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"Somos parte de uma rede de mulheres fortes" , diz Daniela Grelin

Daniela Grelin, diretora do Instituto Avon - Instituto Avon
Daniela Grelin, diretora do Instituto Avon Imagem: Instituto Avon

de Universa

17/09/2021 04h00

"Um exercício revitalizante": é assim que a diretora do Instituto Avon, Daniela Grelin, define o trabalho de busca por possíveis finalistas para o Prêmio Inspiradoras. Lançada na última quarta (15), a iniciativa é uma parceria entre a organização da sociedade civil e Universa.

A ideia é identificar, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que realizam trabalhos de impacto em três causas urgentes: violência contra mulher, câncer de mama e equidade de gênero. Baseada na escuta das mais de um milhão de representantes que fazem parte da rede Avon, Daniela afirma que são esses os "principais obstáculos que se interpõem entre as brasileiras e a realização dos seus sonhos".

Ao todo, 21 finalistas concorrem em sete categorias diferentes. Os nomes e as histórias de cada uma começam a ser divulgados em outubro. Até lá, a equipe de produção da premiação está a todo vapor selecionando e entrevistando as possíveis candidatas.

A Universa, Daniela contou detalhes sobre os motivos que levaram à criação do Prêmio Inspiradoras e sobre a importância de reconhecer trabalhos de impacto. A executiva faz parte também da célula de gênero da Rede de Diversidade e Inclusão da Avon e é cofundadora da Coalizão Empresarial pelo Fim das Violências contra Mulheres e Meninas.

Como surgiu a ideia de criar o Prêmio Inspiradoras?

A gente acredita muito na importância do reconhecimento das boas iniciativas. Atuamos em um ecossistema de direito das mulheres e, de uma forma ou de outra, somos herdeiras de todos os problemas que existem em nosso país. Mas, ao mesmo tempo, é bom a gente lembrar de que somos beneficiárias ou herdeiras de todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, conseguiram realizar seus sonhos de viver em uma sociedade melhor. Então o Prêmio Inspiradoras é isso: um processo de busca, de reconhecimento e de exemplo de iniciativas que deram sequência às nossas esperanças. Nós, que trabalhamos para construir uma sociedade mais justa, mais equânime, mais equilibrada e mais segura para as mulheres, enfrentamos, todos os dias, uma série de obstáculos. E, às vezes, esquecemos de destacar aquilo que nos traz à memória razões para ter esperança. Por isso a importância desse projeto. Ele é um processo que a gente vive com alegre expectativa todos os dias. Ele nos permite dizer às mulheres (e até aos homens) que nos dão razões para continuar acreditando: 'seu trabalho importa, muito obrigada!'.

Como o próprio nome diz, a premiação nasce com a vocação de inspirar novas iniciativas ou até mesmo motivar aquelas que já existem a continuar investindo no próprio trabalho, não?

Exatamente. O Prêmio tem deliberadamente essa intenção. Acreditamos que, por conseguirmos jogar luz em iniciativas que estão fazendo a diferença nos temas que são essenciais para o bem-estar, para a segurança e para a saúde da mulher, podemos também inspirar outras ou estender o reconhecimento a outras iniciativas e a outras lideranças que também são importantes.

O Prêmio Inspiradoras é focado em três causas: violência contra a mulher, câncer de mama e equidade de gênero. Por que elas?

A forma mais direta de explicar isso é me referindo ao trabalho de escuta ativa que fazemos. A Avon está ligada a um milhão de mulheres que são parte da sua rede de empreendedoras. Buscamos ouvi-las exatamente para entender quais desafios encontram para que alcancem o pleno desenvolvimento. Quer dizer: quais obstáculos se interpõem entre elas e os seus sonhos. E a resposta que recebemos, há décadas, é de que eles são, principalmente, a dificuldade de acesso à saúde e à segurança. E a equidade de gênero vem como consequência. É triste saber que os empecilhos são os mesmos há tanto tempo. Mas é justamente por isso que acreditamos que, ao superarmos esses obstáculos, poderemos caminhar de forma mais direta rumo a uma sociedade equilibrada, em que as mulheres têm acesso às mesmas oportunidades, aos mesmos direitos, que os homens.

Uma das categorias é dedicada às representantes Avon, que são pré-selecionadas por uma iniciativa interna do Instituto Avon, o Prêmio Juntas Transformamos. Você poderia explicar como ele funciona?

O Prêmio Juntas Transformamos nasce dessa certeza que a gente tem de que, entre essas mais de um milhão de mulheres que estão ligadas à Avon por meio do modelo de negócio, existem lideranças sociais. Acreditamos que elas são mais do que microempreendedoras, elas têm um capital social e uma relevância dentro desse universo de influência que são vitais para promover o empoderamento de outras mulheres ligadas a elas. O que tentamos fazer no Juntas Transformamos é a mesma coisa que faremos no Prêmio Inspiradoras, só que olhando para o universo diretamente ligado ao nosso negócio. Ou seja: a gente busca, seleciona e reconhece lideranças sociais. Olhamos para esse grupo de mulheres e as convidamos a inscrever suas iniciativas. Então fazemos um processo de seleção, reconhecimento e também de desenvolvimento, porque sabemos que o impacto benfazejo que elas têm é ampliado quando conseguem passar por todo um processo de mentoria em liderança social. Assim elas ampliam ainda mais a capacidade que já têm de fazer a diferença no território em que atuam.

As participantes do Prêmio Inspiradoras foram vencedoras do Juntas Transformamos, é isso?

Exatamente. Acreditamos que, ao trazê-las para participar do Prêmio Inspiradoras, ampliamos também o reconhecimento que recebem, uma vez que esta é uma iniciativa de abrangência nacional. A parceria com Universa dá a elas acesso a toda a imensa audiência da plataforma. Com isso, conseguimos reverberar ainda mais a história delas para inspirar outras pessoas.

Além da premiação das vencedoras de cada uma das sete categorias, o Prêmio Inspiradoras fará menção honrosa a uma mulher que tenha se destacado no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Queria que você me falasse sobre o desafio de escolher uma só em um universo em que há tantas mulheres atuando de forma brilhante.

É um desafio gostoso, né? O desafio é nos reconciliarmos com a injustiça necessária de escolher uma em detrimento das outras. É um exercício que envolve uma certa dose de renúncia, mas a busca em si o reconhecimento das histórias dessas mulheres que se elevaram à altura do desafio nesse momento de crise pandêmica. É um exercício revitalizante. Esse processo de buscar os bons exemplos, as boas histórias, histórias transformadoras, é um processo que a gente recebe com alegre expectativa todos os anos. Mas, nesse ano de crise pandêmica, é ainda mais salutar, porque a gente se depara com a história de mulheres que estão trabalhando nas frentes dos nossos sonhos, estão realizando sonhos que também são nossos e elas fazem acreditar que o nosso trabalho vale a pena e faz a diferença. O lado difícil está em justamente escolher uma porque são muitas.

Quais são as afinidades entre o Instituto Avon e Universa que permitiram essa parceria?

As convergências são muito nítidas, os trabalhos que a plataforma Universa e do Instituto Avon são completamente convergentes. Tanto que esta não é nossa primeira aproximação. Já estivemos juntos, por exemplo, no Giro Pela Vida, do Outubro Rosa, e no Fórum Fale Sem Medo. E, agora, no Prêmio Inspiradoras. Nossa principal afinidade é a mulher. A plataforma Universa representa a mulher e dá visibilidade ao protagonismo feminino em um mundo em transformação. Ora, e o Instituto Avon é um pilar de empreendedorismo social que busca fazer avançar nesse mundo em transformação no que diz respeito às causas do acesso à saúde e do acesso à segurança. Ou seja: tanto Universa quanto o Instituto Avon estão focados no acesso da mulher aos seus direitos. E como ela se movimenta e protagoniza diversas iniciativas, diversas narrativas, diversas histórias que, em última análise, são histórias de acesso a direitos. É uma convergência é muito natural, porque nós, do Instituto Avon, precisamos falar com a mulher que acompanha Universa. E a plataforma, ao mesmo tempo, está atenta a essas iniciativas que promovem a transformação social de interesse da mulher.

Quais são suas expectativas para o dia seguinte à premiação? Como acredita que estaremos depois do processo todo?

Eu quero que a gente termine esse projeto como o próprio nome diz: profundamente inspiradas. Eu quero que a gente saiba que, embora estejamos todos localizados nesse momento de crise de saúde, crise social, econômica e até, por que não dizer, crise de confiança, ao mesmo tempo, somos também herdeiras e beneficiárias deste grande número de líderes sociais que a gente nem sequer ouvia falar, mas que está levando à frente as suas esperanças, a sua visão de um mundo melhor para todas as mulheres. Aliás: para todos, porque um mundo melhor para mulheres é necessariamente um mundo melhor para todos. E aqui eu cito uma palavra de William Shakespeare, que inspirou o criador da Avon — o nome Avon é uma referência à cidade onde ele nasceu. Ele tem uma frase que diz que somos feitos da substância dos nossos sonhos. Eu gostaria que no dia seguinte a gente reconhecesse que, sim, nós nos defrontamos todos os dias com um milhão de desafios, mas se nós somos também, junto com essas mulheres e essas lideranças que serão reconhecidas no Prêmio Inspiradoras, parte de uma rede de mulheres fortes, cheias de esperanças e que dão sequência a essas esperanças. E, graças a isso, somos beneficiárias de um mundo melhor, que é criado por elas, mas cocriado por todas nós. Eu gostaria que a gente saísse no dia seguinte cheias de esperança, mas também convocadas a tomar a parte que nos cabe na construção dessas soluções possíveis.

O Prêmio Inspiradoras é uma iniciativa de Universa e Instituto Avon, que tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras. O foco está nas seguintes causas: enfrentamento às violências contra mulheres e meninas e ao câncer de mama, incentivo ao avanço científico e à promoção da equidade de gênero, do empoderamento econômico e da cidadania feminina.