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Estudo que indicava hidroxicloroquina para tratar covid-19 é retirado do ar

Novas evidências mostram que a hidroxicloroquina não eficaz contra o coronavírus e aumenta o risco de morte de pacientes com covid-19 - Brasil2/iStock
Novas evidências mostram que a hidroxicloroquina não eficaz contra o coronavírus e aumenta o risco de morte de pacientes com covid-19 Imagem: Brasil2/iStock

Do VivaBem, em São Paulo

24/05/2020 11h56

Os pesquisadores do Hopital Raymond Poincare, na França, solicitaram que fosse retirada do ar a pré-publicação de um estudo que fizeram e apontava que o tratamento com hidroxicloroquina e azitromicina é eficaz para reduzir o número de mortes por covid-19. O artigo estava sendo usado por defensores do medicamento para rebater as novas pesquisas que mostram que a droga não funciona.

A equipe liderada pelo médico francês Benjamin Davido foi uma das primeiras a defender o uso do medicamento para combater o novo coronavírus. No entanto, o trabalho científico francês foi criticado pelo pequeno número de pacientes avaliados (cerca de 30), por não ter sido aceito em periódico científico nem certificado pela revisão de pares —ou seja, não foi avaliado por outros cientistas e, portanto, não deve ser usado para orientar a prática clínica.

O resumo da pré-publicação do estudo foi substituído pelo texto (em tradução livre):

"Os autores retiraram este manuscrito e não desejam que ele seja citado. Devido à controvérsia sobre a hidroxicloroquina e à natureza retrospectiva de seu estudo, os cientistas pretendem revisar o manuscrito após a revisão por pares."

A decisão dos cientistas franceses veio após o maior estudo feito com a hidroxicloroquina até o momento comprovar que o medicamento não é eficaz para tratar a covid-19 e ainda aumenta o risco de morte em pacientes infectados com coronavírus.

Publicado no último dia 22 na conceituada revista médica The Lancet, o estudo avaliou mais de 96 mil pacientes. Desses, 14.888 receberam hidroxicloroquina ou cloroquina (com ou sem antibiótico) e 81.144 pessoas não passaram por nenhum dos tratamentos. A conclusão foi que o uso desses dois medicamentos não combateu o coronavírus e aumentou o risco de morte por problemas cardíacos.

Os autores concluíram que essas drogas não devem ser utilizadas para tratar a covid-19 fora dos ensaios clínicos até que os resultados deles estejam disponíveis para confirmar a segurança e a eficácia para pacientes com a infecção.

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