PUBLICIDADE
Topo

Por que Volkswagen Jetta GLI não é um carro caro mesmo custando R$ 145 mil

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colaboração para o UOL

17/02/2020 04h00

Nos últimos dias, em meu perfil no Instagram, fiz algumas enquetes sobre o Volkswagen Jetta GLI. Um dos temas que mais chamam a atenção sobre o carro é o preço. Afinal, estamos falando do sedã médio que, fora do universo das marcas de luxo, é mais caro à venda no Brasil.

Porém, diferentemente do novato Polo GTS, quase uma unanimidade quando o assunto é carro caro, pelo menos 50% das respostas foram a favor do preço do Jetta GLI. Essa parte do público não o considera acima do esperado.

Eu concordo com esse grupo. Apesar dos R$ 145 mil, não dá para considerar o Jetta GLI um automóvel com valor absurdo. Isso, é claro, dentro de um contexto em que os carros no Brasil têm preços cada vez mais altos.

Ao se comparar o sedã com apelo esportivo da Volkswagen à concorrência, fica fácil entender que não é barato, mas tem um custo que pode ser considerado justo. A principal razão é seu motor, um 2.0 turbo de 230 cv. Não há concorrente no segmento de sedãs médios que chegue nem perto dessa potência.

O Civic Touring traz um 1.5 turbo de 170 cv. Já o Corolla topo de linha é o Altis híbrido com pacote Premium. Mas, como a pegada do modelo que combina motor a combustão a um a eletricidade é bem diferente, focada na economia, a comparação de potência mais correta é com o Altis 2.0, que entrega 177 cv.

Jetta GLI x outros sedãs médios

O Corolla está à venda por R$ 136 mil em sua versão topo de linha, a Altis Premium híbrida. Para a Altis 2.0, são R$ 129 mil. O Civic Touring sai por R$ 136.700.

Então, na comparação com o segundo colocado na lista dos modelos mais caros do segmento, o Jetta GLI custa R$ 8.300 a mais. Dá para justificar essa diferença?

Dá sim. Os números do motor, que são responsáveis por um desempenho bem acima do entregue pela concorrência, são a justificativa principal. Mas há outras.

A versão GLI do Jetta não é um sedã médio qualquer. Não acho que seja possível defini-lo como carro esportivo. Mas o apelo esportivo que entrega é bem forte, e não apenas no visual, nem na maneira de acelerar.

A suspensão tem um ajuste esportivo. Ela é mais dura que as de Civic e Corolla, dando melhores estabilidade e desempenho em curvas ao carro, em conjunto com a calibração do sistema de direção.

Vale lembrar também que o GLI é o único Jetta com suspensão independente nas quatro rodas. Mas isso não é problema da concorrência, que também tem o sistema (nos casos de Corolla e Civic), e sim da Volkswagen, que usa eixo de torção nas demais versões.

E por falar nelas, o Jetta R-Line 1.4, opção de topo antes da chegada do GLI, parte de R$ 120 mil. Esse, e não os concorrentes, é o maior abismo quando o assunto é a versão com apelo esportivo. O propulsor gera 150 cv.

O Jetta GLI também tem um sofisticado sistema de modos de condução. Dá para mexer no diferencial, além de alterar o comportamento, em vários níveis, de motor, câmbio, direção, ACC e até do ruído do motor (que é falso, apesar de usar parâmetros do propulsor real).

E todo esse pacote vale a diferença? Se você quer um carro com pegada esportiva de verdade, sim. Então, o Jetta GLI vale o que custa. Mas, se esportividade não é seu negócio, este não é o seu carro. Melhor optar pelas versões de topo dos sedãs convencionais, entre eles o próprio Jetta R-Line.

Equipamentos

A diferença para os rivais não é feita só de itens que garantem aptidão esportiva. O Jetta GLI é bem completo; o teto solar é seu único opcional (assim como na versão R-Line). Entre os itens que só ele tem, há o controlador de velocidade de cruzeiro com função adaptativa.

Outro destaque é o painel totalmente virtual e configurável, que nenhum rival tem. É um sistema moderno e funcional, que permite ao motorista visualizar o quadro da maneira que quiser, graças às inúmeras possibilidades de personalização.

O Jetta GLI vem sendo bem aceito nas concessionárias. A gama vendeu mal no ano passado mas, quando o assunto é a versão com pegada esportiva, o difícil é achar uma versão a pronta entrega nas revendas da cidade de São Paulo.

Viu um carro camuflado ou em fase de testes? Mande para o nosso Instagram e veja sua foto ou vídeo publicados por UOL Carros! Você também pode ler mais sobre o mundo automotivo e conversar com a gente a respeito participando do nosso grupo no Facebook! Um lugar para discussão, informação e troca de experiências entre os amantes de carros.