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Depressão antes de Tóquio: namorada revela superações da lançadora Izabela

Izabela da Silva se classificou para a final do lançamento de disco feminino - REUTERS/Dylan Martinez
Izabela da Silva se classificou para a final do lançamento de disco feminino Imagem: REUTERS/Dylan Martinez

Ana Bardella

De Universa

01/08/2021 14h47

A atleta Izabela da Silva está entre as 12 competidoras que disputarão uma medalha na manhã da próxima segunda-feira (2), na modalidade de lançamento de disco, na Olimpíada de Tóquio. Com um arremesso de 61,52 m, ela foi a última a se classificar e será a única representante do Brasil na prova, que acontecerá no dia do seu aniversário de 26 anos. O que pouca gente imagina ao ver Izabela competindo é a batalha que ela precisou enfrentar, antes da competição, para conseguir a vaga.

Universa conversou com Gabriela Senhorini, 26, a namorada de Izabela, sobre sua trajetória. Após ser campeã do Mundial Juvenil de Atletismo em Oregon, nos Estados Unidos, em 2014, a atleta ganhou fama e patrocinadores. No entanto, no ano seguinte, sofreu uma apendicite, que resultou em uma infecção generalizada. Com isso, precisou ficar afastada por um ano. Perdeu patrocínios, passou por um período de depressão e, por questões financeiras, pensou em desistir do esporte — mas, graças a sua determinação, voltou a competir. "No fundo, acho que ela nunca perdeu a fé", diz Gabriela.

Izabela da Silva, lançadora de disco, e a namorada Gabriela estão juntas desde 2013 - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Gabriela e Izabela estão juntas desde 2013
Imagem: Acervo pessoal

Assim como Izabela, Gabriela também era praticante do esporte — as duas se conheceram aos 17 anos, durante uma competição nacional. "No ano seguinte, me mudei para a cidade dela, São Caetano (SP), e passamos a fazer parte da mesma equipe". Ali, foi conquistada pelo seu jeito brincalhão e começaram a se relacionar.

Lutas e glórias

Em meados deste ano, Izabela conquistou o ouro no Campeonato Sul-Americano adulto, em Guayaquil, no Equador - Wagner Carmo / CBAt - Reprodução / Instagram - Wagner Carmo / CBAt - Reprodução / Instagram
Em meados deste ano, Izabela conquistou o ouro no Campeonato Sul-Americano adulto, em Guayaquil, no Equador
Imagem: Wagner Carmo / CBAt - Reprodução / Instagram

Em 2014, Izabela conquistou o ouro no Mundial Juvenil de Atletismo, em Oregon, nos Estados Unidos. Praticante do esporte desde os 13, ganhou muita visibilidade aos 19. "Começou a ser reconhecida, chamou a atenção de patrocinadores, recebia presentes. Foi um período de muito crescimento", relembra Gabriela. No entanto, o cenário mudou completamente no final de 2015.

Ela começou a passar mal e foi ao médico, mas não recebeu o diagnóstico correto. Alguns dias depois, teve uma dor intensa e precisou passar por uma cirurgia de emergência: o apêndice tinha inflamado e estourado, o que resultou em uma infecção generalizada. O médico disse que, por pouco, ela sobreviveu

Foram 15 dias internada, 13 deles usando uma sonda estomacal. Como não conseguia se alimentar adequadamente, Izabela perdeu peso e massa muscular. A previsão dos profissionais de saúde era de que ela levaria de seis meses a um ano para voltar ao corpo que tinha antes. "O processo de recuperação foi muito demorado, o que deixou a Iza deprimida", relembra a namorada. Fora isso, a equipe em que ela treinava fechou e precisou trocar de time.

"Ela perdeu os patrocinadores. Quem torcia antes não estava torcendo mais e a situação financeira ficou apertada. Nossa principal fonte de renda passou a ser o Bolsa Atleta, oferecido pelo governo" — na época, o valor era de R$ 1850 para atletas internacionais. Foi justamente no período de retorno que ela pensou em desistir. "Quando voltou e não conseguiu bons resultados, foi um choque. Cogitou deixar os treinos para poder se dedicar a outro trabalho", relembra Gabriela.

O sonho das duas era continuar no esporte, mas em 2017, Gabriela precisou de um emprego para complementar a renda das duas, que já moravam juntas. "No primeiro ano, treinava de manhã e trabalhava a noite, mas no segundo isso não foi mais possível", conta. Uma delas precisaria abrir mão do esporte, para manter a renda da casa enquanto a outra se dedicasse aos treinos e competições. "Como nunca tive uma carreira excepcional, como a da Iza, foi mais fácil sair. Acho que foi uma decisão sensata, da qual eu não me arrependo", avalia. Com essa renda fixa, a vida delas se estabilizou e fluiu de forma mais tranquila.

Treinos por chamada de vídeo e amor pelo Japão

Izabela é fã de anime e vai competir no dia do aniversário - Reprodução/Instagram @izabela_dasilva - Reprodução/Instagram @izabela_dasilva
Izabela é fã de anime e vai competir no dia do aniversário
Imagem: Reprodução/Instagram @izabela_dasilva

Quando a pandemia chegou, foi outro baque: como Gabriela tinha ido para Santa Catarina visitar a família, as duas estavam em cidades diferentes e permaneceram longe por algumas semanas. Os treinos de Izabela passaram a ser feitos através de chamadas de vídeo e tudo precisou ser adaptado. Ainda assim, foi um período de muito crescimento para a atleta.

"Izabela é incrível, forte, guerreira, inteligente e faz de tudo para ver as pessoas ao seu redor sorrirem", resume a namorada. Além disso, ela está radiante por estar competindo no Japão. "Ela ama jogos de celular, anime e mangá. Por isso está realizando um sonho enquanto faz história", finaliza Gabriela.

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