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Feridas que não cicatrizam: "Quase perdi o pé por não tratar um machucado"

Eloisa tem diabetes e uma bolha em seu pé evoluiu para um machucado que atingiu o osso - Divulgação
Eloisa tem diabetes e uma bolha em seu pé evoluiu para um machucado que atingiu o osso Imagem: Divulgação

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

17/07/2018 04h00

Aparentemente, era algo sem importância. Uma simples bolha no pé que Eloisa Malieri, de 44 anos, notou depois de uma ida ao clube. Em poucos dias, o negócio evoluiu e se tornou uma ferida que nunca cicatrizava --problema comum em quem tem diabetes, doença com a qual a advogada foi diagnosticada aos 11 anos.  

Na época, Eloisa estava grávida e não pode iniciar o tratamento e o machucado ficou complexo. Quatro meses após o nascimento da filha, a infecção já havia atingido o osso e ela precisou fazer cinco cirurgias, diversos curativos e até implante de pele sintética. “Negligenciei o problema e só me dei conta de quão grave ele era quando começou a cheirar a carne podre. Sofri um grande baque e tive medo de precisar amputar o pé”, diz. 

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Embora a ferida tenha sumido depois das operações, Eloisa sofre até hoje com os efeitos da doença. Por ter atingido o osso, a advogada tem a pisada para fora, usa uma tornozeleira para auxiliar o caminhar e não pode calçar sapatos fechados. “No começo foi bastante constrangedor e difícil, mas agora tento lidar de forma natural.”

Má circulação sanguínea dificulta cicatrização

Eloisa fez cinco cirurgias para tratar seu pé e a ferida prejudicou sua pisada - Divulgação
Eloisa fez cinco cirurgias para tratar seu pé e a ferida prejudicou sua pisada
Imagem: Divulgação
Não são só pacientes diabéticos que sofrem com machucados que custam a cicatrizar. Pessoas que possuem doenças como insuficiência arterial, varizes, obstrução dos vasos sanguíneos e até fumantes também podem ter esse tipo de ferida. A redução no fluxo sanguíneo compromete a chegada de substâncias que vão "reparar" a lesão e também remover toxinas, além de poder lesionar nervos, músculos e outros tecidos em médio e longo prazo.

Já quem tem diabetes, assim como Eloisa, tende a perder a hipersensibilidade nos membros inferiores por causa da doença. Assim, é muito comum o indivíduo sofrer um corte e ignorar o ferimento, pois não sente dor e acha que não é algo grave. 

Por que a ferida se agrava?

Cortes, bolhas e até simples rachaduras podem evoluir para uma ferida que não cicatriza quando não são tratados e higienizados corretamente. Segundo Rina Maria Pereira Porta, cirurgiã vascular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, a primeira coisa a fazer ao sofrer qualquer lesão na pele é lavar bem com água e sabão, para evitar infecções. 

A médica também explica que não é bom deixar o ferimento exposto. "O ideal é higienizar, fazer um curativo e colocar um sapato ou roupa adequada. Quando fica desprotegida, a ferida está vulnerável e suscetível a bactérias que podem causar infecções e até a proliferação de larvas, caso alguma mosca bote seus ovos ali", alerta. 

Outro cuidado importante é passar corretamente a pomada --que deve ser sempre indicada por um médico. Ao trocar o curativo, o recomendado é sempre limpar bem a ferida e remover totalmente o medicamento antes de aplicá-lo novamente. Muitas vezes, as pessoas não tiram o excesso de pomada do curativo anterior, que forma uma "crosta" e pode inibir a ação do remédio.  

"Caso qualquer machucado não cicatrize em até duas semanas, é importante procurar um médico o mais rapidamente possível, para fazer o tratamento correto", orienta Porta. 

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