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Geriatra lista cinco dicas de como prevenir perda de memória na velhice

Do VivaBem, em São Paulo

07/08/2020 15h00

No Conexão VivaBem desta sexta-feira (7), a médica geriatra e professora Claudia Suemoto listou cinco atitudes que podem ajudar na prevenção da perda de memória na velhice.

Segundo ela, o risco de ter demência aumenta exponencialmente a partir dos 65 anos. Mas isso não necessariamente significa que desenvolver a doença é uma regra. "Existem pessoas que morreram com 90 anos e tinham um cérebro quase sem nenhuma lesão". Isso mostra que o envelhecimento é muito heterogêneo e que a maneira como se vive impacta esse futuro.

"Não adianta a gente achar que, por estar bem hoje, aos 40 anos, vamos ficar assim para sempre. Se eu não fizer exercício e comer de qualquer jeito, engordar etc haverá um impacto no meu cérebro aos 70 ou 80 anos. As pessoas envelhecem de formas muito diferentes, porque elas vivem de forma muito diferentes", disse ela. Veja a seguir as dicas da médica para garantir um cérebro saudável durante a vida.

1. Estude

O investimento em educação, principalmente por parte do governo, é essencial para garantir uma mente saudável e funcional por mais tempo. "Quanto mais a gente estudar, mais reserva cognitiva a gente vai ter para tudo, linguagem, memória, tudo", disse Suemoto.

De acordo com ela, países como o Brasil estão em risco para a demência. Cerca de 52% das pessoas com demência já vivem em países em desenvolvimento. A geriatra disse que a expectativa para 2050 é que esse número seja de 70%. "Uma população que tem pouco estudo está mais em risco para a demência", disse.

"Nossas pesquisas mostram que no Brasil as pessoas têm, em média, só quatro anos de escolaridade. Nos Estados Unidos, a média é de 12 anos e na Europa é de 16. Então, como a gente tem menos reserva cognitiva, qualquer lesãozinha no cérebro gera sintoma". Ela faz uma analogia financeira: "Se você tem pouca poupança, qualquer lesão ou problema já leva você à falência".

2. Cuide do coração

Suemoto disse que os fatores de risco para doenças cardiovasculares são os mesmos para o cérebro. Um pesquisa feita no Brasil mostrou que no país a principal causa de demência o Alzheimer, mas em segundo lugar está a causa vascular. "São derrames, sejam pequenos ou grandes, que levam à perda da memória. E talvez por isso que é tão importante cuidar da pressão alta, do diabetes, colesterol".

Segundo ela, é preciso um incentivo público, mas o cuidado individual também é importante. "Esses problemas cardiovasculares devem ser diagnosticados cedo e tratados agressivamente, quando a gente ainda está entre os 30 e 50 anos de idade".

3. Estimule o cérebro

Manter uma atividade que seja cognitivamente estimulante é essencial. "São importantes trabalhos mais complexos do ponto de vista cognitivo, porque eles vão aumentar a reserva cognitiva, mesmo quando a gente tiver mais idade", disse a médica. Vale aprender a mexer em equipamentos tecnológicos na terceira idade, aprender uma nova língua, um novo instrumento ou uma nova habilidade, como cantar.

4. Pratique atividade física

Os exercícios físicos têm um impacto no físico do cérebro. "Tem trabalhos lindíssimos com ressonância magnética mostrando que uma pessoa sedentária, quando entra em um programa de atividade física, tem aumento do hipocampo, região do cérebro responsável pela memória", disse Suemoto. O surpreendente é que esses estudos foram feitos com indivíduos adultos, e não crianças ou adolescentes.

5. Alimente-se bem

A geriatra ainda lembrou de estudos feitos com dietas e que revelaram o impacto da alimentação nas reservas cognitivas do cérebro. "Tem a ideia de que a dieta do Mediterrâneo é legal para o cérebro, por exemplo, e ela é repleta de castanhas, azeite, frutas, vegetais e peixes".