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Aquecedor faz mal para bebês ou adultos? Veja cuidados com o objeto

Saiba se aquecedor pode fazer mal e como usar corretamente - Getty Images
Saiba se aquecedor pode fazer mal e como usar corretamente Imagem: Getty Images

Nathalie Ayres

Colaboração para VivaBem

24/05/2022 10h17Atualizada em 25/05/2022 16h20

Metade do Brasil foi alvo de uma frente fria dias atrás, e o famoso mês do veranico se tornou um dos mais frios nos últimos 32 anos. Haja cobertor para aguentar essa sensação térmica incomum em nosso país tropical. Neste cenário, muita gente resgatou o antigo aquecedor do armário, o que acendeu uma pergunta: o uso de aquecedor pode fazer mal a adultos ou bebês?

Quando pensamos em crianças, lidar com um objeto aquecido a ponto de transferir calor ao ambiente requer atenção. "O risco mais preocupante são os acidentes domésticos como queimaduras e choques", alerta a pediatra e alergologista Caroline Peev, do Sabará Hospital Infantil (SP).

Para as populações em geral, o maior risco é respiratório, já que, assim como o ar-condicionado, os aquecedores também ressecam o ar que eles esquentam.

"Eles causam ressecamento da mucosa das vias aéreas, dificultando a eliminação do muco e facilitando o aparecimento de infecções respiratórias ou o agravamento de doenças existentes, como asma brônquica e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)", pondera a pneumologista Rosemeri Maurici da Silva, da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia).

Cuidados ao usar aquecedores

Mas calma, isso não significa que você deve jogar fora o seu aquecedor (ou tirá-lo do seu carrinho de compras). Tomando alguns cuidados, é mais fácil usá-los sem prejudicar a saúde:

  1. Umidifique o ar: isso pode ser feito de diversas formas, seja ligando um umidificador de ar (que não deve ser usado por mais de 12 horas com frequência, já que pode beneficiar proliferação de fungos), colocando alguma toalha úmida ou balde d'água no ambiente ou mesmo deixando o ar circular próximo ao local, já que a troca sempre trará mais umidade;
  2. Hidrate-se: e isso não significa apenas beber água. "Crianças e adultos devem manter a lavagem nasal como um hábito rotineiro, mesmo sem queixas, fazendo uso do soro nasal de 4 a 6 vezes por dia", orienta a otorrinolaringologista Larissa Camargo, do Hospital Santa Lúcia, de Brasília. Ela ainda lembra a importância também da hidratação da pele e dos olhos;
  3. Cuidado com trocas de temperaturas: o clínico geral Luciano Lourenço, chefe da Emergência do Hospital Santa Lúcia, alerta que a mudança brusca da temperatura do ar respirado também é ruim, gerando estímulos inflamatórios irritativos e alérgicos na mucosa, que fica mais exposta a vírus e bactérias. Pneumonia e bronquite são quadros possíveis de serem piorados nessas condições;
  4. Não deixe o aquecedor ligado o tempo todo: isso é importante para evitar o superaquecimento do ambiente e também reduz o ressecamento do ar. A maior indicação é deixar o aquecedor esquentando o ambiente no começo da noite e desligar antes de dormir;
  5. Faça uma consulta preventiva: populações de risco e com doenças respiratórias como rinite, bronquite, asma, DPOC, entre outras, devem tomar mais cuidado e podem se beneficiar de algum tipo de orientação de seu médico de confiança.

Bebês menores de dois anos e os idosos precisam tomar ainda mais cuidado. "Eles possuem um mecanismo de troca de temperaturas mais imaturo e não tão eficiente, por isso precisam ter um pouco mais de cuidado com a exposição ao frio e também a temperaturas condicionadas", reitera o clínico geral Lourenço.

Qual é seu tipo de aquecedor?

Os especialistas ainda lembram que alguns tipos de aquecedores apresentam riscos diferentes. O mais comum hoje nas casas é o de resistência elétrica, em que o aquecimento é feito por uma lâmpada. Nos modelos mais antigos, sem grade de proteção, o maior perigo deles está em queimaduras, quando alguém distraído ou crianças tocam as lâmpadas. Mas a maior parte dos modelos atuais apresenta esse equipamento de proteção.

Existem também os aquecedores a gás, que trazem outros tipos de risco. "A queima do gás produz monóxido de carbono que é tóxico, pode causar redução do transporte de oxigênio no corpo, levando a um quadro de hipóxia, que é a queda da oxigenação, perda da consciência, e até a óbito", frisa Camargo.

Ela alerta que o problema é que esse gás é incolor e inodoro, sendo difícil perceber que sua concentração no ambiente está aumentando. Nesses casos, a ventilação do local onde esse aparelho é usado é fundamental, seja com uma janela basculante, fresta na janela comum ou com portas com corte um pouco acima do chão.

Alguns tipos de aquecedores a óleo também pedem esse cuidado, caso ele realize trocas de ar com o ambiente. "Mas quando o aquecimento é feito com uma resistência aquecendo o óleo mineral dentro do aparelho, ele se torna um dos mais seguros e que menos resseca o ar ambiente", reforça Camargo.

Pessoas em casas que possuem lareiras que queimam com lenha precisam também tomar certos cuidados, já que a fuligem e a fumaça são ainda mais agressivas às vias aéreas, principalmente a quem já possui doenças respiratórias.

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