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Por que ficamos mais tristes no frio? É normal? Entenda e veja como lidar

Existe uma explicação biológica para a tristeza no frio - iStock
Existe uma explicação biológica para a tristeza no frio Imagem: iStock

Colaboração para o VivaBem

22/05/2022 04h00

Mesmo os apaixonados pelo inverno, com as bebidas quentes e o aconchego das cobertas, têm mais dificuldade de levantar da cama de manhã. Em algumas pessoas, chega a bater um desânimo e até uma tristeza. E não se trata de frescura: é biológico.

A falta de luminosidade, especialmente dos raios solares, realmente causa uma maior sensação de moleza e preguiça.

Durante a noite, nosso cérebro secreta a melatonina, hormônio responsável por regular o relógio biológico e fazer com que tenhamos sono —e, consequentemente, mais disposição durante o dia.

Na ausência de luz, as pessoas permanecem nesse padrão noturno, ou seja: com mais sonolência, desânimo, irritabilidade e mais apetite que o normal. É como se o cérebro entendesse que ainda é tempo de dormir.

Dias iluminados, por outro lado, fazem com que nosso organismo produza substâncias que favorecem a animação, a disposição e o engajamento em atividades, sejam exercícios físicos ou interações sociais. Tudo isso é essencial para a nossa saúde mental.

Além disso, a ausência do sol atrapalha a fixação da vitamina D, outra substância ligada ao combate de sintomas depressivos.

A luz solar também ativa a produção da dopamina e serotonina (neurotransmissores relacionados à felicidade). Por isso, não deixe de lado as atividades físicas, que também liberam a endorfina.

Beije, abrace e conviva presencialmente

No Brasil, apesar de termos sol na maioria dos dias invernais, entramos na lógica de sair menos de casa quando dá aquela esfriada.

A falta de contato humano e de segurança emocional, a introspecção e a baixa produção de "hormônios da felicidade" colaboram para quadros de tristeza.

É bom lembrar que estar virtualmente com quem participa de nossa vida social não adianta. Esqueça as redes sociais, especialistas frisam que a presença e o contato físico são fundamentais: beijar, abraçar e se sentir parte de uma família ou grupo ajudam a liberar a ocitocina, o chamado 'hormônio do amor'.

Quando pode ser grave?

A depressão é um diagnóstico de causas biológicas e situacionais, de modo que apenas o clima frio não pode ser considerado como causa isolada do transtorno.

Mas esses períodos de longas frentes frias podem agravar o quadro de quem já tem o transtorno —e quem não tem pode apresentar alguns sintomas de uma pessoa deprimida por causa de fatores climáticos.

Em locais onde o inverno é mais rigoroso e os dias mais curtos, algumas pessoas sofrem até da chamada depressão sazonal de inverno —ou transtorno afetivo sazonal—, causada pelo isolamento social e pela falta de luminosidade.

Apenas um profissional pode diagnosticar a depressão, mas alguns dos sintomas são:

  • sentimentos de tristeza
  • inquietação
  • apetite alterado
  • alterações no sono
  • diminuição de energia física
  • problemas de cognição ou concentração
  • incapacidade de sentir prazer

A quantidade dos sintomas que cada paciente pode apresentar varia, mas é importante que eles não tenham a ver com situações específicas que possam trazer esses sentimentos.

Como lidar com a tristeza?

O principal antídoto para não se sentir assim melancólico é a boa e velha atividade física. Em outras palavras: mexa-se!

Saia de casa para resolver as coisas e não fique desmarcando compromissos por causa do frio —isso pode afetar sua autoestima por não se sentir produtivo. Se achar que está muito frio de manhã para ir à academia, tente ir na hora do almoço, por exemplo.

Buscar companhia e não deixar a vida social de lado também ajuda.

"Vamos fazer como os animais fazer no inverno: ficar bem juntinhos para esquentar. Quando os bichos se aglomeram, além de aquecer, eles parecem maiores para os predadores —e no caso dos humanos, o predador é a depressão", diz o professor de medicina comportamental e preventiva da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Ricardo Monezi.

Fontes: Paulo Bloise, psiquiatra do Ambulatório de Crise Psiquiátrica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Ricardo Monezi, especialista em medicina do comportamento e psicobiologia, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Caio Viana, psicólogo da Beneficência Portuguesa de São Paulo; Yuri Busin, psicólogo do Casme (Centro de Atenção à Saúde Mental - Equilíbrio); Wadson Gama, professor de psicologia e desenvolvimento humano do IPOG (Instituto de Pós-graduação e Graduação)

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