero pegar uma a diesel, mas a diferença ainda é muito grande", diz Rogério Braga. "Não gosto de Volkswagen. Penso em trocar por outra Toro. Uma 2.4 ou com alguma motorização mais moderna", adianta Daniel Neubauer.

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