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Chamada de 'sapatão', jovem de 20 anos é agredida até desmaiar em bar de SP

Suédma de Oliveira com a filha, Gabriela, que foi vítima de homofobia - Arquivo pessoal
Suédma de Oliveira com a filha, Gabriela, que foi vítima de homofobia Imagem: Arquivo pessoal

Mariana Gonzalez

De Universa, em São Paulo

01/02/2022 04h00Atualizada em 05/02/2022 08h10

Uma estudante de 20 anos, lésbica, foi vítima de homofobia dentro de uma casa noturna em São Bernardo do Campo (SP) na madrugada de domingo (30). Primeiro, por meio de agressões verbais. Depois, foi vítima de violência física. Gabriela Oliveira Guimarães estava no local de nome Blow Rudge acompanhada por três primos quando foi ofendida por outros frequentadores, que a chamaram de "sapatão" e "maria macho".

Mãe de Gabriela, Suédma Nunes de Oliveira contou a Universa que a jovem foi expulsa da casa por um segurança ao tentar se defender. Na sequência, foi perseguida pelos mesmos homens que a ofenderam dentro da festa. Eles a agrediram do lado de fora com socos e chutes, inclusive no rosto.

Segundo o relato da jovem, todo o episódio aconteceu em frente aos seguranças da casa, que não intervieram e nem prestaram socorro, informou Suédma. "Um segurança agarrou a Gabriela pelo pescoço e colocou para fora. Fez o mesmo com um dos meus sobrinhos, que entrou no meio para tentar defendê-la. Eles foram seguidos por um grupo de sete ou oito caras. Na porta da balada, bateram nela até desmaiar".

"O que eu mais temia aconteceu: a homofobia pegou a minha filha", disse a mãe.

Foto tirada momentos antes das agressões começarem; Gabriela aparece à direita, ao lado dos primos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Em foto tirada momentos antes das agressões começarem, Gabriela aparece à direita, ao lado dos primos
Imagem: Arquivo pessoal

As agressões só teriam parado quando um grupo de travestis se aproximou e começou a gritar para assustar os agressores. Elas levaram Gabriela e o primo, Alberto, que também estava bem machucado, até a porta de uma outra casa noturna, onde conseguiram lavar o rosto, beber água e se acalmar.

"Só soube o que aconteceu quando a minha filha chegou em casa, às 6h, toda suja de sangue. Ela chorava muito, mas não um choro de dor física, era um choro de vergonha, de raiva, de humilhação", lembra Suédma.

"Naquele momento, pensei: minha filha virou uma estatística".

"A culpa é, sem dúvida, dos agressores. Mas minha maior revolta é com a casa de shows que, diante de uma briga totalmente covarde, coloca uma garota para fora para apanhar na porta da balada. Os seguranças viram o que estava acontecendo e não fizeram nada", critica a mãe.

Agressões teriam ocorrido dentro e na porta da casa noturna Blow Rudge, em São Bernardo do Campo (SP) - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Agressões teriam ocorrido dentro e na porta da casa noturna Blow Rudge, em São Bernardo do Campo (SP)
Imagem: Reprodução/Instagram

Suédma diz que ela e seus familiares tentaram falar com a casa noturna pelas redes sociais e não tiveram resposta. Eles foram até o local, mas não encontraram ninguém.

A reportagem procurou a Blow Rudge pelas redes sociais, já que a casa não disponibiliza telefone ou e-mail para contato, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço continua aberto caso o estabelecimento decida se manifestar.

Estudante teve o septo desviado por agressões

Na manhã de domingo (30), Suedma levou Gabriela ao hospital. Universa teve acesso ao laudo médico, que mostra que, ao apanhar, a jovem teve o septo desviado e sofreu contusões no joelho, na mão e no punho, além de escoriações por todo o corpo.

O próprio hospital acionou a Polícia Militar, que registrou a ocorrência como "agressão", sem mencionar a motivação homofóbica, embora Suédma tenha insistido diversas vezes que foi um episódio de homofobia.

Agora, ela aguarda a liberação do boletim de ocorrência eletrônico para confirmar se o termo foi incluído no documento. "Falei inúmeras vezes. Se eles não incluírem, volto lá até para reclamar", fala.

Vale lembrar que a LGBTfobia é crime desde 2019, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) equiparou a prática ao crime de racismo e, com isso, estabeleceu a agressores pena de dois a cinco anos de prisão.