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Victor Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como lidar com a compulsão alimentar?

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

16/08/2021 04h00

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos alimentares afetam quase 5% da população brasileira. Dentre os transtornos, a compulsão alimentar se trata de um problema cuja a origem pode ser genética, psicológica ou social.

Embora seja um transtorno que já existe há muitos anos, os tempos difíceis da pandemia acabaram desencadeando um maior número de pessoas sofrendo por comerem de forma descontrolada.

É importante deixar claro que o termo da compulsão alimentar vem sendo utilizado de forma banalizada pela sociedade e, às vezes, por profissionais de saúde, sugerindo que, qualquer episódio em que um indivíduo come de forma exagerada, ele está tendo uma "compulsão". Muitas vezes estamos lidando com um exagero alimentar ou um comer transtornado, condições que se encontram no caminho entre o "comer normal" e o transtorno alimentar.

Situações atípicas como uma festa de aniversário, uma comemoração ou um hotel com sistema all inclusive, podem fazer com que você coma de forma exagerada pelo simples fato de ser uma situação social "diferente" — gerando a sensação de alimento escasso que você não vai encontrar facilmente em outro momento.

Às vezes, o exagero pode acontecer de forma afetiva, quando você senta para comer com um ente querido ou então quando come seu prato favorito da infância, sendo mais uma situação em que o exagero pode acontecer.

No fim das contas, os exageros alimentares são naturais da humanidade e quando eles ocorrem de forma ocasional e consciente o corpo sabe lidar com essas situações e o exagero não se torna um problema.

Imagine que você coma uma panela de brigadeiro e logo em seguida você se lembra de um feijão congelado na sua geladeira e resolve consumi-lo também. Nesse caso estamos falando da compulsão alimentar em que o consumo dos alimentos não é específico e o ato de comer vem seguido de uma sensação de culpa, fracasso e muitas vezes de nojo.

No caso do ato de "comer transtornado", os episódios de exagero acontecem com muita frequência, porém normalmente o consumo tende a ser feito por alimentos específicos da preferência de quem está passando por essa situação. Portanto, não pense que tem compulsão só porque você já comeu uma barra de chocolate inteira.

Supondo que mesmo com essas informações você ainda não saiba exatamente o que fazer, algumas dicas básicas podem ajudar.

A primeira delas é não fazer uma dieta restritiva, pois a sensação de restringir algo traz a sensação de que o "proibido é mais gostoso" gerando um sentimento de privação, descontrole, seguido de culpa. Ficando assim em um ciclo vicioso.

Prestar atenção no que come, trazendo um sentimento de entender o porque da sua escolha alimentar pode ser mais interessante do que sentir culpa te ajudando a ter uma relação melhor com os alimentos e os exageros.

Outro ponto é entender os gatilhos que geram o descontrole alimentar. Muitas vezes a tentativa é apenas de controlar a ingestão do que come com uma dieta te dizendo o que fazer, mas é importante entender o que leva ao exagero. Será o trabalho? Alguma relação? O ambiente que você vive?

Em qualquer caso de descontrole alimentar, muitas vezes a comida vem como forma de te confortar por alguma área da sua vida que não está como você gostaria.

De uma fora geral, busque comer o suficiente. Para isso é importante permitir que os alimentos existam na sua vida e comer com mais calma, mastigando e apreciando suas refeições. Isso te ajuda a entender que não existe alimento proibido diminuindo a sensação de fracasso ao comer. Com calma, fica mais fácil atingir a saciedade e dessa forma você come o necessário, o que é diferente de simplesmente "comer pouco".

Pense no exemplo da barra de chocolate em que a indicação tradicional é a de comer "apenas um quadradinho". Para muitos isso pode ser fácil, mas para alguém que sente fracasso apenas pelo fato de comer o chocolate, pode não ser tão fácil assim. Nesse caso, comer com calma te ajuda a consumir uma quantidade suficiente para você, te ajudando a entender qual é o seu equilíbrio.

Tente ir no seu ritmo, entendendo seus gatilhos e quais os contextos te fazem exagerar. Normalmente para lidar com o comer transtornado, ter mais consciência do que está comendo já é uma grande vitória e com o tempo você aprende a ter equilíbrio.

Caso você esteja em dúvida se tem ou não compulsão alimentar, se for possível, o ideal seria consultar um especialista no assunto, como um psiquiatra ou um nutricionista com foco em transtornos alimentares.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL