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Edmo Atique Gabriel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Chocolate pode ser aliado da saúde cardíaca e do humor; veja como consumir

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do VivaBem

16/04/2022 04h00

Ele é um alimento que não envelhece. Surgiu no despontar de muitas civilizações antigas e adquiriu longevidade e tradição, mas constantemente se renova para atender as preferências e as mais diversas tendências. Todos estes atributos para homenagear o chocolate, alimento de unanimidade quase absoluta.

Sem dúvida, o chocolate, com seus diversos formatos e apresentações, faz parte da rotina das famílias e, mais recentemente, muitas de suas propriedades e efeitos foram apontados como benéficos ao corpo humano, sobretudo ao coração.

Muitos conceitos nutrológicos têm agregado valor considerável às terapias farmacológicas convencionais e, dessa forma, patologias que outrora eram tratadas exclusivamente por meio dos fármacos, podem, na atualidade, receber abordagem mais ampla. Neste contexto, o chocolate tem sido útil, de forma coadjuvante, na atenuação de quadros depressivos, insônia, desordens hormonais e distúrbios cardiovasculares.

O principal componente do chocolate é o cacau. A concentração do ingrediente tem relação direta com o gosto amargo. Quanto mais cacau (geralmente, um valor percentual acima de 70), mais intenso será o gosto amargo do chocolate. O cacau é rico em substâncias anti-inflamatórias e antioxidantes, notadamente os flavonóides e o ferro.

Os flavonóides auxiliam na neutralização e eliminação dos radicais livres —resíduos metabólicos nocivos ao organismo humano. No tocante à proteção cardiovascular, os flavonóides exercem efeitos anti-inflamatórios nas artérias e veias do corpo, reduzindo a formação de placas de gordura e sendo úteis na prevenção de eventos como infarto do miocárdio e AVC (acidente vascular cerebral). Em muitas situações, o chocolate, devido ao seu teor de ferro, pode ser utilizado como coadjuvante no tratamento da anemia e na recuperação calórica e energética.

Quantidades ótimas de cafeína e magnésio também fazem parte da composição de um chocolate rico em cacau. As propriedades da cafeína incluem melhor disposição física e mental para as atividades laborais e diárias, termogênese e maior capacidade de queima calórica e ativação global da circulação sanguínea, favorecendo algumas habilidades como memorização e concentração.

As funções orgânicas do magnésio são essenciais à vida, destacadamente seu papel regulador da eliminação de resíduos metabólicos tóxicos e radicais livres. Além disso, desempenha papel fundamental na contração muscular, regulação do metabolismo do cálcio e controle da pressão arterial e do ritmo cardíaco. Dessa forma, para pacientes portadores de hipertensão arterial e arritmia cardíaca, o consumo moderado de chocolate amargo pode ser empregado em conjunto com as medicações convencionais.

Dentre os hormônios mais conhecidos no âmbito da plenitude e bem-estar estão a serotonina e a endorfina . A serotonina é sintetizada no intestino e exerce papel essencial no controle da ansiedade e na redução de sintomas como fadiga e irritabilidade. O consumo moderado de chocolate amargo pode estimular a síntese da serotonina, tornando as pessoas mais dóceis, calmas, equilibradas e, subsequentemente, minimiza as complicações do estresse emocional. Para aquelas pessoas que rotineiramente são irritadiças e impulsivas e que apresentam picos de pressão arterial, palpitações, sudorese excessiva e dor no peito, o consumo do chocolate amargo certamente é um aliado saudável e apetitoso. Para aquelas pessoas extremamente calmas e tolerantes, também é válido o consumo de chocolate, nestes casos para fins profiláticos. As endorfinas são produzidas pelo cérebro e participam ativamente do processo de analgesia, inclusive auxiliando indiretamente no controle da pressão arterial.

Do ponto de vista cardiológico e nutrológico, o consumo de chocolate amargo deve ser priorizado em relação ao chocolate branco. Embora muitas vezes mais palatável, o chocolate branco é rico em gorduras, aumentando o risco de desenvolver dislipidemia e diabetes. O chocolate branco possui quantidade consideravelmente menor de antixoxidantes e micronutrientes, contribuindo pouco para a proteção cardiovascular.

Assim, para a proteção cardiovascular e obtenção dos efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e aumento da síntese de serotonina e endorfina, recomenda-se o consumo do chocolate amargo ou meio amargo, na quantidade diária de 10 g a 30 g, o que corresponderia a um tablete pequeno.