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Unfollow terapêutico: quando parar de seguir alguém nas redes é saudável?

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Imagem: iStock

Diego Garcia

Colaboração para o VivaBem

28/02/2020 04h00

Se há décadas eram os artistas que lançavam tendências na televisão ou revistas, no século 21 eles perderam o papel de destaque para as mídias sociais e os influenciadores digitais. Uma das diferenças dessas novas ferramentas de comunicação é que elas funcionam ininterruptamente, aumentando o caso de pessoas com dependência digital e, consequentemente, comprometendo sua saúde mental.

Diante disso, surgiu o conceito de unfollow terapêutico, que consiste em deixar de seguir perfis, páginas ou pessoas que em vez de te inspirarem, te colocam para baixo e te fazem se sentir mal.

Um exemplo em que deixa de seguir alguém pela saúde mental é um término de relacionamento. Dar um unfollow nessas condições é necessário e saudável e fará bem para quem está sofrendo de alguma forma. Isso é autocuidado e autoconhecimento. Também é comum que algumas pessoas deixam de seguir outras buscando evitar ver algum tipo de comportamento que não querem mais reproduzir.

Muitas vezes as redes sociais parecem vilãs nesse processo, e realmente elas foram criadas para nos manter navegando bastante tempo. O cuidado, portanto, tem que vir de quem as utilizam. Por isso, é muito importante cada um perceber como está sua relação com as mídias digitais. Elas passam a fazer mal para a saúde mental quando não se tem mais controle, quando se cria uma dependência e a vida passa a girar em função delas.

Identifique quem te incomoda

Existem duas situações em que seguir uma pessoa pode ser nocivo ou tóxico: a primeira é quando você se sente obcecado ou compulsivamente inclinado a ter que visitar esses perfis e comentar, fazer igual, dar os reposts, enfim quando seu comportamento deixa de ser simplesmente uma admiração para virar uma idolatria cega.

A outra é quando você se angustia por não conseguir ser ou fazer o que a pessoas sugere, isso pode abalar sua autoestima e não te fazer bem. Quando você se percebe refém de uma situação e mede suas ações pela pessoa que está seguindo é um sinal de algo está errado. O termômetro é naturalidade e leveza, se você vê aquela pessoa como inspiração boa que te traz sempre bem-estar, se ela te leva para processos saudáveis e incitam uma melhor relação consigo, ela te faz bem.

Caso contrário, deixar de seguir pode ser uma alternativa importante para manter a saúde mental. Sua tranquilidade e bem-estar tem que estar em primeiro plano. Esse é um processo que depende de cada um e por isso muito importante ter uma autopercepção e bom senso. Converse com você mesmo, questione-se: por que eu sigo essa pessoa? Se está se sentindo mal, questione-se por que se sente assim e, por fim, se precisa mesmo seguir essa pessoa, se ela te acrescenta algo, além do mal-estar.

Saúde mental é estar bem consigo e com os outros, por isso, deixar de seguir perfis que causam algum desconforto é um ponto relevante para manter a mente sã e sem angústia, estresse, tristeza, melancolia e outros sintomas desagradáveis que podem surgir quando a pessoa que você está seguindo começa a te incomodar e esse incômodo passa a ser cada vez mais constante.

Em busca do caminho do meio

No entanto, antes de apertar o botão "deixar de seguir", reflita se expandir seus horizontes não é uma perspectiva melhor do que simples ignorar que algo existe. Por exemplo, deixar de seguir uma musa fitness porque o corpo dela é irreal para você não significa que ele deixará de existir. E talvez começar a seguir pessoas novas com padrões de corpo diferentes seja algo mais próximo do real, sem excluir ninguém.

Os especialistas indicam que você deixe de seguir quem realmente impõe padrões fora do que é saudável (como modelos anoréxicas, por exemplo) e quando se entende que o influenciador lhe traz sensações ruins de incapacidade e incompetência. Se for alguém que pegue coisas que lhe agridem ou que lhe empurram para um limite que não faz bem, tudo bem dar o unfollow.

Como manter um feed saudável?

Autoconhecimento é fundamental neste processo. Para saber o que me faz bem, preciso me conhecer, me conectar comigo mesmo para escolher pessoas que devo seguir ou as que devo deixar de seguir para que o acesso às redes sociais traga mais prazer, descontração e trocas boas do que pressão, angústia e inquietação.

Precisamos dosar essa relação com as redes, assim como devemos fazer com qualquer outra relação na nossa vida, seja com pessoas, trabalho, família, etc. É necessário ter equilíbrio, reflexão constante e entender que somos diferentes e o que pode ser bom para um, pode não ser é para o outro.

Aquela dieta milagrosa, a pele perfeita, o cabelo ideal que a influenciadora posta nas redes pode até servir para ela, mas não necessariamente para você. Podemos usar as redes e extrair o que elas têm de bom, não perdendo de vista que o mundo real pulsa com as "belezas e dores" e que as influências das redes sociais possam ser para melhorar esse nosso mundo real.

Quando pedir ajuda?

Deixar de seguir talvez seja o primeiro passo para se livrar do incômodo, mas se ele persistir é importante trabalhar isso em terapia. O termômetro para consultar um profissional é a percepção de que "sozinho não consigo mais". Então, se você apreende que mesmo deixando de seguir esses perfis ainda se sente muito incomodado e ansioso com determinadas questões e isso está trazendo sofrimento, a terapia será uma forte aliada para a elaboração dessas inquietações e a possibilidade de novos entendimentos, caminhos e alternativas para conviver bem consigo e com os outros.

Ela vai nos ajudar a elaborar esses assuntos que incomodam e fazer com olhemos para a situação de uma forma que talvez já não incomode tanto. A terapia nos ajuda a olhar além e sob vários aspectos e isso certamente nos ajuda na busca do autoconhecimento, que é fundamental para saúde mental.

Fontes: Monique Diógenes, psicologa da Maternidade Escola Januário Cicco, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), vinculada a Rede Hospitalar Ebserh e Cristiano Nabuco, psicólogo, Coordenador do Programa de Dependência de Internet do IPq do HCFMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e blogueiro do VivaBem

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