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Cérebro de avós: estudo mostra que elas sentem forte empatia pelos netos

Se a neta está sorrindo, as avós estão sentindo a alegria da criança, segundo estudo - iStock
Se a neta está sorrindo, as avós estão sentindo a alegria da criança, segundo estudo Imagem: iStock

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

21/11/2021 16h55

Algumas pessoas têm a sorte de crescer ao lado dos avós, criando um vínculo especial ao longo da vida. Um estudo conduzido por pesquisadores da Emory University, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B em 16 de novembro deste ano, mostrou que as avós sentem uma forte empatia pelos netos.

De acordo com o principal autor do estudo, James Rilling, após mapeamento cerebral, eles descobriram que as avós são orientadas a sentir o que seus netos estão sentindo quando interagem com eles. "Se o neto está sorrindo, elas estão sentindo a alegria da criança. E se o neto está chorando, elas estão sentindo a dor e a angústia da criança", disse, em comunicado.

E esse é o exato significado da palavra "empatia": a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente e de querer o que ela quer.

Por outro lado, a pesquisa também descobriu que quando as avós veem fotos dos filhos já adultos, uma outra área do cérebro foi ativada, a da empatia cognitiva. Isso significa que eles podem estar tentando compreender o que seu filho adulto está pensando ou sentindo, mas não tanto pelo lado emocional.

Como o estudo foi realizado

  • O objetivo dos pesquisadores era entender os cérebros de avós saudáveis e como isso pode se relacionar com os benefícios que proporcionam às suas famílias.
  • Participaram do estudo 50 avós, que deviam responder questionários sobre suas experiências, fornecendo detalhes como: quanto tempo passam com os netos (com idade entre 3 e 12 anos), as atividades que realizam juntos e quanto carinho sentem por eles.
  • Eles também foram submetidos ao exame de ressonância magnética para medir a função cerebral enquanto viam fotos de seus netos, uma criança desconhecida, o pai do mesmo sexo do neto e um adulto desconhecido.

Quais foram os resultados

Os resultados mostraram que, ao ver fotos de seus netos, a maioria dos participantes mostrou mais atividade nas áreas do cérebro envolvidas com empatia emocional e movimento, em comparação com quando estavam vendo as outras imagens.

As avós que ativaram com mais força as áreas envolvidas com a empatia cognitiva ao visualizar fotos do neto relataram no questionário que desejavam maior envolvimento nos cuidados com o neto.

avó e neta - iStock - iStock
Imagem: iStock

Por fim, em comparação com os resultados de um estudo anterior envolvendo pais visualizando fotos de seus filhos, as avós ativaram mais fortemente as regiões envolvidas com empatia emocional e motivação, em média, ao visualizar imagens de seus netos.

"Nossos resultados aumentam a evidência de que parece haver um sistema global de cuidado parental no cérebro, e que as respostas das avós aos netos são mapeadas nele", disse o autor do estudo.

Uma limitação do estudo, observam os pesquisadores, é que os participantes preferiram mulheres mental e fisicamente saudáveis que são avós de alto desempenho.

Por que este estudo é importante

Segundo os autores, o artigo abre a porta para muitas outras questões a serem exploradas. Até porque é raro que os cientistas estudem o cérebro humano mais velho fora dos problemas de demência ou outros distúrbios do envelhecimento.

Os pesquisadores afirmaram que, neste estudo, as funções cerebrais das avós mostram um importante papel em nossa vida social e de desenvolvimento: "É um aspecto importante da experiência humana que foi amplamente deixado de fora do campo da neurociência", disse Minwoo Lee, outro autor do estudo.

E em sociedades mais modernas, estão se acumulando evidências de que avós positivamente engajadas estão associadas a crianças com melhores resultados em uma série de medidas, incluindo saúde acadêmica, social, comportamental e física.

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