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Anvisa vai investigar pomada de cabelo que causou 'cegueira temporária'

Embalagem da pomada modeladora ÔmegaFix, que causou irritação nos olhos de usuárias - Reprodução
Embalagem da pomada modeladora ÔmegaFix, que causou irritação nos olhos de usuárias Imagem: Reprodução

Rute Pina

De Universa, em São Paulo (SP)

22/03/2022 17h05

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que abriu um dossiê de investigação para apurar os relatos de reação à pomada capilar da marca ÔmegaFix, produzida pela empresa Cape Cosméticos.

Mulheres e crianças relataram irritação nos olhos e até mesmo cegueira temporária com o uso de pomadas modeladoras, inclusive da marca. Em comum nos casos relatados nesta segunda-feira (21) por Universa está o uso do cosmético em penteados como tranças e, na sequência, mergulhos em piscinas ou no mar.

Segundo a Anvisa, a pomada se enquadra na definição de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, mas não foi encontrado processo de regularização. A agência recomendou que os usuários do produto relatem suas queixas em formulário disponibilizado no site do órgão.

O procedimento de investigação é utilizado para verificar irregularidades e pode gerar o bloqueio do cadastro e comercialização dos produtos. "O dossiê tem o intuito de investigar de forma técnica a denúncia e verificar a materialidade e autoria, além de identificar e classificar o risco sanitário para adoção de medidas restritivas", explicou a assessoria da agência reguladora.

Caso confirmada irregularidades, será instaurado um Auto de Infração e aberto um Processo Administrativo Sanitário contra a empresa, que terá oportunidade de ampla defesa.

Irregularidades

Universa apurou que a situação cadastral da empresa Cape Cosméticos na Receita Federal consta como inapta há um ano, desde março de 2021.

A trancista Thayline Emanuelle Martins Nogueira, 23 anos, testou a pomada da ÔmegaFix em uma cliente em janeiro deste ano. "Ela me chamou atenção por ser a mais barata do mercado, um preço discrepante", conta. Mas, assim que sua cliente lavou os cabelos, ela entrou em contato com Thayline.

"Quando a pomada começou a descer, ardeu muito os olhos dela e eu achei que ela era alérgica àquela pomada e falei pra ela passar soro, limpar com água corrente e aí logo depois eu comecei a ver circulando no Twitter outras meninas que aconteceu a mesma coisa com a mesma pomada", lembra a profissional.

"Parei de usar porque fiquei sabendo que ela havia sido proibida, só que eu vi muitas lojas ainda assim vendendo, porque já estavam em estoque. Eu alertei minhas clientes", conta ela, que passou a usar pomadas a base de água.

O engenheiro químico Leonardo Sia, professor do Instituto de Cosmetologia, afirmou a Universa que seria necessário investigar a composição por uma amostra para saber qual substância da ÔmegaFix é a responsável pelas reações observadas pelo uso da pomada capilar, já que a fórmula é genérica e a embalagem contém erros segundo as normas da Anvisa.

Entre os erros que o especialista nota, está a grafia incorreta de substâncias como o conservante "sodium hydroxymethyl glycinate" e "carbomer". "Agora somos obrigados a colocar os ingredientes em português também e está só em inglês", aponta o especialista.

A embalagem fora do padrão, diz Sia, demonstra não apenas que a empresa não segue as normas como que o produto não é confiável. "Eles podem ter colocado matérias-primas diferentes da rotulagem, podendo causar irritação aguda por variação de pH e ingredientes proibidos", disse o especialista.

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