O que acontece no seu corpo quando você perde peso rápido demais

Muitas pessoas com sobrepeso ou obesidade se arriscam em dietas da moda que prometem uma rápida perda de peso —geralmente, muito mais de 1 kg por semana.

Essa estratégia não é nada indicada pelos especialistas, por ser considerada uma solução rápida para algo que requer mudança de hábitos, acompanhamento profissional e atenção para sempre. Como a obesidade é uma condição crônica, a ideia é que profissionais da saúde e pacientes trabalhem juntos pela melhora e manutenção da qualidade de vida ao longo do tempo.

64% das pessoas relatam o desejo de pesar menos;

48% estão empenhadas nesse propósito;

Grande parte das pessoas com sobrepeso acha que tem peso saudável;

74% dos indivíduos com sobrepeso e 29% com obesidade nunca receberam um diagnóstico médico;

Quem tem um diagnóstico tem maior probabilidade de aderir à dieta e à atividade física (dados do International Journal of Obesity).

Perda de peso saudável

Ela decorre da adoção de um plano de reeducação alimentar, que se inicia com um cardápio hipocalórico —com menos calorias do que seu corpo gasta—, mas que garanta o consumo de nutrientes essenciais para o organismo. A atividade física integra a proposta, assim como o acompanhamento psicológico, em muitos casos.

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A taxa saudável de perda de peso deve ser lenta: cerca de 0,5 kg a 1 kg por semana —chegando até perto de 2 kg, em caso de obesidade grau 1 ou mais, de acordo com a Abeso (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

Como é um emagrecimento saudável:

Espera-se a perda de gordura corporal com um mínimo de perda muscular;

Uma resposta adequada à combinação de dieta e atividade física seria a redução do peso com qualidade (mantendo a massa muscular ou diminuindo o mínimo dela) e na proporção de pelo menos 5% ao longo de três meses;

A taxa entre 0,5 kg e 1 kg é apenas um parâmetro, porque a perda de peso variará a depender de fatores individuais. Isso significa que algumas pessoas poderão perder mais ou menos peso no mesmo período;

O acompanhamento de um especialista é essencial para observar a necessidade de readequação da estratégia: uma dieta de baixa caloria não deve ser mantida por tempo indeterminado.

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Nesse contexto, a perda significativa de gordura no início do tratamento é considerada positiva e tem sido relacionada à manutenção do peso no longo prazo. Os especialistas entendem que esse é o resultado da adaptação metabólica à adoção de um estilo de vida mais saudável.

O que você ganha com isso

Sem a devida reeducação alimentar, atividade física regular e orientação profissional, a perda rápida de peso, de modo geral, é desaconselhada pelos especialistas porque está associada aos seguintes riscos:

Desnutrição

Perda de massa muscular

Mudanças metabólicas

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Você pode comprometer os efeitos da boa nutrição

Dietas muito restritivas podem atrapalhar o consumo diário de vitaminas, sais minerais, fibras e outros grupos de nutrientes essenciais como carboidratos e laticínios.

Essa mudança no padrão alimentar pode ter efeitos negativos em todos os sistemas do organismo, especialmente quando ele é praticado por longo período. Veja alguns dos possíveis sintomas e condições associados:

Enfraquecimento das unhas

Queda de cabelo

Fadiga

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Constipação

Diarreia

Perda da densidade óssea

Redução das defesas do corpo

Formação de cálculos biliares

Aumento da taxa de gordura no fígado (quando a perda do tecido adiposo é rápida demais)

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Você pode limitar ainda mais a perda de gordura

Uma perda drástica de peso pode ser consequência do corte de calorias, que tem como consequência a redução de gordura, mas também da massa magra.

Uma vez que isso acontece, a perda de peso pode ser mais difícil. A razão para isso é que os tecidos musculares colaboram para o gasto calórico por meio do aumento da taxa do metabolismo basal (energia necessária para manter todos os sistemas do corpo funcionando).

A orientação dos especialistas é que se dê preferência a um plano estruturado de perda de peso gradual, e que integre a prática de exercícios físicos;

O ponteiro da balança cai, os músculos são preservados e ainda trabalham a favor do metabolismo.

Você pode recuperar e até ganhar mais peso

Para manter a balança nas marcações que garantem a boa saúde, é necessário que seu metabolismo esteja em dia. Isso depende da adoção de hábitos de vida saudáveis, como dieta equilibrada, prática de exercícios físicos, ciclo do sono regular, entre outros fatores.

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Na presença do excesso de peso, reduzi-lo está associado à melhora de problemas metabólicos como a hipertensão, diabetes do tipo 2, gordura no sangue, apneia do sono e até gordura no fígado.

A diminuição drástica do consumo de calorias impõe estresse ao organismo. Este entra no modo de sobrevivência para conservar energia, reduzindo a taxa metabólica basal;

Esse processo aumenta a fome, o que trabalha contra a sustentabilidade de uma dieta hipocalórica. É aí que aparece o risco de reganho de peso rápido, que pode exceder os limites anteriores e ainda levar a outras doenças associadas.

Desde o final da década de 1990, a comunidade científica estabeleceu critérios para identificar, avaliar e tratar o sobrepeso e a obesidade, que têm sido associados ao aumento das seguintes enfermidades crônicas:

Diabetes do tipo 2

Hipertensão

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Dislipidemia

Doenças cardiovasculares

Câncer

Alzheimer

Doenças infecciosas (como a covid)

Para orientar a perda de peso, os especialistas se valem de várias informações que indicam como anda a sua saúde.

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Uma delas é o IMC (Índice de Massa Corporal), uma fórmula matemática que considera seu peso e altura: (IMC=P/A²), ou seja, a conta é uma divisão do valor do seu peso pela sua altura ao quadrado;

O resultado dessa operação mostra as categorias de peso que podem levar a problemas de saúde (sobrepeso e graus de obesidade);

Esse cálculo não deve ser considerado isoladamente, e deve unir-se a outros dados como comorbidades, etnia.

Quando a velocidade é necessária

Segundo os especialistas consultados, o problema de dietas que fazem perder peso rapidamente é que elas propõem medidas difíceis de serem mantidas com o passar do tempo. Isso porque são inadequadas em termos nutricionais, geralmente eliminando do cardápio um ou mais grupos de alimentos essenciais à boa saúde.

Outro ponto a ser destacado é que não existe uma receita de dieta única que atenda a todos em suas necessidades individuais. E isso é ainda mais importante quando, além do excesso de peso, estão presentes outras enfermidades como o diabetes, a hipertensão etc.

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A depender da gravidade do quadro de obesidade e a existência de comorbidades, a redução rápida pode ser indicada para preservar a saúde do paciente e reduzir riscos associados;

A medida deve ser orientada e monitorada por um profissional da saúde, tem prazo de validade e precisa estar inserida em um plano terapêutico de longo prazo;

IMC é só uma parte do todo.

Emagrecimento rápido não intencional

Por vezes, a perda de peso aparece sem que haja causa aparente. Isso pode ser um sinal de alerta que indica que é preciso investigar sua origem. O conselho dos especialistas é buscar ajuda médica o quanto antes, para facilitar e não atrasar possíveis tratamentos.

Essa perda, em geral, corresponde a 10% do peso usual da pessoa e pode ocorrer em um intervalo igual ou menor que seis meses.

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Confira algumas das situações nas quais esse sintoma pode estar presente:

Diabetes descontrolado (inclusive entre crianças)

Hipertireoidismo

Insuficiência adrenal

Doenças intestinais (síndrome do intestino irritável, por exemplo)

Úlcera

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Neoplasias de forma geral (em especial após os 60 anos de idade)

Doenças psiquiátricas (depressão, ansiedade, anorexia)

Tuberculose

Abuso de substâncias ilícitas

Uso abusivo de álcool

Insuficiência renal

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Dicas para facilitar o primeiro passo

Para se animar a adotar bons hábitos alimentares, tire proveito das orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, disponibilizado pelo Ministério da Saúde. Comece com as seguintes medidas:

Beba mais água em vez de refrigerantes e sucos açucarados;

Reduza o quanto possível o consumo de alimentos ultraprocessados;

Inclua mais frutas e vegetais no cardápio. O custo deles pode ser alto, por isso escolha sempre itens da estação, que são mais acessíveis;

Prefira versões de laticínios com menores teores de gordura;

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Escolha alimentos e pães com grãos integrais;

Garanta o consumo de carnes com baixo teor de gordura; nozes, sementes e feijão são opções bem-vindas;

Use pratos menores que ajudam a não exagerar nas porções. Só não vale enchê-los uma segunda vez;

Troque lanches ricos em açúcar adicionado, sal e gorduras (como batatinhas fritas, biscoitos, chocolates e bolos) por frutas e iogurte;

Organize e planeje refeições e compras no supermercado. Isso ajuda a ter uma rotina onde não há espaço para itens que prejudicam sua saúde.

Mais ação no seu dia

O Ministério da Saúde também possui um Guia de Atividade Física para a população brasileira que pode ajudá-lo a evitar o comportamento sedentário e colocar mais movimento no seu dia a dia. Para começar, adote as seguintes medidas:

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Comece com pequenas e simples mudanças, como levantar-se mais da cadeira ou do sofá durante o dia;

Prefira usar o transporte público, se esta for uma opção viável para você, e desça na estação ou no ponto anterior para poder caminhar mais;

Escolha uma atividade física que lhe dê prazer para aumentar as chances de que você vai se mover, mas também se divertir;

Aproveite oportunidades de estar com seus filhos em atividades que mantenham todos ativos fisicamente.

Fontes: André Camara de Oliveira, médico endocrinologista, ex-professor da Famepp (Faculdade de Medicina de Presidente Prudente) e diretor da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo); Laryssa Pádua, médica endocrinologista e metabologista, mestre na área de tireoidologia, atuação com ênfase em obesidade, diabetes, tireopatias e endocrinopatias da gestação, do HC-Bauru (Hospital das Clínicas de Bauru); Luciano Albuquerque, coordenador do Ambulatório de Obesidade do HC-UFPE-Ebserh (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, que integra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), ex-presidente e atual secretário da SBEM-PE. Revisão médica: André Camara de Oliveira.

Referências:

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Halpern B, Mancini MC, van de Sande-Lee S, Miranda PAC. "Anti-obesity medications" or "medications to treat obesity" instead of "weight loss drugs" - why language matters - an official statement of the Brazilian Association for the Study of Obesity and Metabolic Syndrome (ABESO) and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab. 2023 Aug 16;67(4):e230174. doi: 10.20945/2359-4292-2023-0174. PMID: 37585688. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37585688/

Panuganti KK, Nguyen M, Kshirsagar RK. Obesity. [Atualizado em 2023 Aug 8]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK459357/

Farhana A, Rehman A. Metabolic Consequences of Weight Reduction. [Atualizado em 2023 Jul 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK572145/

Yaemsiri, S., Slining, M. & Agarwal, S. Perceived weight status, overweight diagnosis, and weight control among US adults: the NHANES 2003-2008 Study. Int J Obes 35, 1063-1070 (2011). https://doi.org/10.1038/ijo.2010.229

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