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'É preciso punição': colunistas de Universa comentam falas de Arthur do Val

Deputado estadual Arthur do Val chegou a afirmar que seria fácil fazer turismo sexual na Ucrânia por conta das dificuldades econômicas da população. Foto: Alesp -
Deputado estadual Arthur do Val chegou a afirmar que seria fácil fazer turismo sexual na Ucrânia por conta das dificuldades econômicas da população. Foto: Alesp

De Universa, de São Paulo

05/03/2022 10h58

Em uma série de áudios vazados na sexta-feira (4) e enviados a um grupo de amigos no Whatsapp, o deputado estadual e pré-candidato ao governo de São Paulo Arthur do Val (Podemos-SP) faz uma série de afirmações machistas sobre as mulheres ucranianas. Entre os trechos, afirma que elas "são fáceis, porque são pobres", que a fila de refugiados da guerra tem mais mulheres bonitas do que a "melhor balada do Brasil" e que não "pegou ninguém mas já estava "comprando passagem para o leste europeu no ano que vem" . Conhecido como Mamãe Falei, o deputado viajou à Ucrânia, no último dia 28, com Renan Santos, um dos dirigentes do MBL (Movimento Brasil Livre), para acompanhar o conflito após a invasão da Rússia.

Ao voltar ao Brasil na manhã deste sábado (5), o parlamentar classificou os áudios em que afirma que mulheres ucranianas "são fáceis, porque são pobres" como um "erro em um momento de empolgação". Revoltadas com as falas do deputado, algumas das colunistas de Universa comentam o fato a seguir:

Áudios de Arthur do Val: colunistas de Universa comentam

"O que eu acho pior é que hoje em dia essas pessoas como Arthur do Val falam os maiores absurdos, até criminosos, e depois dizem que era brincadeira, ou que estavam bêbados, ou que foram ouvidos fora de contexto e fica tudo por isso mesmo. Tentam justificar o injustificável.

Mais do que a banalização do mal, vivemos a infantilização do mal como se esses homens adultos fossem "apenas meninos falando pequenas bobagens". São adultos e, teoricamente, responsáveis.

Não pode ficar por isso mesmo. Nem tudo pode ser dito. Há palavras criminosas, esta é a grande diferença quando falamos em liberdade de expressão. É preciso ter punição", Mariana Kotscho

"O deputado Arthur do Val é tão misógino que confunde vulnerabilidade com ser "fácil". Não, não são mulheres fáceis. São mulheres fortes lutando para sobreviver. É impressionante como a misoginia cega. Achar que mulheres na guerra iriam se impressionar com seguidores é patético. Essas mulheres estão preocupadas em escapar do estupro, em dar comida para os seus filhos. Arthur viajou para tão longe?mas não enxergou nada", Nina Lemos

"O que um deputado estadual eleito por São Paulo foi fazer num país em guerra enquanto deveria estar comparecendo às sessões e pensando e discutindo leis para o estado juntamente com seus pares? Um homem sexista, que atravessa o mundo, pousa num país em guerra com o pretexto de levar a liberdade ao povo daquele país - note a pretensão desmedida - mas queria mesmo era "pegar mulher". E quanto mais vulnerável a presa melhor - se o país dela estiver em guerra, se ela for pobre, mais fácil ainda. Dá para aproveitar de todas essas vulnerabilidades para "pegar mulher". Guardadas as evidentes e devidas proporções é o mesmo raciocínio do cara que aproveita que a mulher está bêbada para cometer violência sexual contra ela. Não te soa absurdo?

Até quando o sistema político vai não só tolerar como proteger tipos nocivos como esse? Basta lembrar que Fernando Cury apalpou o corpo de uma parlamentar no meio do plenário, diante da mesa diretora, com câmeras e holofotes apontados para si. Na justiça virou réu, acusado formalmente por Isa Penna, a deputada importunada por ele. Na Assembleia Legislativa Paulista, o mandato dele continua preservado.

Com esse tipo de precedente é difícil esperar que o legislativo paulista tome alguma medida mais enérgica contra Arthur do Val, diante dos áudios que vieram à tona.

Arthur diz que não é o que ele pensa. Não é verdade. É exatamente o que ele pensa, do contrario não teria mandado a mensagem para um grupo de amigos, onde em geral homens se sentem confortáveis para dizerem o que pensam para outros homens. "Não é isso que eu gostaria de ser flagrado dizendo" caberia melhor nesse caso.

O que fará a Alesp? o que fará o PODEMOS?", Tatiana Vasconcellos

"É importante lembrarmos que o estupro de mulheres e crianças é utilizado como arma durante uma guerra. Chega até a ser visto como uma estratégia de coação ou recompensa para combatentes. O que pode parecer absurdo é visto com normalidade no ambiente hostil de uma guerra. E muitas vezes é utilizado de forma estratégica pelos combatentes", Cris Guterres

"A menos que esse homem estivesse sofrendo uma possessão demoníaca, da tal empolgação alegada por ele, aquilo tudo é ele, é dele e precisa ser assumido, elaborado, discutido e punido! (Ironicamente o macho se defende do lapso, alegando ter sido molecagem.)

Invocar ter sido "moleque", num momento de empolgação, para justificar absurdos machistas, insensíveis e brutalmente desumanos, proferidos a respeito de mulheres, num momento de extrema vulnerabilidade, expõe de modo vergonhoso essa masculinidade quebradiça, como o mais puro suco de chorume!", Fabi Gomes

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