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"Purificar" gasolina em casa é perigoso e só traz problemas ao seu carro

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Thais Roland

Thais Roland é técnica em Manutenção Automotiva e apaixonada pela graxa. Com seu canal no YouTube 'Coisa de Meninos Nada', busca informar, orientar e dar suporte em relação a dúvidas e neuras sobre o mundo dos carros

Colunista do UOL

24/03/2020 04h00

A coluna da semana passada sobre os perigos de separar gasolina e etanol em sua garagem deu o que falar. Resultou em muitos comentários interessantes e muitos, mas muitos mesmo, que não fazem sentido.

A primeira coisa que preciso reforçar é: essa coluna não tem a intenção de encher de informações técnicas os leitores que procuram dicas simples sobre como cuidar bem de seus carros. Por isso, não posso me dar ao luxo de entrar em discussões técnicas e inacessíveis para o nosso público alvo.

Mas vamos lá... para os que defendem a "gasolina pura", saibam que ela nunca foi. Sempre precisou de algum agente anti-detonante (antes do etanol era o chumbo) e também necessita de aditivos importantes para diversas funções, inclusive porque a gasolina pura é uma substância extremamente corrosiva.

Mas o ponto principal da matéria é sobre a separação caseira da gasolina. É muito duro para mim acreditar que alguém realmente acredite que consiga fazer uma separação eficiente de combustível no fundo do quintal (nem vamos falar sobre procedimentos de segurança). Em casa não temos a menor condição de garantir o que está saindo no fim desse processo.

Algumas pessoas mencionaram experiências com carros antigos. Eu, como super ultra mega fã de clássicos, concordo que os "velhinhos" aguentam quase qualquer coisa que se coloque lá dentro para queimar.

Carros antigos tinham tudo superdimensionado. Posso até citar um causo interessante com relação aos queridos Opalas, quando uma grande empresa desenvolveu um filtro de ar eficiente para o carro, que foi rejeitado pela GM porque "não tem necessidade, o carro aguenta". Eles são mesmo demais.

Mas nossa realidade não é a de carros antigos, é de veículos modernos. Nesses já temos problemas até com a gasolina que abastecemos no posto (como várias pessoas também apontaram, porque sim, vivemos em um país complicado e muitos postos adulteram o combustível). E isso fica ainda pior, como vários também apontaram, para automóveis importados, que não estão preparados nem para a nossa gasolina, ainda mais para fórmulas mágicas caseiras...

Em ambos os casos temos soluções que não envolvem alquimia de fundo de quintal. Já postamos matérias por aqui sobre testes que podem ser realizados nos postos para garantir a qualidade regulamentada do combustível e que os importados precisam dos combustíveis de alta octanagem, recomendada pelos fabricantes, especialmente os esportivos.

Novamente ressalto: separar o combustível em casa é perigoso, tanto para sua segurança física quanto para o seu automóvel. A ausência do etanol por si só já causará danos ao motor do seu carro. E, mais uma vez, não tem como garantir que, ao fazer essa separação, os aditivos da gasolina permanecerão nela.

Para o engraçadinho que disse que a menina aqui teve que ir pedir ajuda aos meninos: uma das especialistas consultadas é uma mulher, porque as mulheres estão em todos os lugares, desempenhando papéis com maestria nos diversos ramos de trabalho. Viva com isso, bebê.

Para o rapaz que comentou sobre a solução ser usar só o etanol, muitas palmas. Sério mesmo. Ainda quero escrever uma matéria falando sobre a tecnologia Flex. Usar só etanol é, ecologicamente, a melhor solução, já que as emissões de poluentes diminuem consideravelmente.

É por esse motivo que, quando meu Maverick finalmente voltar à vida, será movido exclusivamente a etanol. Automóveis com motores exclusivamente a álcool, além de serem menos poluentes, também são mais eficientes em vários aspectos.

Tenham uma ótima semana e nos falamos em breve. Continuem com os comentários que acrescentam muito às nossas conversas. Grande abraço (de cotovelo).