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Ações solidárias se multiplicam durante pandemia do novo coronavírus

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Imagem: iStock

Tiago Varella

Da Agência Einstein

07/04/2020 11h36

Neste momento de combate ao novo coronavírus, a solidariedade se tornou uma das principais armas contra a pandemia. Muitos voluntários têm se mobilizado para ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social, idosos —mais suscetíveis à covid-19— e quem precisa de apoio psicológico.

Distribuição de alimentos, doação de produtos de higiene pessoal e consultas gratuitas são algumas das ações solidárias que se espalham pelo país. São cidadãos e instituições se unindo para enfrentar e superar uma das maiores crises de saúde pública do mundo.

De acordo com Cris Fernández Andrada, professora do departamento de psicologia social da PUC-SP, a principal motivação das iniciativas solidárias está relacionada ao reconhecimento da dor do outro.

"Seres humanos são seres coletivos que se identificam com a mesma condição diante de crises agudas que ameacem nossa existência", explica a especialista.

Foi exatamente com esse sentimento de identificação que Talal Al-tinawi, engenheiro mecânico que atualmente vende comida síria, resolveu distribuir 300 marmitas para idosos da capital paulista.

A ideia é oferecer uma opção para que os mais velhos continuem em casa, sem correr risco de contaminação pelo coronavírus. Em 2013, no ápice da guerra civil na Síria, Talal buscou refúgio no Brasil.

"Meu país já passou por quarentena e sei como é difícil. Além disso, os brasileiros me ajudaram muito para que eu me adaptasse ao Brasil, então acho que essa minha atitude é uma forma de contribuir e agradecer ao povo que me ajudou", afirma Talal.

Os idosos também são foco de atenção em um condomínio residencial no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. A administração disponibilizou na portaria uma lista com nomes e contatos de voluntários para serem acionados por pessoas do grupo de risco quando precisarem fazer algum serviço na rua.

Por ter mãe e avó idosas, Silvia Vilhena, professora de inglês, teve empatia e se propôs a ajudar, fazendo compras de mercado e buscando remédios para idosos do edifício para que eles sigam a quarentena.

Já outro grupo também vulnerável ao coronavírus é o da população em situação de rua, que sofre com fome e ausência de opções para manter a higiene.

"Com a chegada da pandemia, muitos pararam de doar comida e o número de moradores de rua que atendemos aumentou", explica o frei João Paulo de Moraes, integrante do Sefras (Serviço Franciscana de Solidariedade).

"Ampliamos o serviço de emergência durante a crise, abrindo nossos espaços em São Paulo para arrecadar alimentos e produtos de higiene para distribuir a essas pessoas e às famílias carentes."

Diante dos efeitos do coronavírus e do confinamento, muitas pessoas acabam ficando angustiadas e ansiosas. Para ajudar no controle emocional, a psicanalista Luiza Canato, de Santos, cidade do litoral paulista, decidiu, com o apoio de dois colegas de profissão, oferecer atendimento psicológico gratuito por telefone ou chamada de vídeo.

Juntos, os três disponibilizam cerca de dez consultas por dia, de segunda a sábado, para quem busca superar o medo da covid-19 e o impacto de não poder sair e interagir fisicamente com as pessoas. A procura pelo serviço vem de todo o Brasil, principalmente de jovens do sexo masculino.

São em momentos de ruptura, portanto, que surgem as ações solidárias como um mecanismo de minimizar os danos diante da fragilidade humana e de se reconhecer no lugar do outro.

"As iniciativas de solidariedade nos fazem sentir mais potentes no plano coletivo, ampliam nossa resistência e nos mostram que somos iguais e estamos juntos", finaliza Cris Fernández Andrada.

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