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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que é uma boa relação com a comida?

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

27/09/2021 04h00

Com a chegada dos estudos sobre comportamento alimentar, tem sido cada vez mais comum a nutrição ser vista de forma mais ampla e humana. O que antigamente muitas vezes era resumido apenas à bioquímica e fisiologia, hoje em dia dá espaço para análises psicológicas, familiares, além dos fatores ambientais.

Se fizemos uma retrospectiva sobre a forma como o ser humano se alimenta ao longo da sua vida, na infância você mamava sempre que tinha fome, e isso era sinalizado através de um choro. Depois de mamar vinha a saciedade, o leite não necessariamente era "lacfree", não era zero gordura, não precisava ser pesado em uma balança de precisão, além de tudo ninguém dizia que você precisava tomar suplemento, restringir carboidratos ou mamar de 3 em 3 horas.

O que aconteceu que hoje em dia a maioria das pessoas está em busca de uma forma ideal para se alimentar?

De onde vem essa eterna briga com comida na corrida pelo emagrecimento, se antigamente comer era um simples ato de sobrevivência?

Algumas respostas têm relação com a forma como as pessoas se enxergam, além da busca por um padrão de beleza imposto pela sociedade. Outra questão é que o terrorismo nutricional, provocado muitas vezes por parte dos profissionais, acabou contribuindo para que a relação com a comida de grande parte da população se tornasse uma eterna tentativa de novas dietas na busca por saúde e principalmente pelo corpo ideal.

As pessoas são conduzidas a acreditar que comer bem tem a ver com força de vontade, foco e fé. Alguns acreditam que aqueles que não se alimentam bem não o fazem porque não querem e tudo se resume acreditar que pode, bastando apenas pensar positivo.

Na verdade, esse pensamento contribui para que muitas pessoas com problemas com o corpo se sintam fracassadas por não conseguirem se alimentar de forma adequada, gerando um sentimento de culpa toda vez que elas não conseguem cumprir com as exigências sociais para fazerem uma dieta rigorosa.

Comer se tornou uma forma de atender exigências externas, além de ser um ato utilitário, ou seja:

"Como para caber no vestido de casamento";

"Como para dar resultado na balança da nutri";

"Como para emagrecer".

Mas onde que fica o comer simplesmente por comer, para se sentir bem, socializar e para confraternizar?

As dietas vieram como estratégias para uma melhor alimentação, mas antes de pensar em seguir uma dieta, concentre-se em entender quais razões o levam a comer da forma que você come. Compreenda o significado do ato de comer para sua vida e, dessa forma, encontre as razões de comer para ter saúde, e não para se encaixar em um padrão social ou atender às expectativas de alguém.

Antes de pensar em comer para alcançar um corpo que está apenas no mundo das ideias, aprenda a amar e respeitar seu corpo do jeito que ele é. Antes de pensar em praticar exercícios físicos para compensar o que você comeu a mais, entenda o porquê do exagero alimentar e enxergue a atividade física como forma de autocuidado, e não como punição.

Comer não precisa ser visto de forma utilitária, mas como um ato de celebração e afeto ao seu corpo. Enxergar a comida de forma compassiva o ajuda a se reconectar com as reais necessidades do seu corpo, assim, as exigências externas vão sendo deixadas de lado e você aprende a ter uma boa relação com a comida, sem medo ou julgamentos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL