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Fumar pode ser ainda pior para a saúde de quem já teve covid-19?

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

25/01/2022 04h00

Resumo da notícia

  • O tabagismo irá prejudicar a função pulmonar, que já pode estar afetada por conta da doença
  • Voltar a fumar pode causar uma demora para passar os sintomas de cansaço e tosse que surgem pós-covid
  • Reduzir ao máximo o tabagismo é uma forma de tentar causar menos danos ao pulmão, além, é claro, de tentar parar de vez

Sou fumante e, assim que descobri que estava com covid-19, parei. Agora que a covid passou, gostaria de voltar a fumar, mas tenho medo. O cigarro pode fazer ainda mais mal para quem já teve covid?

Sim. No caso de quem teve os pulmões afetados pela covid-19 —o que só dá para saber por meio de exames—, o tabagismo irá prejudicar ainda mais a função do órgão. Uma das consequências mais graves causada pelo coronavírus é a redução da capacidade pulmonar, mesmo entre aqueles que não chegaram a um estado crítico da doença. O cigarro, então, faria com que durassem ainda mais os sintomas pós-covid de cansaço e tosse.

E mesmo aquelas pessoas que foram diagnosticadas com covid-19 e não tiveram nenhum problema no órgão respiratório precisam de atenção, caso pensem em voltar a fumar. Isso porque, assim como a covid não afeta somente o pulmão, o cigarro também atinge outros órgãos, como o sistema cardiovascular (vasos sanguíneos que estão em todos os órgãos e coração), o sistema digestivo (esôfago, pâncreas), a bexiga, os rins, entre outros.

Mesmo com a doença viral curada, o fumo pode também exacerbar doenças de base pré-existentes, como asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), que pode ser uma enfisema pulmonar, por exemplo. Além disso, o cigarro afeta o sistema imunológico (que já pode estar prejudicado pela covid-19) e pode fazer com que você fique ainda mais susceptível a novas infecções, sejam elas virais, bacterianas ou fúngicas.

Mas, se mesmo assim, você quiser seguir com o cigarro, o ideal é conversar com seu médico para entender como evitar e minimizar futuras complicações. Reduzir ao máximo a quantidade de cigarros fumados no dia é outro fator importante neste momento. Esta é uma tentativa de causar menos danos ao pulmão.

Se você está com receio de voltar a fumar, o ideal é procurar um pneumologista para orientá-lo sobre as técnicas de interrupção do tabagismo. E caso seja indicado, iniciar um tratamento medicamentoso para o fim do vício. A escolha no final, claro, será sempre sua.

Fontes: Andrei Cordeiro, chefe da pneumologia do Hospital Santa Paula, em São Paulo, Arthur Feltrin, médico pneumologista e especialista em doenças respiratórias, tabagismo, sono e medicina integrativa; Lúcia Sales, pneumologista do HUJBB (Hospital Universitário João de Barros Barreto), da UFPA (Universidade Federal do Pará), que faz parte da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Ricardo Meirelles, pneumologista responsável pela Clínica de Cessação do Tabagismo do Américas Oncologia, no Rio de Janeiro.

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