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Nany People: "Quando você faz o que gosta, esse medo dos 50 não acontece"

Do VivaBem, em São Paulo

11/09/2020 10h30

No Conexão VivaBem desta sexta-feira (11), Nany People disse que o medo que muitos têm de envelhecer se esvai quando se faz o que gosta. Segundo ela, no Brasil a juventude é cultuada, então os anos seguintes podem ser assustadores. Mas manter a felicidade no que se faz tira esse peso do desconhecido.

"Quando a pessoa envelhece fazendo o que gosta, a maturidade não vai ser um tributo a pagar, mas um tributo a se deliciar. Se você fez o que gosta na sua vida, se trabalhou no que você gosta, você tem uma certa felicidade de exercer aquilo ainda, não carrega aquele peso que os 40 ou 50 vão dando, de amargar a frustração dos 20", disse.

A atriz e humorista contou que, no caso dela, o teatro ocupa esse espaço, por isso fez dele sua carreira. Aos 55, ela disse que continua vivendo cada estreia, cada evento como se fosse o primeiro.

"Quando você faz o que gosta, esse peso, esse medo que dá nos 40, 50 anos não acontece. Eu fui a única da minha turma que não amarelou nessa idade", disse. People ainda revelou que só sai com mais jovens, porque não tem paciência para os mais velhos "reclamões". "Se Madonna pegou Jesus, vou nos querubins. Não tenho paciência com gente contida na vida, que chega no restaurante e começa a por defeito no cardápio".

Envelhecer no Brasil dá medo

O médico gerontólogo Alexandre Kalache disse que o Brasil realmente é um país que cultua a juventude eterna e que ninguém quer ficar velho. "As pessoas têm medo de envelhecer, porque vão perder aquele vigor, não pode ficar com ruga, não pode ter cabelo branco".

Kalache comentou que, por um lado, envelhecer pode, então, ser libertador, já que o desconhecido amedrontador se torna presente. "Nós, que já envelhecemos, estamos liberados, a gente envelheceu, a gente conseguiu, é uma grande conquista. Envelhecer é bom, gente, morrer cedo é que não presta", disse.

Entretanto, ficar mais velho no Brasil tem suas desvantagens e pode, sim, ser assustador por outros motivos. "Em um país tão desigual, onde as pessoas estão sofrendo, não têm comida na prateleira, onde você não sabe se vai ter proteção na velhice, isso dói, dá medo". Segundo ele, o país segue uma curva diferente de outros que também têm uma população que está envelhecendo. "Os países desenvolvidos que já envelheceram, primeiro enriqueceram para depois envelhecer. Nós estamos envelhecendo em pobreza e desigualdade. Isso é que dá medo".