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Vitamina K não é anticoagulante natural; veja perigos do excesso

Suplementação de vitamina K sem orientação médica traz riscos à saúde - iStock
Suplementação de vitamina K sem orientação médica traz riscos à saúde Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

01/05/2020 15h18

Importante para a saúde cardiovascular e dos ossos, a vitamina K é um nutriente lipossolúvel também conhecido por atuar diretamente no processo de coagulação sanguínea do corpo. "Ela é fundamental para a síntese hepática de proteínas envolvidas no processo de coagulação, como a protrombina e os fatores de coagulação", diz Marcella Garcez Duarte, médica nutróloga e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).

Ou seja, diferente do que vem sendo compartilhado em algumas fake news, o nutriente não é um anticoagulante natural; ao contrário, já que sua ação favorece a coagulação sanguínea no corpo.

O assunto passou a ser buscado na internet com mais intensidade depois que médicos de todo o mundo relataram um aumento nos casos de coágulos sanguíneos em pacientes que desenvolveram a forma mais grave da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Por isso, alguns estudos preliminares já começaram a ser feitos sobre a utilização de anticoagulantes para tratar esses pacientes — um deles, inclusive, está sendo realizado no Brasil no Hospital Sírio-Libanês.

"Além de não agir dessa forma [como anticoagulante] nem prevenir a doença, a ingestão de vitamina K sem orientação e supervisão médica pode colocar a saúde em risco ao alterar o processo de coagulação", alerta Cristiane Hanashiro, nutricionista da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Benefícios

Além de ser importante para regular a coagulação sanguínea, a vitamina K também auxilia no processo de fixação do cálcio nos ossos, além de impedir a calcificação dos vasos sanguíneos, protegendo o sistema cardiovascular.

A principal fonte do nutriente são os vegetais verdes, como alface, couve, brócolis e aspargos, e ainda alimentos de origem animal, como leite e fígado. Há ainda um subtipo (K3) que é a versão sintética da vitamina.

De acordo com Duarte, uma alimentação balanceada já é suficiente para suprir as necessidades do corpo. A deficiência é rara, mas, quando acontece, o principal indicativo são sangramentos e até hemorragias.

Cuidado com a suplementação

Como a vitamina K é absorvida pelo intestino, qualquer doença envolvendo o sistema gastrointestinal pode prejudicar sua retenção. Recém-nascidos também podem apresentar uma deficiência de vitamina K ao nascer; por isso, para prevenir hemorragias, o Ministério da Saúde recomenda uma injeção intramuscular da substância na criança logo após o parto.

Em qualquer das situações, vale reforçar que a deficiência ou necessidade de suplementação só pode ser diagnosticada por um especialista — especialmente em quadros graves. "A aplicação da vitamina pode ser usada em pacientes com hemorragia ou como preventivo antes de cirurgias extensas em quem tende a sangrar mais", afirma Hanashiro. "No entanto, isso depende de uma avaliação médica criteriosa", diz.

Isso porque, em excesso, a ingestão de vitamina K pode aumentar o risco de coágulos e trombose, além da perda de função hepática. "O mais indicado é que a suplementação e aplicação, se e quando necessária, seja feita apenas com orientação e supervisão médica", diz Duarte. Segundo a especialista, dificilmente é possível ingerir vitamina K em excesso apenas com a alimentação.

* com informações de reportagem publicada em 26/09/2019.

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