PUBLICIDADE
Topo

Primeira Classe

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Diesel x flex: qual é o gasto com cada opção de combustível do seu carro?

Taos flex e Compass a diesel - Rafaela Borges/UOL
Taos flex e Compass a diesel Imagem: Rafaela Borges/UOL
Conteúdo exclusivo para assinantes
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

24/01/2022 04h00

Aproveitei o fim de ano para fazer viagens de carro pelo Brasil e usei dois SUVs em quase 2 mil km rodados nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Um foi o Volkswagen Taos Highline, com motor flexível, e o outro o Compass Limited, a diesel. O modelo da Jeep também tem opção flex para o mesmo nível de acabamento.

Revezar os dois carros na viagem permitiu testes e algumas reflexões sobre o diesel e a dupla gasolina/etanol. Aqui, não vou levar em conta o fato de o Compass a diesel ser o único da gama com tração 4x4 - o flex é 4x2. Esse é um grande diferencial para quem gosta ou precisa do off-road, mas a comparação nessa análise é entre combustíveis.

  • O UOL Carros agora está no TikTok! Acompanhe vídeos divertidos, lançamentos e curiosidades sobre o universo automotivo.

Ao fim da jornada, a pergunta que fica é: será que alguém precisa mesmo de um carro a diesel? Sabemos que eles custam bem mais que seus equivalentes flex. No caso do Compass, o Limited 1.3 sai por R$ 237.990, ante os R$ 189.990 do 1.3 turbo.

O Taos Highline, que só traz o motor 1.4 turbo flex, tem preço sugerido de R$ 200.640. Já sabemos também que, financeiramente, a diferença só vale para quem roda muitos mais que a média anual brasileira, que é de 15 mil km.

Mas há outros fatores importantes que levam à compra de um carro a diesel, a começar pela autonomia. A dos modelos flex, mesmo com gasolina, está cada vez mais baixa. Esse também é um teste que fiz com os dois carros, e você confere os resultados abaixo.

Etanol x diesel - autonomia

Os testes no Taos foram feitos com etanol, que vale mais a pena que a gasolina no Estado de São Paulo, onde a avaliação foi realizada. Uma curiosidade: no início do ano, após eu concluir o teste do Volkswagen, houve alta para a gasolina e o diesel. Para o combustível vegetal, não.

Volkswagen Taos Highline - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Volkswagen Taos Highline
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Em circuito cidade/estrada, rodei 370 km com um tanque de combustível do Taos abastecido com etanol. A maior parte do trajeto, cerca de 250 km, foi realizada em rodovia de trânsito rápido, a Imigrantes, rumo ao litoral de São Paulo. O consumo médio variou de 7,8 a 8,5 km/l.

O tanque de combustível do Taos tem capacidade para 51 litros. No caso do Compass, são 60 litros declarados pela Jeep. Curioso é que o completei mais de uma vez, deixando a autonomia abaixo dos 20 km (conforme estimativa a partir de dados do computador de bordo) antes do reabastecimento. Nunca consegui colocar mais que 50 litros.

Quando relatei esse fato em meu perfil no Instagram, diversos proprietários de Compass e Renegade vieram contar que jamais conseguiram passar dos 50 litros em um reabastecimento.

E qual foi a autonomia no circuito cidade/estrada? 520 km com 50 litros de diesel. O consumo médio ficou em torno de 10 km/l. Dos 520 km, foram 400 nas rodovias Anhanguera e Bandeirantes e os outros 120 em trecho urbano.

Com o Compass, fiz também um teste exclusivamente na rodovia. A autonomia ultrapassou os 600 km e o melhor consumo que obtive foi de 14 km/l.

Custo para reabastecer

Com o etanol a R$ 4,87 e o diesel S10 (recomendado para o Compass) a R$ 5,09, eu gastei em torno de R$ 250 para encher o tanque de cada um dos dois carros, o Jeep e o Taos. A diferença é que com o Volkswagen eu rodei 370 km e com o Jeep, 520 km.

Jeep Compass Limited a diesel - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Jeep Compass Limited a diesel
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Esses preços são os melhores que encontrei em postos com credibilidade na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Alguns dias depois de encher o tanque do Compass, o valor do diesel S10 já subiu para R$ 5,39, o que elevaria a conta final para R$ 270.

Há um outro dado interessante. Na cidade de São Paulo, o diesel S10 tem vantagem bem reduzida. Logo no início de minha viagem, ao pesquisar em um posto da capital paulista, encontrei o combustível por R$ 5,95, apenas R$ 0,20 a menos que a gasolina. O valor do etanol era semelhante ao do interior.

Com o diesel a R$ 5,95, o valor para encher o tanque do Compass aumentaria para quase R$ 300. Ainda é mais vantajoso que o etanol? Sim, por causa da autonomia. Mas não vamos nos esquecer de que o carro a diesel é bem mais caro.

Os R$ 5,95 não eram "privilégio" do posto de combustível consultado. Nos últimos dias, rodei bastante por São Paulo para checar valores do diesel S10. Eles ficam mesmo nessa média.

Quando vale a pena?

Se você vive na cidade de São Paulo, não roda mais que a média anual do brasileiro e raramente pega estrada para percorrer longas distâncias, esqueça o carro a diesel. Ele não é uma boa aposta financeira para você. O prejuízo é certo.

Já no interior do Estado, por exemplo, o retorno financeiro pode ser muito bom, pois o preço do diesel S10 costuma ser interessante. Isso, é claro, para pessoas que rodam muito e pretendem ficar com o carro bem mais que a média de dois anos dos clientes do segmento.

Nesse caso, ainda há a vantagem de parar menos vezes para reabastecer, o que é uma comodidade e tanto. Mesmo na estrada, modelos flex estão cada vez menos conseguindo atingir 400 km com um tanque de etanol - número que não melhora consideravelmente com gasolina.

No caso específico do Compass, há a tração 4x4 como apelo de compra para quem gosta da terra - ou mesmo para quem quer a segurança extra que essa tecnologia oferece. Antes, muitos compravam o modelo a diesel porque o flex era lento. Esse problema foi parcialmente resolvido com o 1.3 flex que chegou na linha 2022 do Jeep.

Por que parcialmente? Fiz um outro teste nos meus muitos quilômetros rodados no fim de ano com uma conclusão interessante. Que o Compass flex está andando muito bem, não há dúvida, mas o torque extra da versão a diesel (34,7 mkgf, ante 27,5 mkgf) ainda faz uma diferença para carros muito carregados com bagagens e pessoas - configuração típica de uma viagem em família.

Em subidas, os Compass T270 (denominação do motor 1.3 flex) familiares não conseguiram acompanhar o embalo de aceleração de "meu" Limited a diesel, que estava igualmente carregado de bagagens e pessoas.

Quer ler mais sobre o mundo automotivo e conversar com a gente a respeito? Participe do nosso grupo no Facebook! Um lugar para discussão, informação e troca de experiências entre os amantes de carros. Você também pode acompanhar a nossa cobertura no Instagram de UOL Carros.