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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Aos 90 anos, ela é a professora de ginástica mais velha do Japão

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

16/04/2021 04h00

Quem me acompanha aqui no Ageless e no Instagram (já me segue por lá? @silviaruizmanga) já sabe que meu propósito é inspirar as pessoas (e a mim mesma) a envelhecer com a máxima potência e qualidade de vida. Não digo apenas viver mais, mas, sim, viver mais e melhor.

E, por isso, quando me deparo com alguém como a japonesa Takishima Mika, ou "Takimika", me dá uma esperança enorme de chegar aos incríveis 90 anos com essa qualidade de vida. E mais: não importa se você tem 40, 50 ou 60 e está fora de forma. Sempre é tempo de começar e mudar o destino (eu mesma só peguei firme no exercício aos 46, há quase 5 anos). Takimika só começou aos 65 anos.

A expectativa de vida no Japão é bem alta (84 anos, contra 75 no Brasil). Isso graças à qualidade da alimentação e ao fato de os japoneses valorizarem muito a atividade física e o combate ao estresse (com meditações e rituais). Mas, ainda assim, ela só iniciou na atividade física aos 65 anos. Ela conta em entrevistas que foi um comentário infeliz do marido sobre seus quilos a mais que a motivou a ir para a academia.

Dona de casa e sedentária até então, Takimika acabou emagrecendo 15 quilos com os novos exercícios. Empolgada com os resultados, contratou um personal e passou a levar a sério os treinos de musculação, corrida e alongamento. Mais sensacional ainda foi o que veio a seguir: seu professor resolveu treiná-la para dar aulas em sua academia.

E assim ela virou a mais velha treinadora de fitness do Japão, estreando aos 87 anos (três anos atrás). Até mesmo durante a pandemia ela vem dando aulas online para sua turma de 20 alunos de que estão na casa dos 40 aos 60 anos.

Rotina de atleta

Takimika dorme pouco, segundo ela. Pula da cama antes do sol nascer para sua corrida matinal (taí uma coisa que eu tenho inveja) de quatro quilômetros. Tem mais: ela finaliza correndo um quilômetro de costas para dar mobilidade ao corpo e treinar o cérebro.

O café da manha às sete horas é típico japonês: salmão ou outro peixe grelhado, natto (soja fermentada), ovos, tofu e kimchi (acelga fermentada considerada um alimento que melhora a microbiota intestinal, previne o colesterol e outras doenças). O almoço, em contrapartida, é um iogurte e uma banana.

Depois do café ela cuida da casa e faz alguns alongamentos e, mesmo quando está sentada no sofá vendo TV, mantém o abdome contraído e a coluna reta. O período da tarde é dedicado aos treinos de musculação, por pelo menos duas horas diárias.

O jantar segue o princípio do almoço, com muitos vegetais típicos da culinária japonesa, sempre acompanhado de uma boa taça de vinho (disso você gostou, né?). Ela evita conservantes e aditivos de alimentos industrializados.

Antes de dormir, Takimika trabalha no preparo de suas aulas no computador ou no celular e aprende inglês. Afinal, como ela mesma diz em sua biografia no Instagram: "Age is just a number" (idade é só um número). Seu sonho, segundo ela, é chegar aos 100 dando aulas e ajudando mais gente a chegar lá com a disposição e energia dela. Tem coisa mais Ageless?

É claro que nem todo mundo vai ter a disposição e disciplina da Takimika para seguir uma rotina tão rígida, mas vale para a gente entender que dá, sim, para criar um caminho de saúde e bem-estar para nossa velhice a qualquer tempo. E que fazer exercícios e adotar uma dieta saudável são a base de tudo isso. Quanto antes a gente começar, melhor, mas sempre vamos colher resultados. Bora?