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Para Karnal, isolamento durante pandemia pode virar situação confortável

De VivaBem

06/04/2020 13h50

O isolamento social adotado no combate à pandemia do novo coronavírus pode mudar hábitos e mudar a relação do ser humano consigo. É o que afirmou Leandro Karnal, historiador e professor do Instituto de Filosofia da Unicamp, na edição de hoje do UOL Debate.

O programa de hoje se propôs a debater a saúde mental frente ao distanciamento social. Além de Karnal, também marcaram presença Carmita Abdo, psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP; Contardo Calligaris, escritor, psicanalista e dramaturgo; Vera Iaconelli, psicanalista e diretora do Instituto Gerar; Leandro Karnal, historiador e professor do Instituto de Filosofia da Unicamp; e Christian Dunker, psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP.

Para Karnal, estar perto de familiares neste momento é uma situação incomum no dia a dia, que pode ser legitimamente valorizada.

"Temos uma solução que é tentar transformar quem está nessa situação confortável — casa, comida e home office — e aproveitar o que estão falando no Instagram há anos: 'família é tudo', 'amo a família que Deus me deu'. É o momento de lidar com as pessoas. Você vai ganhar uma imersão familiar. Não é fácil. As experiências de astronautas não incluíam filhos. Não há experimento social que incluía adultos com filho. É a chance de um experimento social novo, e não vai durar para sempre", disse Karnal, lembrando experiências pessoais de isolamento (a partir de 20min04seg no vídeo).

"Duas vezes na vida, fiz 30 dias de silêncio, conversando apenas com professor às sextas-feiras. Quando você não fala e o mundo ao seu redor não fala, você escuta coisas novas sobre você mesmo. Muda um pouco nossa percepção do mundo, de nós e assim por diante. A diferença não é estar sozinho ou com pessoas; entre solidão e solitude. A grande diferença é a qualidade das coisas que está fazendo. Já vi solidão a dois, é a pior de todas, a mais dramática, e pode estar muito bem sozinho. Não acho que o isolamento produz algo nocivo, só acirra o que já tinha. Ninguém vai se tornar muito diferente do que já era. Processo de autoconhecimento, exercício de tolerância. Há pessoas que talvez estejam melhorando no isolamento. E há pessoas que isoladas terão os melhores dias da sua vida, mas não dirão isso, porque é feio dizer, mas é um momento interessante fazer exatamente o 'torna-te quem tu és'", relatou (a partir de 25min13seg no vídeo).

A opinião foi semelhante à de Carmita Abdo. Para a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP, "estamos tendo oportunidade de ouro" para aprendermos sobre nós no isolamento.

"A questão da tolerância também. O quarentão, cinquentão que tem pais idosos ativos, tem que inverter relação — cuidar dos pais, mantê-los em casa. Começa a acontecer um processo de inversão. Alguns filhos estão preparados; outros, ainda não e exageram na dose", acredita Carmita (a partir de 27min31seg no vídeo).

"Tem que ter cuidado para que isso ocorra de forma delicada. Os idosos têm mais ansiedade do que toda a população; eles sabem que se isolar é a melhor saída, mas a ansiedade não ajuda. Temos que buscar alternativa de entretenimento, de ocupar o tempo deles, se eles não forem altamente intelectualizados, e aproveitar essa a solitude para um progresso pessoal", acrescentou (a partir de 28min33seg no vídeo).

Vera Iaconelli concordou. "Acho delicioso ficar dias sozinho, com ninguém, mas não necessariamente ficar confinado em um espaço", disse a psicanalista. "Me preocupam jovens conhecidos e pacientes que moram sós e não conseguem falar com ninguém o dia todo. A idade faz diferença. A gente vai aprendendo a lidar com nós mesmos com o tempo, até que se torna um prazer e uma escolha. Para os jovens, acho complicado. Os pais moram no interior, e você e os gatos em casa", alertou (a partir de 29min32seg no vídeo).

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