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Aprenda o que fazer em casos de acidentes comuns com crianças

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Bruna Alves

De VivaBem, em São Paulo

17/09/2020 04h00

Você vai cair. Não coloca isso na boca. Sai daí. Você vai se machucar.

Quem tem filho pequeno, ou mesmo de vez em quando tem que tomar conta de uma criança, com certeza se identifica com alguma dessas frases, ou talvez com todas. Em um piscar de olhos as crianças podem se machucar ou até mesmo sofrer graves acidentes.

Algumas atitudes são realmente perigosas e podem até colocar a vida dos pequenos em risco. VivaBem selecionou os acidentes domésticos infantis mais comuns para explicar o que fazer.

"Meu filho engoliu uma substância tóxica (cloro, detergente, álcool)"

Criança mexendo na cozinha - iStock - iStock
Criança mexendo com produtos de limpeza
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Nesses casos, não há opção, a recomendação é que a criança seja levada imediatamente para o pronto-socorro mais próximo. E não induza o vômito em casa, pois algumas substâncias podem queimar ainda mais a boca e o esôfago, além de a criança correr o risco de se engasgar com o próprio vômito.

Não dê nenhum tipo de alimento sólido ou líquido até avaliação médica, e não se esqueça de levar o rótulo ou a embalagem do produto que a criança ingeriu para ser avaliado pelo especialista. O mesmo vale para medicamentos.

Fique atento a odores característicos de produtos químicos, pois nem sempre os adultos veem quando os pequenos tomam alguma coisa.

A criança derrubou um produto tóxico no corpo ou nos olhos

Criança lavando os olhos - iStock - iStock
Criança lavando
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A primeira coisa a se fazer é lavar a parte do corpo atingido com água corrente e abundante por vários minutos, deixando a água eliminar o máximo que puder da substância. Não use nenhum tipo de sabão, porque ele pode irritar ainda mais a área afetada.

Se o produto atingir os olhos, a recomendação é a mesma: lave-os com água abundantemente ou com soro fisiológico e, em seguida, leve a criança para uma avaliação médica.

E em casos de queimadura, o que devo fazer?

Criança prestes a se queimar no fogão - iStock - iStock
Criança mexendo em panela no fogão
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É importante ressaltar primeiro o que não fazer: não fure nenhuma bolha e não passe nenhuma substância como pasta de dente, café ou gelo. Também não é recomendado nenhum tipo de pomada no local em casos graves sem prescrição médica.

Se não for uma queimadura tão grave, tire a roupa da área queimada e se estiver grudada coloque a criança embaixo da água fresca para ajudar a soltar sem piorar a lesão, mas se não sair, apenas corte o tecido ao redor da ferida.

Também tire qualquer objeto da área atingida como cordão, pulseira ou anel, logo após o acidente. Depois, continue lavando com água fria e cubra com um pano limpo e umedecido. Em seguida, leve a criança para o hospital. Lembre-se: se for uma queimadura grave não faça nada em casa e leve a criança imediatamente ao pronto-socorro.

Entretanto, se for uma queimadura de primeiro grau, ou seja, que atingiu apenas a camada superficial da pele e não tem bolha, em três dias a lesão tende a se curar sozinha. Neste caso, a ida ao hospital não é necessária.

Engoliu moeda, brinquedo ou qualquer outro objeto. E agora?

Não provoque vômitos. Esse método não é recomendado, pois a criança pode aspirar o vômito, engasgar e não conseguir respirar. Nesse tipo de acidente, primeiro verifique se a criança continua respirando normalmente. Se estiver, os pais devem levá-la para um atendimento médico. No entanto, se ela estiver respirando com dificuldade leve-a imediatamente ao hospital.

Se a criança parou de respirar e não consegue falar ou chorar, trata-se de um caso grave de obstrução da via respiratória, que é uma emergência em que os próprios pais ou quem estiver com a criança terão que agir rapidamente.

"Quando a criança tem mais de um a dois anos, a manobra de Heimlich é a mais indicada. A gente abraça a criança pelas costas, e dá um aperto súbito por baixo das costelas que os braços estão, deslocando a via aérea para cima. E daí, provavelmente, o objeto vai ser expelido nessa manobra", ensina Fernanda Minafra, professora do departamento de pediatria da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Em menores de um ano a manobra é diferente: "Deve-se apoiar a criança na nossa perna e colocar a cabecinha um pouco mais para baixo da altura da perna, com a barriga virada para baixo e fazer cinco precursões nas costas da criança. E daí, logo em seguida, vire a criança e a coloque de frente e faça cinco compressões no externo, que é esse osso da frente do tórax. E vai alternando isso até que a criança reaja", completa Minafra.

Segundo os especialistas, é muito comum as crianças engolirem objetos estranhos sem que os pais percebam e a única forma de saber o que houve é a manifestação dos sintomas que, geralmente, são salivação excessiva ou com sangue, tosse, febre, recusa alimentar, irritabilidade, vômitos e por aí vai.

Nesses casos, a criança deve ser levada ao hospital para que o objeto seja identificado e os médicos definam qual melhor procedimento. "Baterias e pilhas têm substâncias corrosivas e podem ser altamente lesivas para o organismo de uma criança. Então tem que procurar um atendimento", alerta a professora da UFMG.

Caiu de cabeça em um balde com água e se afogou. E agora?

Os especialistas consultados por VivaBem explicam que os afogamentos infantis são comuns em todas as faixas etárias. Retire-o imediatamente da água e coloque-o deitado em uma posição lateral esquerda, de modo que a cabeça e o tronco fiquem na mesma linha. A criança deve ficar de costas para você, e sempre de lado. Essa posição evita o engasgamento.

Em seguida, avalie se a criança está respirando, enxergando ou sentindo alguma coisa. A partir daí, se a resposta for positiva, leve-a para um atendimento médico. Se ela não estiver respirando, é necessário começar a ventilação imediatamente, até o resgate chegar, a famosa respiração boca a boca.

Inicie fazendo 5 ventilações de salvamento da seguinte forma:

  • Coloque a criança de barriga para cima;
  • Encoste sua boca na dela e inspire o ar pelo nariz, normalmente, sem estender seu tórax em uma fração de 5 segundos;
  • Tampe a ponta do nariz da vítima;
  • Em seguida sopre o ar dentro da boca da vítima. Lembrando que essa técnica dura de 1 a 2 segundos, no máximo, fazendo o peito se elevar;
  • Após executar as 5 ventilações, faça avaliação dos sinais vitais e verifique a presença dos batimentos cardíacos.

Se a criança ainda assim não responder:

  • Realize 30 compressões torácicas e 2 ventilações, devendo ter um afundamento de 3 cm na linha intermediária dos mamilos, posicionando a palma de uma das mãos no centro;
  • Continue o procedimento até completar 5 ciclos. E não esqueça que cada ciclo corresponde a 30 compressões e 2 boca a boca.

Por fim, só pare quando a criança voltar a ter sinais de vida ou quando o socorro chegar.

A dica para quem tem crianças menores é ficar atento a vasos sanitários, tanques, piscinas e não deixar baldes com água ao alcance das crianças. Pode parecer incomum, mas há muitos casos de afogamento com apenas 5 cm de água.

Meu filho caiu e bateu a cabeça. O que fazer?

Criança caiu   - iStock - iStock
Criança caindo de escada
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"Os pais devem manter a criança imobilizada, deitada, com a menor movimentação possível, especialmente da cabeça e do pescoço. Devem conversar com a criança tentando mantê-la calma e acordada até a chegada da ambulância", explica Camila Carbone Prado, pediatra, especialista em toxicologia do Ciatox (Centro de Informação e Assistência em Toxicologia) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Se for um tombo simples, desses que acontecem a todo o momento e que causam apenas escoriações, não é necessário ir ao hospital.

Fontes: Thallys Ramalho, coordenador da UTI pediátrica do Hospital Santa Helena; Daniel Rodrigues, pediatra plantonista do Hospital Santa Helena da Rede D'Or São Luiz; Fernanda Minafra, professora do departamento de pediatria da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais); Camila Carbone Prado, pediatra, especialista em toxicologia médica do Ciatox (Centro de Informação e Assistência em Toxicologia) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); e Andressa Tannure, membro da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e especialista em suporte de vida em pediatria pelo Instituto Sírio-Libanês e pelo HCOR e CBMMT (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso).

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