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Covid longa após ômicron: sintomas são mais leves? Tem tratamento?

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo*

11/02/2022 10h43

Com a disseminação da ômicron pelo mundo, um assunto que já era 'embolado' ganhou novos capítulos: a covid longa. O termo é utilizado para se referir a sintomas do coronavírus que permanecem mesmo após um longo período da infecção. A OMS (Organização Mundial de Saúde) chama este fenômeno de síndrome pós-covid.

Alguns médicos só cogitam um diagnóstico desses se já se passaram 12 semanas da infecção e, mesmo assim, a queixa não foi embora. Outros —em maioria— entendem que nem é preciso esperar tanto, porque quatro semanas estariam de bom tamanho.

No Reino Unido, por exemplo, as orientações para os profissionais de saúde descrevem a covid longa como sintomas que continuam por mais de 12 semanas da infecção, e que não podem ser explicados por outra causa. E quais seriam essas queixas?

  • Fadiga, o cansaço extremo;
  • Problemas de memória e concentração ("névoa mental");
  • Tosse;
  • Forte dor de cabeça;
  • Falta de ar, palpitações no coração, dor ou aperto no peito;
  • Alterações no olfato e paladar;
  • Dor nas articulações;
  • Alterações bruscas de humor e depressão.

Sintomas não costumam ser graves

Segundo Max Igor Lopes, coordenador do Ambulatório de Infectologia do HC-FUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Pauo), em entrevista à coluna de Lúcia Helena, são raros os casos em que a covid longa tem manifestações sérias a ponto de exigir uma reabilitação, por exemplo, ou ameaçar sobrecarregar os serviços de saúde.

Mas qualquer um que, por azar, foi contaminado pelo Sars-CoV-2 corre o risco de ficar com um ou outro sintoma persistente como herança, inclusive quem mal percebeu que estava com covid-19. No entanto, todos notam que a tendência de o problema se prolongar é maior naqueles pacientes que tiveram quadros moderados ou graves na fase aguda.

Covid longa da ômicron será mais "branda"?

Ainda não há dados para responder se a ômicron poderia nos poupar um pouco da covid longa, segundo Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

"Essa variante está circulando entre nós há cerca de dois meses apenas. É um intervalo pequeno para saber se ela pode disparar algo", diz.

Casos poderão ser numerosos

"Mesmo que apenas uma parte mínima dos infectados por ômicron acabe desenvolvendo a covid longa, por causa da facilidade com que essa variante é transmitida, ainda assim teremos uma quantidade impressionante de indivíduos com sintomas persistentes", calcula Max Igor Lopes.

Faz sentido. Os estudos com as antecessoras de ômicron apontam que entre 3% e 12% dos infectados ainda sentem, depois de meses, falta de ar no dia a dia, dificuldade de concentração ou outro dos sintomas já mencionados.

Talvez você estranhe, porque entre 3% e 12% há uma boa diferença. "O problema é que cada estudo é de um jeito e usa uma metodologia diferente", explica o infectologista da USP. "Existem pesquisas que só consideram sintomas que estão durando mais de três meses e pesquisas levam em consideração o que é registrado bem antes disso", exemplifica.

E um detalhe reforça a necessidade de cautela: "A pessoa sempre pode se referir a algo que já tinha, mas que só chamou a atenção dela e a do médico depois da covid-19, como uma depressão, quem sabe", comenta o médico. É fato. Nem tudo o que vem depois da covid-19 vem por causa da covid-19.

A vacina pode ajudar?

Sim. Alguns relatórios sugerem que as pessoas que foram vacinadas são menos propensas a ter covid longa. A vacinação pode ajudar a evitar que as pessoas contraiam o vírus antes de tudo e desenvolvam assim covid longa. Também pode ser que impeça que infecções "se transformem" em covid longa, mas isso é menos claro.

Um estudo publicado na The Lancet Infectious Diseases acompanhou mais de 1 milhão de pacientes do Reino Unido entre dezembro de 2020, quando a vacina começou a ser aplicada, e julho do ano passado.

A conclusão foi de que quem tinha se vacinado com duas doses —que então era o esquema de vacinação completo— apresentava menos da metade da probabilidade de desenvolver sintomas persistentes.

Onde procurar ajuda? Existem tratamentos disponíveis?

Com a permanência de sintomas por um período prolongado, principalmente que causem impactos na rotina, é fundamental procurar ajuda médica.

Sobre tratamentos, até o momento, não há nenhum que seja à base de medicamentos comprovados. Portanto, o foco principal está no controle dos sintomas e no aumento gradual da atividade. Estudos sobre a melhor forma de identificar, tratar e melhorar a vida de pessoas com covid longa estão em andamento.

Relembre os sintomas da ômicron

Eles podem aparecer de dois a 12 dias após a exposição ao vírus, tempo que pode variar na ômicron, já que a sua incubação parece ser de três a quatro dias.

  • Febre e calafrios
  • Tosse
  • Dificuldade para respirar
  • Cansaço
  • Dor muscular ou no corpo
  • Dor de cabeça
  • Perda de olfato e paladar
  • Dor de garganta
  • Congestão nasal ou coriza
  • Náusea ou vômito
  • Diarreia

Como aliviar os sintomas da covid-19 provocada pela ômicron?

Para aliviar incômodos leves, como coriza ou dor de garganta, você pode utilizar medicamentos de venda livre como a dipirona ou o paracetamol, descongestionantes (desde que não haja contraindicação específica para esse medicamento), xaropes para controlar a tosse e até antialérgicos, especialmente indicados para quem tem rinite, que pode ser descompensada pela infecção de covid.

*Com informações de reportagens publicadas em 26/01/2022 e 01/02/2022.

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