PUBLICIDADE
Topo

Primeira Classe

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como Jeep virou uma das marcas mais vendidas e o que precisa para se manter

Jeep Renegade - Divulgação
Jeep Renegade Imagem: Divulgação
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

15/02/2021 04h00

A maior surpresa do mercado de automóveis em janeiro não foi lista dos carros de passeios e comerciais leves mais vendidos, e sim a de montadoras. A Fiat liderou, mas isso não foi algo inédito. A marca já vinha avançando, graças à Strada, desde o fim de 2020.

A grande surpresa foi causada por outra marca do antigo Grupo FCA (agora Stellantis), a Jeep. Com apenas dois modelos nacionais à venda, a montadora ocupou a quinta posição no ranking de vendas.

Além dos nacionais Renegade e Compass, a Jeep vende apenas produtos de nicho, como o jipe Wrangler, bem focado nos adeptos do off-road pesado. Com esta linha enxuta, de modelos cuja versão mais em conta passa dos R$ 85 mil, a marca já havia conseguido deixar a Honda para trás (para ser a oitava montadora que mais vende carros no Brasil).

Em janeiro, foi além, e ultrapassou a Renault, a Ford e a Toyota. Com isso, a Jeep ficou atrás apenas de Fiat, Chevrolet, Volkswagen e Hyundai, respectivamente. Será que a marca conseguirá se firmar como a quinta força do mercado brasileiro? Ou será que este foi um resultado pontual?

As chances da Jeep

Em janeiro, a marca não fez nada muito diferente do que já vinha fazendo nos últimos meses. O Jeep Renegade foi o SUV compacto mais vendido do mês, e o Jeep Compass também ficou muito bem posicionado (na nona colocação do ranking geral).

O Renegade não foi o SUV compacto mais emplacado de 2020. No ano passado, perdeu para o Volkswagen T-Cross, mas com uma desvantagem pequena - menos de 3,5 mil carros. E chegou a liderar em alguns meses.

A redução de ofertas de versões PCD deve ajudar o modelo da Jeep. Mas ele também não tinha uma opção destinada a pessoas com deficiência, que deixou de ser oferecida? É verdade. Só que o Renegade sempre teve altas vendas diretas independentemente da versão PCD.

Se as vendas diretas são menos lucrativas para as montadoras, e refletem menos o gosto do consumidor do varejo, elas também são fundamentais quando o assunto é liderança de mercado. E o Renegade se garante muito bem com elas. É um carro menos dependente que os rivais das versões PCD.

Além disso, tanto Renegade quanto Compass vão receber novos motores turbo flexíveis em 2021, substituindo os atuais, que têm fama de serem gastões. Isso pode impulsionar ainda mais as vendas dos dois modelos.

E, claro, chegará um novo carro da Jeep, o modelo de sete lugares. Com o terceiro produto nacional, a tendência é que a marca ganhe participação, embora o Compass possa perder alguns clientes por causa do novo modelo - especialmente nas versões mais caras.

Com tudo isso, a Jeep então vai conseguir se manter como quinta força? Não necessariamente.

Rivais em queda

O que é mais provável é que a Jeep ganhe de vez o lugar da Ford no ranking de emplacamentos. Em janeiro, a marca norte-americana ocupou apenas o nono lugar, com a queda acentuada das vendas do Ka.

É que tanto esse modelo, quanto o Ford Ka Sedan e o Ford EcoSport, saíram de linha. Eram esses os produtos de volume da Ford, que fechou suas fábricas no Brasil e se tornou importadora. Nenhum dos veículos da gama atual (Ranger, Territory e Mustang são são os principais) tem volume para fazer frente aos Jeep.

Os carros importados que vão chegar (Bronco Sport e o SUV elétrico Mustang Mach-e) também não têm foco no alto volume. Quanto à Toyota, a marca é uma incógnita. O Etios saiu de linha e a gama Yaris não vai muito bem para o segmento em que atua.

O Corolla é outro que perdeu espaço, embora ainda venda bem. Só que este ano chegará o Corolla Cross, o aguardado SUV nacional da Toyota. E esse carro pode fazer toda a diferença.

Quanto à Renault, é difícil bater a marca francesa. Janeiro parece ter sido apenas um mês ruim, mas o potencial da gama da montadora é muito alto. O Kwid, no geral, é um campeão de vendas, e há dois SUVs: Duster e Captur.

Além disso, a linha Sandero vende bem, embora tenha perdido versões. O Logan agora só é oferecido para o público PCD. Porém, o sedã já não vinha fazendo uma grande diferença nas vendas. O mérito da Renault é que seus carros atraem pelo bom preço.

Com isso, é mais provável que a Jeep brigue com a Toyota pelo sexto lugar em vendas, mas não tenha fôlego para enfrentar a Renault pela quinta posição no decorrer do ano.

Entre Toyota e Jeep, tudo vai depender do SUV que sair melhor em vendas: o Corolla Cross ou o novo utilitário-esportivo de sete lugares. Ainda assim, para uma marca que só vende SUVs, é um grande feito concorrer pela sexta posição.

Tradutor: Jeep vai se manter como quinta força do mercado brasileiro?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL