Topo

Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


O que fazer e o que não falar? Como ajudar alguém em depressão com 10 dicas

Entenda como ajudar uma pessoa com depressão  - iStock
Entenda como ajudar uma pessoa com depressão Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para o VivaBem

31/03/2023 04h00

É só olhar em volta para perceber que dificilmente você não conhece alguém que tenha tido (ou tenha) depressão. Estima-se que a condição atinja mais de 300 milhões de pessoas no mundo.

Muitas vezes, essas pessoas são julgadas e não encontram apoio de amigos e familiares, por desconhecimento dos sintomas ou falta de empatia. Então o que podemos fazer para ajudar alguém que passa por isso?

"A depressão é uma doença que acontece em quem tem predisposição genética. Não adianta fazer cobranças ou culpar a pessoa com a condição. Não é uma escolha. O que ajuda é o apoio e o auxílio dos que a cercam", explica Sandra Peu, psiquiatra e membro da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), que atua em Salvador (BA).

Como ajudar uma pessoa com depressão em 10 passos

1. Não julgue ou minimize sentimentos

É importante não falar frases prontas de incentivo, como "é só uma fase", "você precisa ser forte ou otimista", "tente ocupar sua cabeça", "parece que você só quer chamar atenção dos outros". Isso não vai ajudar quem está com depressão.

Pelo contrário, a pessoa pode se sentir ainda pior, perder a confiança de se abrir com o outro e ficar ainda mais isolada.

2. Reforce a importância de atividade física

Diversas pesquisas apontam que a prática de atividade física ajuda bastante a controlar os sintomas depressivos e também aumenta a energia.

Durante e após os exercícios, o corpo libera endorfina e serotonina, que são neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar.

Há diversas modalidades que podem ser benéficas, como caminhada, corrida, musculação, natação e pilates. Que tal se oferecer para fazer companhia para um amigo ou familiar com depressão na hora de se exercitar?

3. Incentive a busca por tratamento

A depressão é uma doença e, muitas vezes, a pessoa precisa de antidepressivos para amenizar os sintomas e se recuperar.

Além da medicação, é importante realizar a psicoterapia para lidar com os sentimentos negativos, crenças limitantes e baixa autoestima.

Por isso, amigos e familiares devem incentivar que ela busque ajuda de um psiquiatra e psicólogo, para começar o tratamento adequado o quanto antes.

4. Encoraje a socialização

Um dos sintomas da depressão é o isolamento social. É comum que a pessoa não queira sair de casa e ter momentos de lazer. Mas não deixe de fazer convites para passeios, ir ao cinema ou jantar em algum local diferente.

Lembre-se apenas que não vale a pena forçar a barra ou insistir demais. A pessoa precisa se sentir à vontade para sair. Se for por obrigação, pode acarretar sentimentos negativos, como angústia ou tristeza, e agravar o problema.

5. Esteja disposto a escutar

Praticar a escuta ativa é uma forma de se colocar à disposição da pessoa com depressão. Muitas vezes, ela só precisa de apoio, conseguir falar como se sente diante das dificuldades. Ao escutar sem julgamentos, o outro se sente acolhido e compreendido.

Na dúvida do que fazer, é melhor ser empático, ou seja, além de se colocar no lugar do outro, é preciso pensar também em como ele vai reagir ou se sentir. É importante também tomar cuidado com a positividade tóxica, que é uma forma de evitar entrar em contato com os sentimentos difíceis. Juliana Yokomizo, psicóloga do Serviço de Psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

6. Demonstre que ela é importante e necessária

Algumas pessoas com depressão podem ter sentimentos de fracasso e inutilidade. É como se a sua presença não fizesse falta para ninguém.

Quem está perto de quem tem a condição precisa demonstrar com frequência os seus sentimentos e dizer o quanto ela é importante e necessária para sua vida.

Além disso, pessoas com depressão podem ser muito críticas consigo mesmas e encontrar falhas em tudo o que fazem. Lembre seu amigo ou familiar com depressão sobre suas qualidades e o quanto a pessoa significa para você e para os outros.

7. Não ignore comentários suicidas

Quem tem uma depressão severa ou refratária (quando resiste ao tratamento medicamentoso) tende a pensar com mais frequência em suicídio. Algumas vezes, elas podem falar sobre isso de forma direta ou demonstrar sua insatisfação de outras maneiras.

Geralmente, confessam que estão sem esperanças, sentem-se culpadas, com baixa autoestima e apresentam uma visão negativa sobre a vida e o futuro.

Fique atento se a pessoa com depressão fizer comentários sobre desaparecimentos, despedidas fora de hora e falar sobre querer dormir e nunca mais acordar. Esses comportamentos suicidas não devem ser ignorados e o ideal é buscar ajuda especializada o quanto antes. Ofereça-se para ser acompanhante de um atendimento médico ou psicológico, por exemplo.

8. Tenha paciência

A depressão costuma melhorar com o tratamento, mas costuma ser um processo lento. Nem sempre o tipo de antidepressivo escolhido é o mais indicado para determinada pessoa e é preciso mudar. Portanto, os sintomas podem continuar por vários meses, em alguns casos.

Alguém com depressão também pode ficar irritado com mais facilidade e sentir dificuldade de compreender algumas conversas. O humor pode variar bastante e é preciso paciência para não entrar em conflito.

9. Informe-se sobre a doença

Quanto mais você entender o que causa a depressão, como ela afeta as pessoas e formas de tratamento, mais fácil ficará para conversar e lidar com quem está com a doença. Os sintomas nem sempre serão iguais.

10. Ajude nas tarefas do dia a dia

Algumas vezes, para quem tem depressão, pode ser desafiador conseguir realizar as tarefas básicas do dia a dia, como lavar roupa, cozinhar ou ir ao supermercado.

É importante estar por perto e oferecer ajuda ou fazer companhia enquanto o indivíduo termina alguma atividade doméstica.

Fontes: Camila Ribeiro, psicóloga na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo; Sandra Peu, psiquiatra e membro da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), que atua em Salvador (BA); Juliana Yokomizo, psicóloga do Serviço de Psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.