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Medo da covid-19 leva solteiros da França a reatarem antigos relacionamentos

Entre os que tiveram relações sexuais após o lockdown, 25% o fizeram com pessoas conhecidas, aponta pesquisa - Mehdi Taamallah/NurPhoto via Getty Images
Entre os que tiveram relações sexuais após o lockdown, 25% o fizeram com pessoas conhecidas, aponta pesquisa Imagem: Mehdi Taamallah/NurPhoto via Getty Images

04/08/2020 20h16Atualizada em 04/08/2020 21h41

Que o coronavírus modificou o modo de vida das pessoas, não é novidade. Mas, ao que parece, os relacionamentos amorosos também ganharam novos formatos devido à crise sanitária.

O Instituto Francês de Opinião Pública* pesquisou o impacto da covid-19 na sexualidade dos solteiros. Os resultados do estudo, divulgados ontem, mostram uma preferência de relacionamentos com pessoas já conhecidas ao invés de novos encontros.

Entre todos os solteiros entrevistados, 29% tiveram ao menos uma relação sexual nos meses seguintes ao lockdown na França. Para 25%, essa relação ocorreu com uma pessoa conhecida, seja ex-namorados ou parceiros ocasionais.

Do lado inverso, entre 5% e 6% dos solteiros tiveram uma relação sexual com alguém que conheceram depois de 11 de maio — quando as medidas de quarentena começaram a ser relaxadas na França.

"É uma espécie de sexo seguro. Os solteiros têm impressão de estarem mais sujeito aos riscos. Por isso estão em uma lógica de segurança sexual e satisfação", explicou François Kraus, diretor do polo "Gênero Sexualidade e Saúde Sexual" do Ifop ao jornal Le Parisien.

"É mais difícil conhecer pessoas"

Segundo o especialista, há duas explicações. A primeira é que a possibilidade de encontrar novos parceiros diminuiu com o confinamento e o fechamento de locais como boates, que não puderam reabrir até agora. Por isso, 57% dos solteiros afirmam que "atualmente é mais difícil conhecer pessoas como antes".

Não por acaso, as festas em casa se tornaram comuns, aumentando mais ainda a possibilidade de relacionamentos em um círculo de pessoas já conhecidas.

Outra explicação diz respeito à recusa de manter relações sexuais com indivíduos contaminados ou expostos ao coronavírus. Segundo o estudo, 62% dos solteiros entrevistados rejeitam sair com um potencial parceiro caso ele tenha sido infectado. Essa percentagem sobe a 64% para as pessoas que trabalham em setores mais expostos ao vírus, como profissionais da saúde, vendas ou transportes.

Diante dos riscos da pandemia, as mulheres seriam mais cuidadosas na escolha de pretendentes, ressalta Kraus.

"É um dos sinais deste novo tipo de estigma sexual que tende a durar", analisa o especialista. "A atividade sexual dos solteiros é como a atividade econômica. Desde o fim do confinamento, ela foi retomada progressivamente, mas não no mesmo ritmo de antes".

*O estudo foi realizado pelo Ifop para o site Pornhub entre os dias 9 e 12 de junho de 2020 junto a uma amostra de 3.018 pessoas, representativa da população francesa, com idades a partir de 18 anos.

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