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IMC é confiável? Entenda o cálculo e como melhorar sua saúde

IMC é mais importante do que o peso mostrado pela balança - iStock
IMC é mais importante do que o peso mostrado pela balança Imagem: iStock

Diana Cortez

Colaboração para VivaBem

18/12/2020 04h00Atualizada em 14/04/2021 18h30

Você já deve ter ouvido falar das três letrinhas mágicas que envolvem o seu peso: o IMC (Índice de Massa Corporal). Mais do que o peso de fato na balança, é esse o valor que importa para manter a sua qualidade de saúde.

O índice em questão é bem simples e qualquer um pode calcular em casa. Contudo, é importante saber interpretar o resultado e entender o que de fato ele diz sobre a sua saúde.

Abaixo, VivaBem tira todas as suas dúvidas sobre IMC e ainda te ajuda a entender como melhorar sua saúde com base nesse número mágico.

IMC: O que é, como é o cálculo, dicas e mais

O que é IMC

O IMC (Índice de Massa Corporal) é um cálculo universal adotado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para classificar padrões de saúde relacionados ao peso, como desnutrição e obesidade, principalmente em populações.

A fórmula do IMC foi criada pelo matemático e astrônomo belga Lambert Adolphe Jacques Quételet em 1832 e recebeu originalmente o nome de "Índice de Quételet", mas foi rebatizada com o nome atual pela OMS em 1972.

No entanto, o IMC não é um índice suficiente para determinar a saúde de uma pessoa, uma vez que não leva em consideração a composição corporal do indivíduo (quantidade de massa muscular e gordura), como aponta Bruno Geloneze, médico endocrinologista e pesquisador principal do centro de pesquisa em obesidade e comorbidades da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Por isso, além dessa fórmula, outras medidas também devem ser combinadas para ajudar a definir o estado de saúde de uma pessoa.

Como calcular o IMC

A fórmula do IMC faz uma relação do peso com a altura ao quadrado do indivíduo, ou seja, sugere dividir o peso pela altura multiplicada por ela mesma. Veja:

IMC = Peso ÷ (Altura × Altura)

Exemplo de como calcular o IMC em uma pessoa de 1,60 m de altura e 60 kg:

IMC = 60 ÷ (1,60 × 1,60) = 23,43 kg/

Tabela de resultados do IMC

O resultado do cálculo indica a faixa em que o indivíduo se encontra de acordo com uma classificação. Ela é a mesma para a maioria dos países —muda apenas no sudoeste asiático, onde os parâmetros acabam sendo um pouco diferentes por conta de a estatura média da população ser mais baixa. Veja a tabela usada na maior parte do mundo e aqui no Brasil:

  • 16 a 16,9 kg/m² - Muito abaixo do peso
  • 17 a 18,4 kg/m² - Abaixo do peso
  • 18,5 a 24,9 kg/m² - Peso normal
  • 25 a 29,9 kg/m² - Acima do peso
  • 30 a 34,9 kg/m² - Obesidade grau I
  • 35 a 40 kg/m² - Obesidade grau II
  • maior que 40 kg/m² - Obesidade grau III

O resultado vai indicar a faixa que o indivíduo se encontra e quais os possíveis riscos e impactos na saúde.

O IMC vale para todo mundo?

Por não levar em conta a composição corporal, o IMC não é um índice recomendado para avaliar a saúde de atletas, que podem apresentar um peso mais elevado por conta do maior percentual de massa muscular, segundo Mario Kehdi Carra, médico endocrinologista. Além deles, as grávidas também não devem usar o índice como parâmetro, já que o peso estará maior por conta do bebê em desenvolvimento.

Contudo, o IMC funciona para crianças entre dois anos e início da puberdade, fase em que há uma linearidade no crescimento —existe uma classificação diferenciada para elas. Por outro lado, esse não é um índice válido na adolescência por causa da grande mudança que acontece durante o "estirão".

Nesse sentido, há uma discussão sobre qual seria o melhor método de avaliação. Enquanto algumas linhas defendem a composição corporal como melhor parâmetro para classificar a saúde do jovem, outras sugerem uma fórmula que dá uma maior importância à altura, conhecida como Índice de Massa Tri-ponderal, que é o peso total dividido pela altura ao cubo ou IMT = Peso total/altura³.

O que significa IMC abaixo do peso

De acordo com Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e da SEE (Sociedade Europeia de Endocrinologia), pessoas com IMC muito abaixo do peso costumam apresentar distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia.

Por se enxergarem gordas, elas buscam maneiras drásticas de emagrecer fazendo longos períodos em jejum e realizando restrições alimentares severas, que levam à desnutrição e colocam a saúde em risco.

Já os casos de IMC abaixo do peso podem indicar má alimentação e casos um pouco menos graves de distúrbios alimentares.

A privação no consumo de nutrientes e o baixo peso causam uma série de impactos no organismo, como fraqueza, falta de concentração, esquecimento, queda de cabelo, pele seca, unhas e cabelo fracos e quebradiços, anemia, irritabilidade, dores nas articulações e tontura.

"A pessoa com um IMC muito baixo não perde apenas gordura, mas também massa muscular, que é constituída por proteína. Essa baixa nos níveis proteicos pode impactar na função renal, no sistema circulatório e até mesmo na troca de substâncias dentro do vaso sanguíneo. A parte hormonal também é afetada devido ao baixo percentual de gordura corporal, levando à ausência parcial ou total de menstruação nas mulheres", explica Barca.

A imunidade também é bastante impactada, uma vez que a pessoa não consome quantidades suficientes de nutrientes para manter as funções das células de defesa.

Como aumentar o IMC

Em geral, as pessoas que apresentam distúrbios alimentares precisam de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além de um nutricionista especializado no assunto. Em casos mais graves, a internação também pode ser recomendada. A dieta precisa oferecer um maior aporte calórico para que a pessoa possa aumentar de peso, mas com qualidade.

"Para isso, deve incluir carboidratos, gorduras e, principalmente, proteínas de boa qualidade para ajudar a recuperar a massa muscular", ensina Débora Regina Palos, nutricionista clínica e funcional formada pela Universidade São Camilo. Portanto, é errada aquela ideia de que ela poderá comer qualquer alimento calórico, como doces, salgadinhos e snacks.

O que é IMC de peso normal

Este IMC indica que a pessoa possivelmente tem um peso adequado, o que refletiria em uma boa saúde e em um menor risco de doenças cardiovasculares. No entanto, o índice sozinho não é suficiente para definir se o paciente está realmente saudável, uma vez que não leva em conta sua composição corporal —ou seja, o percentual de gordura que possui.

"Uma pessoa com um IMC bom pode apresentar todos os problemas dos obesos se ela perder massa magra e acumular mais gordura, pois essa condição pode levá-la a desenvolver doenças metabólicas", alerta Geloneze.

Portanto, o IMC deve ser combinado com outras medidas ou técnicas capazes de mensurar a quantidade de massa gorda e de massa magra do corpo do paciente e identificar em quais regiões a gordura se acumula, já que ela é prejudicial principalmente se estiver na região abdominal e no tronco.

Conheça algumas técnicas usadas:

  • Circunferência do pescoço: O método consiste em medir com uma fita métrica a circunferência do pescoço. O valor considerado normal para mulheres é de até 37 cm e para os homens de até 42 cm. Valores acima desses índices indicam grandes chances de alterações metabólicas, conforme sugere um estudo da Unicamp.
  • Relação cintura-quadril: Propõe dividir a medida da circunferência da cintura pela circunferência do quadril. O valor não pode ser maior que 1,0 nos homens e 0,85 nas mulheres. Caso contrário, indica maior quantidade de gordura abdominal, ou seja, risco aumentado de desenvolver doença cardiovascular.
  • Circunferência abdominal: Essa medida não deve ultrapassar 88 cm nas mulheres e 102 cm nos homens.
  • Relação cintura-estatura (RCE): É um índice obtido pela divisão da circunferência da cintura pela estatura. Resultados acima de 0,5 indicam alto risco de desenvolver doenças cardiovasculares.
  • Pregas cutâneas: Com um adipômetro é mensurada a espessura das pregas cutâneas em regiões específicas do corpo, então, é feita a soma desses valores para definir o percentual de gordura total e de massa magra.
  • Densitometria de corpo inteiro: Esse exame de imagem mensura a quantidade de massa gorda e massa muscular do corpo do paciente, e ainda aponta a região onde a gordura está mais acumulada.
  • Bioimpedância: O método mensura o percentual de massa gorda e muscular do corpo por meio de um equipamento que emite uma corrente elétrica imperceptível pelo corpo do paciente. É um pouco menos preciso por sofrer variações de acordo com a temperatura ambiente e com a hidratação do paciente.

Como ser mais saudável com o IMC normal

Adotar um estilo de vida saudável e ativo é a melhor maneira de garantir um IMC normal e uma boa composição corporal. Na prática, vale aliar exercícios de força (musculação) e aeróbicos com a ingestão de uma dieta rica em alimentos fontes de proteína para garantir a manutenção e o ganho de massa magra que naturalmente começa a reduzir a partir dos 40 anos.

O que significam IMC acima do peso e IMC obesidade

Um IMC a partir de 25 costuma ser sinal de que a pessoa precisa fazer ajustes na alimentação e no estilo de vida, pois seu consumo calórico está maior do que o gasto. O impacto disso no dia a dia é um maior cansaço devido à sobrecarga causada pelo excesso de peso, o aumento no risco de doenças cardiovasculares, como pressão alta, varizes e má circulação.

"O paciente com sobrepeso é mais inflamado, condição que contribui para evolução de quadros infecciosos mais graves. E também tem maiores chances de desenvolver resistência à insulina, quadro que mantêm os níveis desse hormônio elevados por mais tempo, estimulando a fome e aumentando as chances dele se tornar um obeso", alerta Barca.

Já s pessoas com IMC a partir de 30 entram na classificação "obesidade", que pode ser nos graus I, II ou III. Quanto mais alto o grau de obesidade, maiores são os riscos cardiovasculares (angina, infarto, aterosclerose), de diabetes, apneia do sono, refluxo, acidente vascular cerebral e problemas articulares por conta do excesso de peso.

Como diminuir o IMC

Para emagrecer é preciso ter um déficit calórico, ou seja, ingerir menos calorias do que se gasta. "O ideal é planejar a dieta com um déficit de 500 calorias em relação à taxa metabólica basal do paciente, que varia de acordo com cada pessoa e as atividades que ela realiza", explica a nutricionista Débora Regina Palos.

"Também é importante que a pessoa se mantenha em movimento sempre que puder, evitando ficar sentada por muitas horas seguidas", acrescenta Mario Kehdi Carra, médico endocrinologista e presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

Já os pacientes com obesidade grau III ou IMC acima de 40 têm indicação para a cirurgia bariátrica. No entanto, existem medicamentos modernos que regulam a compulsão do paciente por comer e também o hormônio da saciedade com bons resultados, que podem ser usados por um longo período de tempo como uma opção.

"São medicamentos seguros que evitam que o paciente sofra com as consequências da bariátrica, que vão desde anemia até uma osteoporose precoce por conta da dificuldade de absorção dos nutrientes", fala a médica.

Dicas importantes para o sucesso no emagrecimento:

  • Prefira os alimentos naturais e evite os ultraprocessados, que são inflamatórios e mais calóricos, por isso prejudicam o processo de emagrecimento.
  • Procure equilibrar as quantidades de carboidratos, proteínas e gorduras das refeições. "Mesmo com déficit calórico, o excesso de carboidrato pode engordar por causar picos de insulina que facilitam o depósito de gordura no corpo", alerta a nutricionista Débora Regina Palos.
  • Consuma mais fibras, como verduras, legumes, frutas, grãos e cereais. Eles saciam por mais tempo e evitam que você chegue à próxima refeição com muita fome.
  • Varie a alimentação para obter diferentes nutrientes. Uma dieta monótona faz com que o corpo entre em um "platô" e interrompa o emagrecimento.
  • Inclua boas proteínas em todas as refeições. Opções magras, como peixe, frango, cortes magros de carne vermelha, iogurtes e queijos contribuem para a saciedade e ajudam a evitar a perda de massa magra.
  • Beba água durante todo o dia. Ela é imprescindível para todas as funções do organismo, inclusive para as fibras cumprirem seu papel no intestino. Também evita que nosso cérebro confunda sede com fome e nos faça consumir mais calorias do que deveríamos.
  • Pratique atividade física em cinco ou seis dias da semana. Combine exercícios de força, como a musculação, que estimula a hipertrofia muscular, com os aeróbicos, para ganhar resistência cardiorrespiratória.
  • Realize sessões de terapia para ajudar a controlar a compulsão por comida e a lidar com o estresse, outro gatilho que leva as pessoas comerem mais.

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