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Diretoras da L´Oréal Paris dão dicas para chegar a cargos executivos

Laura Parkinson (à esquerda) e Elisabeth Bouhadana, diretoras da L"Oréal: carreiras em grandes empresas exigem confiança e ousadia - Arte/UOL
Laura Parkinson (à esquerda) e Elisabeth Bouhadana, diretoras da L'Oréal: carreiras em grandes empresas exigem confiança e ousadia Imagem: Arte/UOL

Beatriz Malheiros

De Universa, em São Paulo

22/02/2023 04h00

Dentro da marca número um de cosméticos do mundo desde 2008, Laura Parkinson, diretora da L´Oréal Paris no Brasil, conta que ainda escuta todos os dias uma voz que se pergunta: "Será que tenho conteúdo para isso? Será que eu estou à altura dessa posição?".

O termo "síndrome da impostora" foi criado pelas psicólogas norte-americanas Pauline Clance e Suzanne Imes em 1978. De acordo com uma pesquisa da KPMG realizada em 2020, 57% das mulheres dizem ter vivido essa síndrome quando assumiram papéis de liderança ou chegaram ao cargo de executivas.

"Quando a gente observa os homens, eles não se questionam se são hábeis para um trabalho ou não", diz Elisabeth Bouhadana, francesa que assumiu o cargo de diretora científica da L'Oréal Paris global.

Assim como Laura, Elisabeth tem um caminho de prestígio e trabalho árduo na marca. Começou em 1997 como coordenadora de marketing laboratorial, unindo seu histórico como pesquisadora e a paixão por educar e transmitir conhecimento sobre cosméticos, que sempre a encantaram.

Elisabeth Bouhadana faz parte da L'Oréal desde 1997 - Arte/UOL - Arte/UOL
Elisabeth Bouhadana faz parte da L'Oréal desde 1997
Imagem: Arte/UOL

Lema é ousadia e confiança

Para Elisabeth, ainda que a insegurança bata na porta de uma mulher em cargo executivo, é preciso saber driblá-la e colocar a ousadia como primeiro passo para crescer na carreira.

Antes de chegar à marca francesa, ela fazia pesquisas dentro da indústria farmacológica. À época, Elisabeth tinha um professor no Centro Nacional de Pesquisa Científica na França que dizia a ela que lembrasse que era a única pessoa fazendo uma pesquisa com uma determinada enzima —então se tinha alguém que sabia o que estava falando, esse alguém era ela. Elisabeth diz levar esse conselho até hoje quando escuta a voz de impostora no dia a dia.

Filha de pai engenheiro e mãe farmacêutica, diz ter tido a sorte por receber incentivo, dentro de casa, para trabalhar na indústria. Na universidade, as colegas se questionavam sobre ser professora, um papel mais tradicional para mulher. "Tudo bem, eu também amo ensinar, mas não é porque sou mulher que devo seguir apenas uma certa área", respondia ela.

L'Oréal 2 - Arte/UOL - Arte/UOL
As diretoras da marca contam como chegaram aos seus respectivos cargos
Imagem: Arte/UOL

Como "equilibrar os pratinhos"?

Além da necessidade de se mostrarem competitivas, mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais do que homens por semana devido à dupla jornada. "Eles não conhecem nem reconhecem isso", completa Laura.

Mãe de duas crianças, uma de quatro anos e outra prestes a completar um ano, a executiva conta que está vivendo um momento intenso e particular para tentar se reencontrar como mulher e profissional.

A sensação de tentar "equilibrar os pratinhos" é constante, mas, para Laura, o que funciona como alívio é, primeiro, a paixão pelo trabalho que faz e, depois, usar essa "pressão" como uma forma de valorizar ainda mais o seu papel, a sua história e o que ela tem a oferecer no lado profissional e pessoal.

Elisabeth aposta em novos produtos com substâncias que já tiveram resultados comprovados - Arte/UOL - Arte/UOL
Elisabeth aposta em novos produtos com substâncias que já tiveram resultados comprovados
Imagem: Arte/UOL

Quais serão as novidades de beleza nos próximos anos?

Elisabeth Bouhadana, diretora científica da L'Oréal, acredita que nos próximos anos surgirão variações de produtos com componentes essenciais que já têm resultados comprovados, uma vez que testar novos ativos é um processo longo demais até chegar nas mãos do consumidor.

Ela dá o exemplo —e uma aula— sobre o ácido hialurônico. "A molécula já existe há muito tempo, mas encontrar uma forma que penetre na pele marcou uma nova era na ciência. A era de encontrar a biotecnologia para fabricar ácido hialurônico com certos comprimentos de cadeias diferentes do que existia no passado, que eram grandes demais para penetrar na pele", explica.

O ácido hialurônico é um ativo produzido pelo nosso corpo que traz hidratação e preenchimento e auxilia no tratamento e redução de rugas e linhas de expressão. Mesmo tendo uma produção interna, as quantidades desse ácido no organismo diminuem com o avanço da idade. Por isso, o surgimento de tratamentos que trazem o ativo.

Mas se beleza fosse como um horóscopo, uma das previsões de Elisabeth é de que a niacinamida será o nome mais escutado nos próximos tempos. A substância é a forma ativa da vitamina B3, reconhecida pelo poder de renovação celular, o que também a coloca no rol de produtos que prometem efeitos rejuvenescedores. Além disso, a niacinamida também proporciona hidratação da pele e redução de manchas