Topo

'Não queria beijar e virei obsessão dele': match em app termina em prisão

Bruno Ferreira foi preso pelos crimes de extorsão e perseguição; ele passou a ameaçar mulher que conheceu em app de relacionamento - Reprodução/Instagram/WhatsApp
Bruno Ferreira foi preso pelos crimes de extorsão e perseguição; ele passou a ameaçar mulher que conheceu em app de relacionamento Imagem: Reprodução/Instagram/WhatsApp

Daniele Dutra

Colaboração para Universa, no Rio

02/03/2023 18h05

A Polícia Civil prendeu um homem na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, pelos crimes de extorsão e "stalking" (perseguição) contra uma mulher que ele conheceu em um aplicativo de relacionamento. Em mensagens, ele ameaçou a vítima.

"Me dá dois mil e terminamos agora. Eu gastei muito mais; burra, idiota. Se eu te pegar, te mato", escreveu Bruno César Rôxo Ferreira, 36, para a mulher.

A Universa, a vítima, que preferiu não se identificar, conta que os dois se conheceram há duas semanas em um aplicativo, mas nunca chegaram a se beijar ou ter relações sexuais.

Depois disso, ela passou a ser perseguida.

Virei uma obsessão para ele, já que eu não queria beijar e namorar. Ele tentou me conquistar com coisas que para mim são tão normais, como almoço e jantar. Começou a mandar links de casas para eu morar. Comprou vestido sem eu pedir, falou que ia fazer plano de saúde, me levar a camarotes, mas nada disso se concretizou. Quando percebeu que todas as investidas não tinham dado retorno, ele virou a chave

Nas mensagens, Bruno chegou a falar que já tinha matado uma pessoa: "Você não vai me beijar? Não vai transar comigo? Não vai ser minha namorada? Então amanhã quero que você me pague tudo o que gastei com você. Se não, vou por o Bope [Batalhão de Operações Especiais] na frente da sua casa, já matei um miliciano assim."

1 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Trecho de conversa da vítima com Bruno César Rôxo Ferreira
Imagem: Arquivo pessoal

Além das ameaças por texto, ele também fazia dezenas de ligações para a mulher e enviava mensagens por outras redes sociais.

A vítima conta que já viveu problemas no trabalho como abuso psicológico e sexual, e tinha se recuperado do trauma. Porém, quando conheceu Bruno e passou a ser perseguida, precisou voltar a tomar medicações.

2 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Trecho de conversa da vítima com Bruno César Rôxo Ferreira
Imagem: Arquivo pessoal

"Me sinto aliviada por ele estar preso, estou acompanhando cada passo do processo com meu advogado. Estou usando remédios controlados porque ativou algo que já estava estável em mim, que é minha paz mental", disse.

A prisão ocorreu na última terça-feira (28), pela 42.ª DP, Recreio, na casa de Bruno. A mulher procurou a delegacia na véspera, muito abalada com toda a situação.

3 - Divulgação - Divulgação
A Polícia Civil prendeu Bruno César Rôxo Ferreira na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio
Imagem: Divulgação

Enquanto a vítima fazia o registro de ocorrência na delegacia, o autor fez diversas ligações para ela e continuou enviando mensagens ameaçadoras. Uma delas dizia que a esperaria na saída da escola da filha dela para receber o dinheiro.

Segundo as investigações, os agentes descobriram que Bruno era apontado como autor em uma série de procedimentos policiais, sempre por constranger e ameaçar mulheres que, por algum motivo e nos mais diversos tipos de relações, não satisfaziam suas vontades.

Vida de ostentação

Bruno - Reprodução/Redes sociais - Reprodução/Redes sociais
Nas redes sociais, Bruno publica fotos em restaurantes caros, viagens e resorts
Imagem: Reprodução/Redes sociais

Nas redes sociais, Bruno se diz empresário, chef gastronômico e modelo fotográfico. Ele costumava postar fotos de pratos e aparecia em restaurantes caros, viagens e resorts.

A reportagem tentou contato por ligação e mensagem no celular de Bruno, na intenção de encontrar algum parente ou advogado, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Universa também entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para obter informações sobre a defesa de Bruno e a decisão da audiência de custódia, mas não teve resposta até o fechamento da reportagem.