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Escape de xixi pode surgir com aproximação da menopausa; veja como prevenir

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Imagem: iStock
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Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

10/09/2021 04h00

Há alguns dias eu postei um vídeo no Instagram (me siga lá @silviaruizmanga) fazendo exercícios pulando em uma cama elástica e me surpreendi com uma série de mensagens com o mesmo teor: "Nossa, se eu fizer isso é xixi na calça na certa"; "Não escapa seu xixi??". Escape de xixi, ou incontinência urinária, é muito mais comum do que se imagina, muito embora o tema seja tabu e pouco falado.

Para se ter uma ideia, pesquisa recente Bigfral-Ipec sobre prevalência de incontinência urinária mostra que o problema acomete um em cada três brasileiros.

E as mulheres formam a maioria, representando 68% das pessoas afetadas. Apesar de 88% dos entrevistados responderem que têm incontinência leve (algumas gotas ou pouco escape de urina), 69% das pessoas afirmaram não saber que a perda, em qualquer quantidade, é considerada incontinência urinária.

Segundo a médica uroginecologista Maria Augusta Bortolini, vice-presidente da Associação Brasileira pela Continência BC Stuart, essa é uma condição que pode acometer pessoas de todas as idades, mas principalmente as mulheres a partir de 35 anos. E, com a aproximação da menopausa, o impacto da queda dos hormônios pode fazer surgir ou piorar a condição. Por isso, é importante prevenir e tratar o quanto antes.

Segundo a especialista, há dois tipos principais de incontinência: a incontinência urinária por esforço, que é a perda urinária que ocorre quando a pessoa tosse, espirra, faz algum tipo de esforço físico, ou até mesmo uma gargalhada, e a incontinência urinária de urgência, caracterizada pela vontade súbita de urinar, de forma que a pessoa pode perder urina antes de conseguir chegar ao banheiro.

O escape do xixi ocorre quando a musculatura do assoalho pélvico, região responsável por dar suporte à bixiga, não dá conta de segurar a pressão. Podem também ocorrer problemas no próprio canal da uretra, que fica mais flácido ou alargado com o envelhecimento, a baixa hormonal com a aproximação da menopausa, ou mesmo após a gravidez e o parto. Mas é possível prevenir e tratar a incontinência:

Fisioterapia pélvica

Muita gente trabalha os músculos do corpo na academia sem nunca se dar conta de que existe a importante musculatura do assoalho pélvico que precisa ser engajada. Já falei aqui dos exercícios simples que podemos fazer para fortalecer essa região.

Medicamentos

A chamada bexiga hiperativa, que leva à incontinência urinária de urgência, pode ser tratada com medicamentos que ajudam a bexiga a ficar mais estável. Até mesmo a aplicação de toxina botulínica na bexiga vem sendo feita para aliviar esse sintoma.

Reposição Hormonal

Um dos motivos que podem agravar ou fazer surgir a incontinência é a queda hormonal que temos com a aproximação da menopausa. Nesse caso o médico pode avaliar a reposição sistêmica, isso é, o uso por via oral ou transdérmica de hormônios, mas também o uso de hormônio tópico, ou seja, aplicado na região genital. Segundo a médica, em alguns casos, mesmo quem faz a reposição sistêmica pode precisar também fazer esse uso de creme local.

Cirurgia

Para casos em que a fisioterapia não surtir efeito, principalmente nos casos de incontinência urinária por esforço, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. Um dos procedimentos mais comuns para mulheres é a cirurgia de sling, em que se coloca uma espécie de tela que funciona dando suporte à uretra.

Lasers

A médica diz que, embora o uso de laser e equipamentos de radiofrequência venham sendo usados para tratar a incontinência, ainda não existe um protocolo padronizado e estudos que comprovem os resultados. Esse é um tratamento ainda dependente da experiência de cada médico.

A perda urinária não pode ser motivo de nos afastar de nossas atividades ou causa de vergonha. Já existem no mercado absorventes e roupas íntimas próprias para quem convive com o problema, que podem ajudar enquanto um tratamento é realizado, impedindo o desconforto e impedindo vazamentos. Não deixe de procurar ajuda de um especialista.