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Por que alguns bebês nascem 'gigantes'? Há riscos para eles ou à gestante?

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Imagem: iStock

Luiza Vidal

De VivaBem, em São Paulo

25/05/2022 04h00

A fotógrafa Patrícia Eva da Costa, 33, de Várzea Grande, em Mato Grosso, já teve duas filhas. Uma delas, nascida neste ano, veio ao mundo com mais de 4 kg —uma bebê considerada grande. Há 17 anos, quando deu à luz a filha mais velha, essa também nasceu com um peso maior do que a média, que costuma ser de 2,5 kg a 3,9 kg.

Os bebês "gigantes", ou macrossômicos, termo mais correto utilizado pelos médicos, sempre chamam atenção (principalmente por serem mais "gordinhos").

Inclusive, um caso ocorrido neste ano, no Reino Unido, surpreendeu os especialistas e até a mãe. A inglesa ficou chocada ao saber que sua filha nasceu com mais de 5 kg. Os amigos dela até diziam que, pelo tamanho da barriga, ela parecia levar gêmeos. No final do ano passado, uma mulher do Pará deu à luz um "superbebê", de 7 kg —isso mesmo! O bebê tinha 9 meses quando nasceu e precisou ficar um tempo internado no hospital.

Como o tamanho do bebê é definido?

Para ser considerado um recém-nascido "gigante", é preciso ter mais de 4 kg. No caso da Patrícia, a filha mais nova, Maria Elisa, tinha 4,2 kg. Já a mais velha, Sara Cristina, pesava 4,5 kg.

Patrícia Eva com o marido e a filha - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Ao lado do marido Nilson, Patrícia segura a filha Maria Elisa, que hoje tem 2 anos
Imagem: Arquivo pessoal

Uma outra métrica utilizada pelos médicos é o percentil do feto, que é uma curva calculada a partir do tempo da semana gestacional em relação ao peso do bebê. A partir disso, os recém-nascidos são divididos em pequenos (percentil 10), "normais" (percentil 50) e grandes (percentil 90) —a tabela pode variar, chegando a 95 ou 97.

"Portanto bebês com mais de 4 kg e percentil 90 já são considerados macrossômicos", explica Michelly Nobrega Monteiro, ginecologista e obstetra, chefe da MEJC (Maternidade Escola Januário Cicco), da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), da rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

De acordo com a também professora da UFRN, é possível ir acompanhando o crescimento do bebê principalmente durante o 3º trimestre, a partir de exames de ultrassom. "Conseguimos ver se a faixa de peso está dentro da esperada e se o tamanho é adequado. A gente faz biometria fetal, ou seja, mede o bebê de várias formas, como medição do fêmur e circunferência abdominal", diz.

Helen Sellers grávida da pequena Celia, nascida com mais de 5 kg. - Montagem/Redes Sociais - Montagem/Redes Sociais
Helen Sellers, a inglesa grávida da filha de 5 kg
Imagem: Montagem/Redes Sociais

Por que alguns bebês são 'gigantes'?

E os motivos para isso são os mais diversos, entre eles a genética —pais muito altos, como jogadores de basquete—, obesidade materna e o ganho excessivo de peso na gestação, com alto consumo calórico.

Mas de acordo com a ginecologista e obstetra Carla Muniz, da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), a causa mais comum é diabetes gestacional.

"A mãe consome muito açúcar e envia para o feto, que vai responder a este aumento de glicose com um aumento de insulina (hormônio responsável por controlar o nível de açúcar do sangue). Essa hiperinsulinemia pode levar ao crescimento exagerado do feto", explica a médica.

Uma outra situação é caso a gestante tenha diabetes tipo 2 que funciona basicamente da mesma forma citada acima. A diferença é que essa pessoa já vai ter o diagnóstico prévio da doença.

Patrícia, por exemplo, não teve diabetes e nem obesidade, além de não ter estatura alta (1,65 metro), mas ganhou bastante peso na primeira gestação. Foram 13,5 kg a mais.

"Desta vez, fiquei com medo de nascer muito grande, então cuidei mais da minha alimentação. Engordei 10 kg —não conseguir ficar só nos 8 kg", conta a fotógrafa. O parto, inclusive, foi normal e, hoje, a menina já tem 2 anos.

Patrícia Eva com o marido e a filha - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A fotógrafa Patrícia Eva ao lado do marido e da filha após o nascimento
Imagem: Arquivo pessoal

É possível evitar que isso ocorra

Gestantes com diabetes tipo 2, sobrepeso e obesidade devem ficar mais atentas com os cuidados. Por isso, um pré-natal bem executado pela equipe de profissionais de saúde é fundamental principalmente em situações como essa. No dia a dia, essa pessoa deve ter uma dieta balanceada e realizar atividades físicas.

Isso é essencial porque, segundo Sandi Sato, pediatra da Maternidade Brasília (DF), os bebês grandes, sobretudo de mães que tiveram diabetes gestacional, por exemplo, ou aumento considerável de peso, têm mais risco de desenvolver obesidade no futuro. "Sabemos que tanto as condições de gestação como dos primeiros anos de vida podem interferir na saúde da criança a vida toda", diz.

Por isso, de acordo com a especialista, é importante que desde o princípio sejam incentivadas as melhores práticas de alimentação para o bebê e, futuramente, criança. "Incentivo ao aleitamento materno e alimentação complementar saudável são importantes para tentar contornar a situação."

Há risco para o bebê ou para quem está gestando?

Estefany Araújo Evangelista - Reprodução/ Santa Casa do Pará - Reprodução/ Santa Casa do Pará
Estefany Araújo Evangelista, a 'superbebê' que nasceu com 7,038 kg
Imagem: Reprodução/ Santa Casa do Pará

Embora não exista uma regra, bebês macrossômicos podem, sim, trazer mais riscos à saúde da gestante e também à deles, segundo a obstetra da Sogesp.

"Na mãe, há maior risco de [parto] cesárea pela proporção entre o feto e bacia. A mãe tem mais risco de ter atonia uterina, quando o útero fica muito grande e tem maior dificuldade para contrair. Se ele não contrai, há mais probabilidade de ela ter uma hemorragia", diz Muniz.

Para o recém-nascido, os riscos são de hipoglicemia, que é a queda de glicose no sangue, já que a fonte da substância era, dentro da barriga, da mãe. De acordo com a médica, há também os riscos de imaturidade pulmonar, pois o excesso de açúcar causa impacto no desenvolvimento do órgão, hipocalcemia, falta de cálcio no sangue, e policitemia, aumento dos glóbulos vermelhos no sangue.

Na hora do parto, há situações que devem ser avaliadas antes. "Bebês grandes podem ser desproporcionais em relação à bacia da mãe e o trabalho de parto pode não ser favorecido. Isso pode causar fratura de clavícula no recém-nascido e outras complicações no parto. Mas isso não é regra e precisa ser avaliado", diz a pediatra.

Por isso, é tão importante fazer pré-natal, que é a chave para garantir saúde para o bebê e para quem está gestando.

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