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Benê Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ford Maverick traz inovação para o segmento, mas não vai incomodar a Toro

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Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

20/02/2022 04h00

A Ford Maverick está no Brasil. Chega importada do México e será vendida em versão única, a Lariat FX4. Um dos grandes apelos é o visual que nos faz lembrar das picapes médias dos anos 90, que eram menores e mais baixas, como aconteceu com sua irmã maior, a Ford Ranger.

Comparando com a Fiat Toro, ela tem a mesma largura, mas é um pouco mais baixa e bem maior no comprimento, com 5,07 metros. Sua personalidade um tanto exclusiva é percebida nas clássicas linhas quadradas e superfície lateral toda lisa, características que reforçam a impressão de se tratar de um veículo mais próximo do chão.

Depois, tem uma dianteira bastante imponente, bonita mesmo, muito parecida com o SUV Bronco, com faróis de LED no formato C invertido e ganchos no para-choque. As rodas são sempre de liga leve escurecidas aro 17 e calçadas com pneus de uso misto. Tem uma boa caçamba com espaço para 913 litros e capacidade de carga de 617 Kg, e que pode ser equipada com caixas organizadoras opcionais e até capota rígida com comando elétrico.

Mas a ideia da Ford é atender bem quem tem família e não abre mão do conforto oferecido pelos carros de passeio. Então capricha no acabamento próximo de carro premium seguindo praticamente a mesma receita oferecida pelo SUV Bronco, o que é positivo. Interessante também são as soluções para levar objetos no interior do carro, com muitos nichos distribuídos pela cabine e até uma bom guarda-volumes embaixo do banco traseiro, com 73 litros de capacidade.

Como tem teto quadrado e mais alto, além do entre-eixos de 3,07 metros, acomoda três adultos com conforto elogiável para cabeça, pernas e costas no banco traseiro. No quesito conectividade, traz o sistema multimídia Sync 3 com tela de 8 polegadas e todos aqueles recursos que a gente espera encontrar em um carro desse porte.

O sistema de som é bom, mas tem um ponto fraco: os alto-falantes traseiros ficam nas colunas, bem na altura da cabeça dos passageiros, o que incomoda quando tem música rolando. O painel de instrumentos é parcialmente digital, com velocímetro e conta-giros analógicos, mas traz uma tela digital configurável com informações gerais do computador de bordo e dos modos de condução.

Dirigibilidade de carro de passeio

O que me chamou bastante a atenção nesse primeiro contato com a Maverick é a boa dirigibilidade. Sentado ao volante, o encaixe é muito bom, o motorista fica numa condição mais baixa, muito próxima do que temos nos carros de passeio.

Acrescente aí o bom acerto de suspensão - independente nas quatro rodas e que não nos deixa esquecer que se trata de uma picape - mas que tem comportamento bastante confortável e muito seguro em diferentes situações. Em curvas, por exemplo, guardadas as proporções, responde quase como como um sedã.

A Maverick tem o mesmo motor do Bronco, o 2.0 Ecoboost, mas que nela foi recalibrado e ficou mais forte: são 253 cavalos de potência, contra os 240 do SUV, enquanto o bom torque é igual, de 38,7 kgfm. Para administrar essa força, tem transmissão automática de 08 velocidades e cinco modos de condução: normal, escorregadio, lama/terra, areia e reboque. O resultado prático é um carro ligeiro, que acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos, realmente gostoso de guiar.

Outra promessa, ainda mais se tratando de um utilitário, é a disposição para as trilhas longe do asfalto. Vem equipada com sistema de tração integral e, além dos modos de condução, tem a opção "Low", com uma marcha reduzida. Agora, nem tudo são flores na Maverick. Por exemplo: por ser um pouco mais baixa - se comparada a uma picape tradicional - não tem bons ângulos de ataque e saída, com 20,6º e 21,2º, respectivamente. Detalhe que pode gerar limitação em um trajeto muito acidentado.

A Maverick é bem servida de itens de segurança, conta com recursos como alerta de colisão frontal com frenagem de emergência, detecção de pedestres e ciclistas, assistente de partida em rampa, assistente de descida, sete airbags, entre outros. Mas não traz o alerta de ponto cego nos retrovisores e, o sensor de estacionamento, muito importante em uma picape, é item opcional.

Agora, para quem perguntar se a Maverick vai alcançar grandes volumes de vendas no Brasil a ponto de incomodar a Fiat Toro, a resposta certamente é não. Pela estratégia da Ford, o máximo que vai acontecer é vermos a Maverick concorrendo um pouco com as versões topo de linha da Toro, e até com as picapes médias de entrada.

Na prática, como a própria Ford deixou claro, o objetivo é ocupar um espaço inexistente por aqui, apostando nessa mistura de SUV confortável e seguro, equipado com os principais atributos de um típico utilitário e com caçamba. Só que, importante lembrar, sem abrir mão de atuar sempre num patamar mais elevado, como um modelo premium. Por isso, o preço é alto também.

Preço Ford Maverick Lariat FX4: R$ 239.900,00 / R$ 245.989,75 (SP)