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Está conectado demais? Sinais de que é bom dar um tempo nas redes sociais

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Imagem: iStock

Simone Cunha

Colaboração para o UOL VivaBem

27/06/2019 04h00

Resumo da notícia

  • As redes sociais nos ajudam a lidar com algum tipo de exposição social que costuma ser desconfortável
  • Ansiedade, irritabilidade e frustração são alguns sintomas que podem ser desencadeados pelo uso excessivo da tecnologia
  • Autorregulação é essencial, portanto, fique atento ao tempo de uso e avalie qual espaço a tecnologia está ocupando em sua vida

Você entra no elevador e para fugir daquele silêncio constrangedor pega o celular para dar uma olhada rápida nas redes sociais. Ou está no metrô e para distrair dá algumas curtidas. Na sala de espera de um consultório, mais uma vez, o celular é o entretenimento para aqueles minutos passarem mais rápido. Identificou-se? Atualmente, todos somos meio abusadores de internet e, muitas vezes, são as redes sociais que nos ajudam a lidar com algum tipo de exposição social que costuma ser desconfortável, como as citadas acima.

Com isso, um hábito vai se consolidando e, quando nos damos conta, estamos viciados naquele aparelho que cabe na palma da mão, mas nos dá acesso a um universo de informações. Tempo e energia acabam sendo gastos apenas com a tecnologia, enquanto existem outras formas para ter boas sensações: um livro, um filme, um bate-papo. Se você se enquadra neste perfil, o primeiro passo é questionar-se: o que estou fazendo na rede social? Essa autoavaliação pode ajudar a entender os sentimentos despertados e perceber se há algum tipo de excesso.

De olho nas emoções

Ansiedade, irritabilidade e frustração são alguns sintomas que podem ser desencadeados pelo uso excessivo da tecnologia. São emoções que vão se instalando, minando a energia e, nem sempre, nos damos conta. Quer ver?

  • Você fica inquieto quando está em um local sem acesso à internet e/ou às redes sociais?
  • Você se exalta quando lê algum comentário divergente do seu?
  • Ver todos felizes e bem-sucedidos te causa mal-estar e autoquestionamento?

É quase impossível não ter passado por uma dessas situações, ou todas elas, pois a rede social é o lugar da ostentação. Claro que essa comparação em uma sociedade de consumo não foi inaugurada pela Internet, mas a exposição ajuda a potencializar. "Isso pode despertar inveja, frustração, interferir na autoestima, deprimir. Ninguém pode ficar refém deste mundo sorridente das redes sociais", alerta o psiquiatra Aderbal Vieira Jr., responsável pelo setor de tratamento de dependências de comportamentos do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para o médico, as redes sociais indicam uma amostra enviesada do que é real, provocando uma necessidade de ser feliz e bem-sucedido sempre. Outra questão importante é o fato de a internet ser adubo para o extremismo, pois ali todos se sentem mais livres para se expressar. "A pessoa se sente mais desobrigada a ser sensata e pode cair na tentação de praticar bullying, porém isso pode vazar para a vida real", comenta Vieira Jr.

Outros sinais de alerta

É necessário enviar essa mensagem enquanto dirige? Ou interromper o trabalho para dar uma olhada rápida no feed? Andar pelas ruas olhando as redes sociais? São esses os primeiros sinais que apontam para um exagero. Despertar para um uso mais consciente não está diretamente relacionado à obediência das horas, mas um controle e a percepção de que a maioria das urgências é desnecessária.
Além disso, existem três situações que podem ajudar a acender o sinal de alerta:

- Fica mais conectado do que gostaria: a pessoa não quer ficar tanto tempo, mas quando percebe já pegou o celular. As redes sociais deveriam ser usadas de forma prazerosa, mas acaba virando uma prisão voluntária, pois o indivíduo não sente liberdade para buscar outras atrações.

- Começa a atrapalhar o cotidiano: vai causando prejuízos, como atraso em um compromisso, procrastinação de um trabalho importante, ou seja, esse uso contínuo passa a ter um preço trazendo más consequências.

- Limitação intelectual: a pessoa começa a perder repertório, pois todo excesso pode provocar um empobrecimento. Você sai com os amigos e só fica de olho nas redes sociais, negligencia a família, vai viajar e se preocupa apenas com a selfie, enfim não é possível limitar a forma de prazer às redes sociais.

E todas essas ações podem despertar emoções negativas como ansiedade, tristeza, incapacidade, que também podem levar à depressão. Por isso, a autorregulação é essencial. E para lidar com isso é importante ficar atento ao tempo de uso, fazer uma autoanálise sobre qual espaço a tecnologia está ocupando em sua vida e por que é tão importante estar sempre conectado.

Aprenda a se autocontrolar

Sentiu-se incomodado? Pense a respeito! Para quem ainda não criou uma dependência abusiva, é possível realizar correções por conta própria. E a sugestão não é tirar o objeto de cena, criando um tipo de abstinência, mas ir diminuindo mesmo o tempo de uso. E buscar substituições como um hobby, um passeio, uma boa conversa. Nesse estágio, cada um pode criar a sua receita, afinal as redes sociais têm um papel relevante de informação e entretenimento, só é preciso encontrar um equilíbrio para usá-las de maneira recreativa.

Fontes: Aderbal Vieira Jr., responsável pelo setor de tratamento de dependências de comportamentos do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Barbara Saviato, médica Psiquiatra e professora de medicina na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul); Lia Martini, psicóloga do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HCSP); e Rafael Barreiro, professor do curso de Terapia Ocupacional da Universidade de Brasília (UNB).

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