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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fim da Troller: 5 jipes da marca brasileira que sobrevivem entre os usados

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Imagem: Divulgação
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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

12/08/2021 04h00

É de conhecimento de todos que vários países têm suas próprias marcas de carros. Volkswagen na Alemanha, Fiat na Itália, Hyundai na Coreia do Sul, Toyota no Japão e assim por diante. No Brasil, foram várias as tentativas de ter um fabricante 100% nacional, mas por diversos motivos nunca deu certo.

O exemplo mais recente é da cearense Troller, que acaba de anunciar o fim de suas atividades. A marca é de propriedade da Ford desde 2007, mas começou como uma empresa totalmente nacional, fabricando jipes que sempre foram orgulho para os brasileiros.

A notícia foi um tanto surpreendente, principalmente para os cerca de 470 funcionários e para o governo do Ceará. Existiam negociações para que a marca fosse vendida, assim como a fábrica e os maquinários, mas isso também não deve acontecer mais, conforme já explicado aqui no UOL Carros.

Nunca tive muito contato com os jipões da Troller, mas sempre os admirei. Imponentes, jamais passam despercebidos, principalmente quando pintados com cores chamativas, algo que não é incomum no modelo.

Mas e agora, como ficam os Trollers no mercado de usados? Na coluna dessa semana, um pouco sobre cada um dos modelos disponíveis, suas características e pontos que devem ser observados no momento de comprar um Troller usado.

Troller RF

O primeiro modelo da Troller era praticamente um Jeep Wrangler tupiniquim. O desenho não disfarçava a inspiração no modelo americano, mas isso nunca foi um problema. Esse tipo de carroceria sempre foi copiado por diversos outros fabricantes em todo o mundo, algo que facilita a aceitação pelo público.

Equipado com o famoso motor AP da Volkswagen, o modelo RF se beneficia disso para ter fama de durável. Trata-se do mesmo 2.0 que equipou modelos da linha Santana e Gol, ou seja, a manutenção é simples e barata em qualquer lugar do Brasil. Movido a gasolina, ganha em silêncio e suavidade, quando comparado com os motores diesel que vieram depois.

No mercado de usados, poucos RFs estão disponíveis. Procurei em alguns classificados nacionais e encontrei menos de 10 opções, que vão de R$ 30 mil a R$ 60 mil. São preços altos para jipes com cerca de 20 anos de uso, mas a falta de concorrentes com as mesmas aptidões faz com que o mercado aceite pagar.

Troller T4 2.8

Modelo mais famoso da Troller, o T4 começou em 2001 e substituiu o RF. O desenho é praticamente o mesmo, com leves mudanças no formato dos faróis. A mudança mais significativa estava debaixo do capô, com a substituição do motor 2.0 a gasolina por outro 2.8 a diesel. É o mesmo motor que equipou por muitos anos os modelos Blazer e S10 da Chevrolet, além da Frontier e XTerra da Nissan.

Com turbo e injeção direta, não entregava muito desempenho para o Troller, que precisava de longos 16 segundos para ir da imobilidade até os 100 km/h. Por outro lado, era um motor bem mais forte que o anterior a gasolina. O torque máximo de 33 kgfm estava disponível já nos 1800 rpm.

O T4 com motor 2.8 durou até 2005, e teve curiosas alterações na parte interna, que misturava peças do Volkswagen Gol com peças do Ford Ka. No mercado de usados, os preços começam nos R$ 50 mil e podem até passar dos R$ 100 mil, dependendo da conservação e dos acessórios instalados.

Troller T4 3.0

A partir do modelo 2006, o T4 passou a ser equipado com o potente motor 3.0 diesel da Internacional. Era o mesmo motor que equipou a Ford Ranger na mesma época, também com turbo e injeção direta. A potência subia de 114 cv para 163 cv, e o torque que já era bom, foi para quase 39 kgfm a 1600 rpm.

Os dados de desempenho não mudaram muito, afinal de contas a aerodinâmica nunca foi um ponto forte dos Trollers. Mas o modelo tinha força de sobra para arrancar sorrisos do rosto de qualquer um.

Na parte interna, ele continuou com a painel "Frankenstein" do T4 2.8 por um tempo, mas depois foi substituído por peças exclusivas de modelos da Ford. No mercado de usados, os preços começam em R$ 65 mil e também podem ultrapassar os R$ 100 mil.

Troller T4 3.2

Os modelos 2013 e 2014 do T4 passaram a ser equipados com o motor 3.2, também da Internacional. Porém, foram vários os problemas relatados. As principais queixas são nos bicos de injeção, módulo eletrônico e selos das galerias de água do bloco. Sendo assim, é bom evitar o T4 desses anos.

Os dados de desempenho, potência e torque são muito parecidos com o 3.0, o que favorece ainda mais a escolha pelos modelos mais antigos. No entanto, se estiver diante de uma boa oportunidade desses anos, verifique se o carro já passou por recall do fabricante, em que foi atualizado o sistema eletrônico.

Amantes dos Trollers falam que esse motor não é de todo mal, mas reconhecem a fama ruim no mercado de usados. Os preços começam em R$ 70 mil e também ultrapassam os R$ 100 mil.

Troller T4 3.2 Duraorq

2015 foi o ano das maiores modificações no Troller T4, que ganhou carroceria totalmente nova, assim como interior redesenhado. O jipe ficou mais moderno e atraente, e felizmente recebeu outro motor, também 3.2 diesel, mas agora o mesmo 5 cilindros utilizado na Ranger, conhecido como Duratorq. Com incríveis 200 cv de potência e quase 48 kgfm de torque, o Troller passou a ser um jipe bem mais forte e veloz.

Mais importante que os números, esse motor voltou a dar a confiabilidade que os donos de Troller sempre apreciaram. Foi também o primeiro Troller a receber a opção de transmissão automática, mas isso já no fim de sua vida, a partir do modelo 2020.

Certamente, os T4 pós-2015 são os mais desejados, mas obviamente são os mais caros. Os preços iniciais passam fáceis dos R$ 120, praticamente o mesmo de quando foi lançado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL