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Estudo indica que dieta rica em fibras diminui resistência a antibióticos

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

11/05/2022 12h15

Adultos saudáveis que costumam ingerir uma dieta diversificada, com pelo menos 8 gramas de fibras solúveis por dia, têm menos micróbios resistentes a antibióticos em seus intestinos. Essa foi a conclusão de um estudo publicado no periódico Americam Society for Microbiology no dia 10 de maio de 2022, que contou com a participação de 290 pessoas.

A resistência antimicrobiana nas pessoas é baseada em seu microbioma intestinal, onde os micróbios são conhecidos por carregar estratégias geneticamente codificadas para sobreviver ao contato com antibióticos.

A fibra solúvel, como o próprio nome sugere, se dissolve em água. Esse nutriente pode ser encontrado em alimentos como aveia, feijão, lentilha, ervilha, sementes, nozes, cenoura, frutas vermelhas, brócolis, abóbora, entre outros.

Os micróbios resistentes aos antibióticos são um grande risco para a população que precisa tomar remédios. A resistência antimicrobiana também representa uma fonte significativa de mortalidade em todo o mundo e, segundo os autores deste estudo, ainda não há expectativa de que as coisas melhorem ao longo do tempo.

Neste estudo, os pesquisadores buscaram associações específicas dos níveis de genes de resistência a antibióticos nos micróbios do intestino humano com fibras e proteínas animais em dietas de adultos.

Como foi feito o estudo?

  • Ao todo, 290 pessoas foram selecionadas para participar da pesquisa: 140 homens e 150 mulheres;

  • Elas variavam por idade, gênero e índice de massa corporal. A maioria dos participantes se declarou como branco;

  • Os indivíduos foram divididos de acordo com a soma total dos genes resistentes aos antibióticos;
  • Por fim, os pesquisadores avaliaram as fezes dos participantes e realizaram um sequenciamento metagenômico para chegar aos resultados.

Quais foram os principais achados?

Os dados mostraram que comer regularmente uma dieta com níveis mais altos de fibra e níveis mais baixos de proteína, especialmente de carne bovina e suína, estava significativamente correlacionado com níveis mais baixos de genes de resistência antimicrobiana no intestino.

Aqueles com os níveis mais baixos de genes de resistência antimicrobiana em seus microbiomas intestinais também tinham uma maior abundância de micróbios anaeróbicos estritos, que são bactérias que não prosperam quando o oxigênio está presente e são uma marca registrada de um intestino saudável com baixa inflamação.

"Surpreendentemente, o preditor mais importante de baixos níveis de resistência antimicrobiana, ainda mais do que fibra, foi a diversidade da dieta. Isso sugere que podemos comer diversas fontes de alimentos que tendem a ser mais ricos em fibras solúveis para obter o máximo de benefício. E não estamos falando de uma dieta exótica, mas de uma dieta diversificada" disse Lemay.

Na outra extremidade dos dados, descobriu-se que as pessoas que tinham os níveis mais altos de genes resistentes tinham microbiomas intestinais significativamente menos diversificados em comparação com grupos com níveis baixos e médios de genes resistentes.

"Nossas dietas fornecem alimento para micróbios intestinais. Tudo isso sugere que o que comemos pode ser uma solução para reduzir a resistência antimicrobiana, modificando o microbioma intestinal", explicou Lemay.

Mais estudos são necessários

Esse estudo foi observacional, o que significa que os pesquisadores não forneceram uma dieta específica aos participantes, apenas fizeram observações do que eles já comiam normalmente. Mesmo assim foi um passo importante.

"No final, as intervenções dietéticas podem ser úteis para diminuir a carga da resistência antimicrobiana e podem motivar diretrizes alimentares que considerarão como a nutrição pode reduzir o risco de infecções resistentes a antibióticos", conclui Lemay.