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Vacinada, Tereza Cristina tem covid; isso não mostra que imunização falhou

Adriano Machado
Imagem: Adriano Machado

Do VivaBem, em São Paulo

24/09/2021 11h01

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, informou nesta sexta-feira (24) que foi infectada pelo coronavírus. Ao contrário de Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, que também foi diagnosticado com a doença nos últimos dias, Cristina não estava na comitiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em Nova York.

Nas redes sociais, algumas pessoas começaram a questionar a eficácia da vacina, já que Tereza Cristina está imunizada e pegou covid-19, enquanto, Bolsonaro, por exemplo, que não tomou a vacina e estava na companhia de Queiroga, não. Mas a ministra ter pegado covid-19 não significa que a vacina não funciona e o fato de ele não apresentar sintomas mostra que a vacinação está cumprindo seu papel. "As imunizações contra a covid-19 não evitam que a pessoa contraia o coronavírus, mas, sim, reduzem o risco de o indivíduo desenvolver casos graves de covid, que exigem hospitalização e causam mortes", explica Gustavo Cabral, imunologista PhD pela USP (Universidade de São Paulo) em sua coluna no VivaBem.

Tereza Cristina já recebeu as duas doses da vacina contra a covid-19, mas, com o vírus circulando, assim como quem não recebeu nenhuma dose, há risco de ser infectado. A diferença está em como o organismo de alguém como ele, já imunizado, é atingido pela doença. Repetimos: muitos não desenvolvem sintomas —como o próprio ministro— e ficam protegidos de evoluções graves. Um estudo da Info Tracker, plataforma de monitoramento da pandemia da USP (Universidade de São Paulo) e da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mostra que pessoas completamente vacinadas representaram somente 3,68% das mortes por covid-19 que ocorreram no Brasil entre 28 de fevereiro e 27 de julho.

Por isso, explica o imunologista, não faz sentido culpar a vacina ou levantar a suspeita de que ela não funciona quando alguém completamente imunizado é infectado pelo coronavírus, como aconteceu com Queiroga. A vacinação é a principal arma para nos proteger das formas graves da covid-19, mas não dispensa outros cuidados, como evitar aglomerações, utilizar máscara (principalmente a PFF2), preferir ambientes ventilados e higienizar as mãos.

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