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'Atleta paralímpica, realizei o sonho de entrar andando em meu casamento'

A atleta paralímpica Laila Suzigan Abate no dia de seu casamento - I9 Fábrica de Imagens
A atleta paralímpica Laila Suzigan Abate no dia de seu casamento Imagem: I9 Fábrica de Imagens

Laila Suzigan Abate, em depoimento a Rafaela Polo

Colaboração para Universa

04/12/2021 04h00

"Eu e meu noivo, Luiz Matheus, começamos a planejar nosso casamento em 2019. Estamos há três anos juntos, mas a pandemia não atrapalhou os preparativos. Acabamos escolhendo muitos fornecedores pela internet e seguimos indicações de nossa cerimonialista. O que atrapalhava era o medo e a insegurança de não conseguirmos realizá-lo. Nós nos casamos no civil em 2020 e fizemos a festa só agora, no final de 2021. Eu não queria me casar muito tarde, porque não sabia por quanto tempo eu conseguiria andar.

Sou atleta paralímpica do Praia Clube de natação, em Uberlândia (MG). Tenho paraparesia espástica hereditária, uma deficiência rara e progressiva, que vai se agravando com o tempo. Consigo andar distâncias pequenas, mas evito ao máximo fazer isso. Machuca e dói demais. Hoje, considero que sou 90% dependente da cadeira de rodas. Mas sempre quis entrar andando no meu casamento e tinha medo de não conseguir realizar esse sonho.

Falei para a minha estilista, a Maisa Pires, que queria chegar andando ao altar. E a ideia de como aconteceu realmente foi dela. Meu vestido foi muito especial. Ela o fez de uma forma que o deixou muito leve, porque o modelo não poderia ser pesado. Tinham uns bambolês na parte de dentro para que nenhum pano chegasse perto do meu pé e me fizesse tropeçar bem na hora.

Laila - Divulgação - Divulgação
Laila Suzigan Abate é atleta paralímpica do Praia Clube de natação, em Uberlândia (MG)
Imagem: Divulgação

A primeira coisa que fechei nos preparativos do casamento foi o vestido. Já cheguei com um modelo específico em mente e fiz provas tradicionais, como todas as noivas. A única diferença foi que fizemos um ensaio de como seria no dia, para me deixar mais tranquila.

Minhas emoções afetam minha capacidade de andar, por isso era tão importante eu estar calma. Quando estou nervosa, com frio ou cansada, minhas pernas tremem e não consigo caminhar. Então tomei muito cuidado para me manter tranquila e aquecida. Assim, conseguiria chegar ao altar do jeito que eu queria.

Laila - I9 Fábrica de Imagens - I9 Fábrica de Imagens
Laila Suzigan Abate tem paraparesia espástica hereditária, uma deficiência rara e progressiva
Imagem: I9 Fábrica de Imagens

Foi meu vizinho, Patrick, que me levou ao casamento. Eu pedia para ele ficar desligando o ar-condicionado e para conversar comigo, para eu não ficar nervosa. Fomos falando durante todo o percurso. Tive de me segurar muito para não me emocionar e travar na hora.

Meu marido não sabia dos meus planos. Ele ficou muito emocionado e chorou demais.

Quando o vi, lá da entrada, já chorando, falei: 'Quem não ia chorar?'. Ele dizia que não ia se emocionar, sou mais chorona e todo mundo achava que era eu quem choraria. Mas ele ficou muito nervoso e chorou horrores.

Mesmo com a emoção, consegui caminhar até o fim. Depois disso, minha coluna ficou uns três dias doendo. Mas foi melhor do que a gente imaginava.

Laila - I9 Fábrica de Imagens - I9 Fábrica de Imagens
Laila Suzigan Abate: 'Não tenho muita lembrança das pessoas, mas minha cerimonialista diz que todo mundo chorou'
Imagem: I9 Fábrica de Imagens

Entrei com a música 'Aleluia', cantada em português, e acompanhada do meu avô, Francisco, e do meu padrasto, Paulo. Eu não tenho muita lembrança das pessoas, mas minha cerimonialista diz que todo mundo chorou. Meu pai veio de Recife para o meu casamento e deu vários lencinhos para minha mãe. Mas, no fim, foi ele quem precisou deles."

Laila Suzigan Abate, 21 anos, atleta paralímpica, de Uberlândia (MG)

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