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Saliva pode ficar ácida demais e gerar problemas; veja causas e o que fazer

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

16/08/2021 04h00

Você sabe qual é a função da saliva? Produzida por glândulas localizadas perto da orelha e da garganta e sob língua e mandíbula, essa solução viscosa e composta 99% por água, além de enzimas digestivas e um pouquinho de sais minerais, como cálcio, potássio e sódio, lubrifica toda a cavidade bucal, controla a proliferação de bactérias e microrganismos e ainda ajuda a digerir os alimentos e criar um bolo pastoso, facilitando a deglutição.

Mas essas funções, para que sejam bem desempenhadas, também dependem do equilíbrio do pH (potencial de hidrogênio) da saliva. Do contrário, o líquido fica ácido (com pH abaixo de 4,5, sendo o saudável entre 6,8 e 7,2, ou seja, nem ácido nem básico) e acarreta problemas.

"A acidez da saliva geralmente é temporária, varia ao longo do dia, e pode estar relacionada com o consumo de alimentos como limão, vinagre, frutas cítricas, medicamentos e refluxo gastroesofágico, pois o conteúdo estomacal vai para a boca e se mistura com a saliva", explica Alexandre Sakano, gastroenterologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Outras causas incluem boca seca (xerostomia) e que pode ter relação com uma má hidratação, bulimia (o distúrbio induz a eliminação do vômito com o ácido clorídrico do estômago) e má higienização bucal, pois quando os dentes estão sujos é maior a propensão para a acidez.

Efeitos na boca

câncer de boca, mulher mostrando a língua - iStock - iStock
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A maior consequência negativa da acidez diz respeito aos dentes, porque com o pH muito baixo, as bactérias se multiplicam, fermentam os resíduos alimentares (especialmente de carboidratos e açúcares) e disparam a produção de ácido lático. Esse ácido, além de alterar o pH, reage com o esmalte dos dentes, deixando-o suscetível à desmineralização e, aos poucos, como resultado surgem pequenas erosões.

Em casos graves, sem higienização correta e acompanhamento do dentista, a estrutura do esmalte pode ficar tão danificada que atinge o tecido que cobre o corpo do dente (dentina). A corrosão afeta ainda a raiz, provocando sensibilidade dentária, e predispõe a cáries.

"Havendo por trás um refluxo gastroesofágico, a saúde bucal também pode ficar prejudicada", afirma Priscila Prosini, especialista em ortodontia pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Pacientes com refluxo, assim como quem consome em excesso refrigerantes e frutas cítricas, estão sujeitos a apresentar úlcera aftosa e úlcera oral, as aftas. O suco gástrico é prejudicial aos dentes e pode deixar a boca seca, com gosto amargo e mau hálito.

A saliva, quando alterada, também apresenta algumas alterações perceptíveis, como textura mais viscosa e cor esbranquiçada, com formação até de fios e espuma nos cantos da boca ao ser movimentada.

E em outras mucosas e na pele?

Fora da boca, o maior risco que a saliva pode oferecer é o de transportar vírus e bactérias que causam infecções. Mas para além dos agentes nocivos, o líquido em si também não deve ser usado para lubrificar olhos ou lentes de contato.

"Muita gente faz isso e apesar de a saliva ter uma composição parecida com a de lágrima, sendo que até realizamos transplantes de glândulas salivares na região da conjuntiva para melhorar a lubrificação de quem tem olho seco severo, ela pode irritar. Sem falar do risco de provocar conjuntivites e infecções na córnea, as ceratites", explica Leonardo Marculino, oftalmologista do Hospital Cema (SP).

Baba de bebê, saliva - iStock - iStock
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Em contato com as mucosas íntimas, Alex Meller, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e urologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, acredita não haver grandes prejuízos.

"Sobre acidez, não há nada na literatura científica que fale de piorar ou provocar alguma coisa nessas mucosas, mas na saliva há enzimas que contém componentes ácidos e isso talvez possa irritar, mas aí caso a pessoa faça sexo oral por tempo prolongado e depois não faça uma higienização correta, deixando o local 'assado', mas é muito raro", avalia.

Quanto à pele, as mais sensíveis podem reagir com a saliva e apresentar dermatite, sobretudo ao redor da boca, no queixo e pescoço. Os sinais incluem coceira, vermelhidão e, às vezes, descamação.

Nos bebês, a irritação tem a ver com o acúmulo de baba entre chupeta e pele, mas também está relacionada com a saliva que escorre em excesso durante a fase da dentição. Em adultos, irritações por produção anormal de saliva decorrem de alterações no controle dos músculos da face e da língua, estresse e problemas respiratórios ou neurológicos, por exemplo.

Tem como desacidificar a saliva?

Reequilibrar o pH da boca para melhorar o fluxo e a qualidade da saliva depende sobretudo de se aumentar a ingestão de água (a indicação é uma média de 30 ml por quilo) várias vezes ao dia e manter uma higienização bucal adequada (com escovação e uso de fio dental) após cada refeição.

Também é necessário passar por consultas regulares com um dentista, ainda mais notando a boca seca, aparição de aftas com frequência, dores nos dentes e placa bacteriana.

Diminuir o consumo de alimentos muito ácidos, como os anteriormente citados, também ajuda a composição e o pH da saliva, deixando-a mais alcalina. A redução pode ser estendida ainda para o "mascar chicletes", pois embora a mastigação estimule a liberação de saliva e ajude a controlar o pH bucal, em excesso o estímulo pode desencadear problemas gástricos.

Por falar neles, quando o problema da acidez é decorrente de azia e refluxo, é importante que sejam tratados antes dos prejuízos bucais decorrentes.

Em se tratando de irritações na pele não necessariamente relacionadas à acidez da saliva, mas a seu contato prolongado ou produção excessiva (sialorreia), bebês devem usar babador e evitar chupetas e o consumo de sucos cítricos. Adultos que sofrem de sialorreia devem procurar um otorrinolaringologista.

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