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Peugeot aposta em imagem "premium" para reforçar venda de SUVs no Brasil

Eugênio Augusto Brito/UOL
Peugeot patrocina competição e atletas, mas também aproveita Rio Open de Tênis para negociar 2008, 3008 e 5008 Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, no Rio (RJ)

2019-02-23T14:00:00

23/02/2019 14h00

Resumo da notícia

  • Depois de dispensar Salão do Automóvel, Peugeot foca clientes de alto padrão
  • Marca francesa patrocina torneio internacional de tênis no Rio
  • Além de mostrar SUVs, estande da marca realiza vendas no local
  • Peugeot aposentou carros com baixa venda e reforça linha de SUVs

Novembro de 2018: a Peugeot é uma das sete fabricantes automotivas que decidiu não participar do Salão do Automóvel de São Paulo, maior evento do setor no Brasil. Na justificativa, a PSA (aliança que reúne também a Citröen) apontou que o evento era caro demais para resultados difusos demais e afirmou estar disposta a "procurar outras plataformas e canais de comunicação para relacionamento e apresentação com seus consumidores". No fechamento de 2018, porém, Peugeot e Citröen sequer apareceram entre as 10 principais montadoras do Brasil em termos de vendas, segundo a Fenabrave.

O ano de 2019 começou, igualmente, com mensagens de sinal aparentemente negativo para o mercado. A Peugeot anunciou, no começo de fevereiro, a aposentadoria de Peugeot 308 e 408, hatch e sedã médios que de fato nunca foram bons de loja no Brasil e que já estavam bem defasados em relação aos produtos globais da empresa. Crise? Indícios de fechamento? Segundo executivos da marca, bem longe disso.

"A Peugeot é uma das empresas mais estruturadas atualmente, estamos operando com balanço mais saudável, mais positivo, do que quando tínhamos a linha 207 a todo vapor", afirmou executivo ligado à marca. A afirmação faz referência ao período em que a empresa chegou a produzir 100 mil unidades anuais, por conta da linha popular que contava com 207 hatch, sedã (207 Passion), perua (207 Escapade) e picape (Hoggar), chegando perto da quinta posição no mercado.

Pode ser difícil corroborar estes números, fato. Mas a atual ameaça da General Motors em deixar o Brasil, mesmo após quatro anos de liderança, bem como a decisão da Ford, quarta força da indústria local, de fechar sua mais antiga fábrica no país reforçam uma ideia: vender muito no Brasil nem sempre quer dizer ter lucro. 

Pois bem, para ter lucro, a Peugeot aposta no caminho da lucratividade: está focando em SUVs, segmento que não para de crescer na preferência do público (alta de 22% em 2018, expectativa semelhante para 2019 e de pelo menos 20% nos próximos cinco anos). E não só em SUVs, mas também em contato direto com público de alto poder aquisitivo, com eventos "premium", caso do torneio internacional de tênis Rio Open, que terá suas finais disputadas neste final de semana, no Rio de Janeiro. Além de patrocinar atletas e a própria disputa, a Peugeot tem estandes mostrando -- e vendendo -- Peugeot 2008, 3008 e 5008.

Contato direto com comprador

"Somos o principal patrocinador do evento, que reúne público de classe A e B, por isso temos uma equipe especializada aqui, para fazer ativação da marca Peugeot com os SUVs 3008 e 5008", explicou Allan Abranches, CEO da empresa que auxilia a Peugeot na organização dos espaços da marca no Rio Open.

O objetivo é claro: "ativar" significa fazer a marca ser percebida. E não apenas isso: significa também estimular vendas. A ideia é gerar quase 2 mil leads, que são as intenções de compra, fazendo às vezes de concessionária.

"Esperamos cerca de 1.500 leads, com possibilidade concreta de vendas, tanto que estamos com equipe especializada nos modelos e estamos trazendo mais um vendedor para o final de semana", afirmou Abranches. 

Até a sexta, pelo menos dois veículos já haviam sido vendidos, além de igual número de apalavramentos. A expectativa é de ampliar isso no sábado e domingo. Parece pouco? Pois é algo que de fato não se conseguiria num evento gigante, mas amplamente contemplativo, como o Salão do Automóvel.

Para comparar, durante todo o ano de 2018, a Peugeot entregou pouco mais de 2.800 unidades do 3008, SUV de R$ 161 mil. Se mesmo parte dos 2 mil interessados fechar negócio, a marca já terá muito o que comemorar. UOL Carros pode acompanhar a alta curiosidade dos visitantes do Rio Open para os SUVs da fabricante, nos estandes sempre cheios. Além do 3008, o 5008 (de R$ 176 mil) estão no principal espaço da marca. Há ainda um 2008 (que parte de R$ 70 mil) em outra área da arena do evento.

Para os executivos, a ideia é d efato apostar "num comprador qualificado, que possui veículos de marcas premium, mas que chega disposto a fazer negócio se encontrar produtos com tecnologia embarcada e conforto".

Marca premium

Para a Peugeot, 2019 será o ano para solidificar a imagem de marca "premium as generalistas", focada em veículos bem equipados, marcados pela tecnologia embarcada, bem como no reforço do atendimento ao consumidor, em especial no pós-venda, que é historicamente um ponto fraco da marca, mas que teve ações concretas de melhoria nas duas últimas temporadas.

Dessa "mudança de hábito" faz parte o encerramento de vendas de modelos defasados, como 308 e 408. A tendência é vermos modelos ainda mais arrojados e recheados nos próximos meses.

O crossover compacto 2008 começa a ser visto rodando com camuflagem no país e sua renovação está prevista para ocorrer ainda este ano, na virada do segundo semestre. Além do visual ligeiramente modificado, seguindo o que já se vê na Europa há algum tempo, teremos a introdução de mecânica atualizada e mais eficiente, na cola do Citröen C4 Cactus e seu motor turbo com câmbio automático de seis marchas. 

O hatch 208 segue em linha, mas terá novidades em 2020, ainda que a "a marca tenha de muito a fazer até lá", nas palavras de fontes inteiradas ao processo. Por "novidades" entenda a chegada da nova geração, que será mais avançada, tecnológica e com uma pegada esportiva do que a atual -- o novo Peugeot 208 será apresentado à Europa agora em março. 

De fato é um caminho longo e diferente, mas a marca parece, ao menos saber qual trajeto fazer até o destino. Resta saber se o comprador vai de carona.

* Viagem a convite da Peugeot do Brasil

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