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Papo de vagina

Guia do anticoncepcional: veja vantagens e eficácias dos principais métodos

Diante de tantas opções, o melhor jeito de escolher o anticoncepcional adequado para você é com a ajuda do ginecologista - Priscila Barbosa
Diante de tantas opções, o melhor jeito de escolher o anticoncepcional adequado para você é com a ajuda do ginecologista Imagem: Priscila Barbosa

Patrícia Beloni

Colaboração para Universa

29/06/2021 04h00

A possibilidade de escolher quando e se você quer engravidar é parte fundamental da liberdade e da sexualidade de cada mulher. Parte dessa liberdade também está em poder escolher qual, entre tantos contraceptivos disponíveis, você quer usar.

Os métodos anticoncepcionais reversíveis costumam ser divididos em anticoncepcionais de barreira (aqueles que impedem a entrada do espermatozoide no útero), hormonais (que inibem a ovulação ou alteram o ambiente uterino), dispositivos intrauterinos (DIUs), de emergência (que evitam a gravidez após a relação sexual) e comportamentais (baseados na percepção de fertilidade). Os mais famosos por aqui costumam ser a camisinha e a pílula, mas os chamados Larcs (da sigla em inglês para métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, como os DIUs e o implante) começam também a se popularizar.

Para decidir qual usar, é importante conhecer cada opção, como elas funcionam, a sua eficácia e seu custo benefício, para avaliar qual se adapta melhor ao seu corpo. O ginecologista é a melhor pessoa para discutir as alternativas com você. Ele vai levar em consideração fatores como idade, níveis hormonais, histórico de saúde e até questões hereditárias para sugerir o que se enquadra melhor no seu objetivo.

A única dúvida que você não precisa ter nesse processo é sobre a camisinha. "Ela é o único método que também é capaz de proteger contra as ISTs (infecções sexualmente transmissíveis)", explica a ginecologista especialista em reprodução humana Carla Iaconelli pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e médica da Clínica Elo Medicina Reprodutiva.

A camisinha pode ser usada sozinha ou com outro método combinado para aumentar a segurança. Todos os anticoncepcionais apresentam taxas mais elevadas de eficácia com o chamado "uso perfeito" e mais baixas se usados com menos atenção e cuidado. Aqui, apresentamos os contraceptivos com suas taxas de eficácia de uso ideal, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Há muitos anticoncepcionais com taxas bem altas. "Mas a única opção 100% eficiente é a abstinência sexual", explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica Gru Saúde. Se ficar sem sexo não é uma alternativa pra você, confira mais sobre as principais opções de anticoncepcionais.

Anticoncepcionais de barreira

Os anticoncepcionais de barreira impedem que o espermatozoide se encontre com o óvulo.

Preservativo (camisinhas masculina e feminina)

Mais famoso dos anticoncepcionais, o preservativo masculino (ou externo) é uma espécie de capa feita de látex ou poliuretano, com uma membrana fina que envolve o pênis e impede o contato com a vagina. Também chamado de camisinha, é descartável e tem uma versão feminina (ou preservativo interno), menos popular. As duas versões não podem ser usadas juntas, e a feminina pode ser colocada até oito horas antes da relação. Exigem cuidado e um pouco de prática para serem colocados corretamente.

Vantagens: Única alternativa que também protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), é prática, acessível e só precisa ser usada no momento da relação. Pode ser usada também durante a menstruação.

Desvantagens: Se não usado corretamente (estiver vencido, com embalagem danificada ou usado sem lubrificação), o preservativo pode estourar, sair do lugar ou, ainda, causar reação alérgica.

Eficácia: 98% (masculino) e 95% (feminino)

Custo: Os dois tipos são distribuídos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em postos de saúde e outros locais de circulação pública. Em lojas e farmácias, custam de R$ 10 a R$ 12 a unidade (feminina) e por volta de R$ 15 o pacote de seis unidades (masculina).


Diafragma

É um anel flexível, feito de látex ou de silicone, que deve ser introduzido na vagina para cobrir o colo do útero, impedindo a passagem dos espermatozoides. É preciso verificar o tamanho adequado com o ginecologista, não é descartável e deve ser bem higienizado. Pode durar por volta de dois a três anos.

Vantagens: Pode ser utilizado só quando necessário (de 15 a 30 minutos antes da relação) e é fácil de usar: é só introduzir a parte redonda para baixo na vagina e empurrá-lo até onde o dedo vai.

Desvantagens: Exige o controle do número de horas de uso (até 12 horas depois, precisa ser retirado) e seu uso é indicado em conjunto com um espermicida para aumentar a eficácia. Pode causar irritação ou reação alérgica. Não pode ser usado durante a menstruação.

Eficácia: 84% (com o uso conjunto de espermicida)

Custo: pode variar de R$ 150 e R$ 250. Também é oferecido pelo SUS.

Capuz Cervical

Recobre o colo do útero, é menor que o diafragma e também pode ser de látex ou de silicone. É preciso verificar o tamanho adequado com o ginecologista, não é descartável e deve ser bem higienizado. Pode durar até dois anos.

Vantagens: É utilizado só mediante necessidade e pode ser usado durante a menstruação.

Desvantagens: Assim como o diafragma, exige o controle do número de horas de uso e é indicado em conjunto com o espermicida para aumentar sua eficácia. Pode causar irritação ou reação alérgica e não protege contra ISTs. Pode não funcionar bem em mulheres que já tiveram filhos. É difícil de achar para comprar no Brasil.

Eficácia: 91% (para mulheres que não tiveram filhos) e 74% (para as que já tiveram)

Custo: De R$ 130 a R$ 300.

Esponja

É um pequeno disco de espuma plástica descartável, que é umedecido e colocado na vagina até 24 horas antes da relação.

Vantagens: Só precisa ser usada quando você quiser transar e é de fácil colocação —é só inserir na vagina como se fosse um absorvente interno. Pode ser colocada até 24 horas antes do sexo e deve permanecer no corpo por, no mínimo, seis horas após a relação.

Desvantagens: Baixa eficácia, pode causar alergia e não protege contra ISTs. É menos eficaz entre mulheres que já tiveram filhos. Não é fácil achar para comprar.

Eficácia: 91% (para mulheres que não tiveram filhos) e 80% (para as que já tiveram)

Custo: De R$ 30 a R$ 100.

Espermicida

São substâncias químicas, em creme, gel, spray, supositório ou comprimido, que atuam "desativando" os espermatozoides. Deve ser colocado no interior da vagina e é efetivo por uma hora após a colocação. Para ter eficácia, deve ser usado junto com outro método, como diafragma ou camisinha.

Vantagens: É de fácil utilização.

Desvantagens: Baixa eficácia se utilizado sozinho.

Eficácia: 84%

Custo: Cerca de R$ 15.

Anticoncepcionais hormonais

São comprimidos, adesivos, pílulas, anéis, implantes e injeções que possuem hormônios sintéticos (não naturais) femininos, que imitam o estrogênio e a progesterona, e atuam impedindo a liberação do óvulo e deixando o muco cervical mais denso para impedir a locomoção do espermatozoide. Alguns dos métodos combinam os dois hormônios, outros contêm apenas a progesterona.

Pílula

Um dos métodos mais difundidos no Brasil, é uma combinação de hormônios sintéticos, geralmente estrogênio e progesterona, que impedem a ovulação da mulher. Os comprimidos devem ser tomados uma vez ao dia, a partir do primeiro dia do ciclo menstrual, de preferência sempre no mesmo horário. A maioria prevê pausas mensais entre as cartelas, de quatro a sete dias. Outras funcionam sem interrupção.

Vantagens: Tem alta eficácia se usada corretamente e também pode ajudar a, regular o ciclo menstrual, diminuir cólicas e até o fluxo menstrual.

Desvantagens: Você precisa se lembrar de tomar todos os dias. Esquecer aumenta as chances de engravidar. Retém líquido, pode aumentar a celulite, alterar humor, dar náuseas e dor de cabeça, reduzir a libido e facilitar doenças hepáticas e tromboembólicas (como a trombose). Também não protege contra ISTs.

Eficácia: 99,7%

Custo: Varia bastante, de menos de R$ 10 a mais de R$ 60. Pode ser obtida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.


Minipílula

Comprimidos compostos só por progesterona sintética que impedem a ovulação e engrossam o muco cervical, bloqueando a passagem do espermatozoide. O uso é similar ao da pílula comum: uma vez ao dia, sempre no mesmo horário. Algumas funcionam com pausas de quatro ou sete dias entre as cartelas e outras não possuem interrupção.

Vantagens: Com alta eficácia, é indicada para mulheres que tem contraindicação ao estrogênio, principalmente para quem está amamentando. Pode ajudar na saúde da pele, diminuir acne, TPM e ovários policísticos.

Desvantagens: Pode dar dor de cabeça e sensibilidade nos seios, deixar o ciclo mais irregular, levar a doenças hepáticas e tromboembólicas (como a trombose). Também não protege contra ISTs.

Eficácia: 99,7%

Custo: Varia bastante, de menos de R$ 10 a mais de R$ 60. Também pode ser adquirida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.


Anel vaginal

O dispositivo transparente de silicone combina dois hormônios, o etonogestrel e o etinilestradiol, que impedem a liberação do óvulo. Deve ser inserido na vagina no início do ciclo menstrual e usado por três semanas. Depois, precisa ser removido para uma pausa de uma semana, durante a menstruação. Em seguida, um novo anel deve ser colocado. Funciona de maneira similar à da pílula.

Vantagens: Não é desconfortável, não interfere na relação e é colocado uma vez por mês.

Desvantagens: Pode aumentar o peso e a secreção vaginal, dar náuseas, dor de cabeça, dor nas mamas e provocar alterações de humor, além de não proteger contra IST.

Eficácia: 99,7%

Custo: Por volta de R$ 70 por mês.


Adesivo

Assim como a pílula, ele combina hormônios, que, neste caso são liberados pelo adesivo que é aplicado na pele, para impedir a ovulação. O adesivo deve ser trocado a cada semana e pode ser usado por três semanas consecutivas. É preciso fazer uma pausa de uma semana entre os adesivos.

Vantagens: Fácil de usar, é colocado pela própria mulher.

Desvantagens: Fica visível, pode descolar da pele, não protege contra ISTs e pode causar irritação, dor nas mamas e náuseas.

Eficácia: 99,7%

Custo: Entre R$ 50 e R$ 120 a caixa com três adesivos.


Injetáveis

Os contraceptivos injetáveis podem ter uma combinação de dois hormônios, estrogênio e progestagênio, ou apenas o progestagênio. O primeiro deve ser aplicado todo mês. O com apenas um hormônio pode ser aplicado uma vez a cada três meses.

Vantagens: Pode reduzir o fluxo menstrual e a cólica.

Desvantagens: Só pode ser aplicado por um profissional, pode causar dor de cabeça e nas mamas e alterações menstruais e de humor. Não protege contra ISTs e não é indicado a quem tem hipertensão.

Eficácia: 99,95%.

Custo: De R$ 20 a R$ 30.


Implante

O pequeno bastão (cerca de 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro) é inserido sob a pele do braço. Atua liberando hormônio na corrente sanguínea de forma contínua. É introduzido entre o primeiro e o quinto dia do ciclo. Impedem a ovulação e, em geral, duram até três anos. Só podem ser inseridos e trocados pelo ginecologista. Indicado para quem tem restrição ao estrogênio.

Vantagens: Considerado um contraceptivo de longa duração, tem alta eficácia e não atrapalha a relação.

Desvantagens: Pode levar ao ganho de peso, provocar náuseas, dor de cabeça e nas mamas e alterações de humor, além de não proteger contra ISTs. É um método mais caro que a maioria.

Eficácia: 99,9%

Custo: Entre R$ 2.500 e R$ 4.000 (implante mais o custo do procedimento de inserção, que varia conforme o médico).


Dispositivos intrauterinos (DIUs)

São métodos anticoncepcionais reversíveis de longa duração, com altas taxas de eficácia.

DIU Hormonal

A pequena estrutura plástica em formato de T é inserida dentro do útero através do colo uterino pelo ginecologista e libera o hormônio levonorgestrel. Há opção normal ou com baixa dose. Deve ser trocado a cada cinco anos.

Vantagens: Tem eficácia alta, não atrapalha a relação, dura mais tempo, reduz o fluxo menstrual, diminui ou elimina as cólicas. É usado também como tratamento para endometriose e miomas.

Desvantagens: Pode causar dores nas mamas e de cabeça, alterar o humor e aumentar a acne. Não protege contra ISTs.

Eficácia: 99,5%

Custo: Cerca de R$ 1.000, mais o custo do procedimento de inserção, que varia conforme o médico. Também é custeado pelos planos de saúde.

DIU de cobre

É um dispositivo de plástico em formato de T com um fio de cobre. É inserido dentro do útero pelo ginecologista e dura até dez anos. Pode ser usado como contracepção de emergência se colocado até cinco dias depois de uma relação sexual.

Vantagens: É livre de hormônios e tem eficácia alta.

Desvantagens: Pode aumentar o fluxo e as cólicas e ser rejeitado pelo corpo. Não protege contra ISTs.

Eficácia: 99,4%

Custo: R$ 100 a R$ 300, mais o custo do procedimento de inserção, que varia conforme o profissional. Também é oferecido pelo SUS e custeado pelos planos de saúde.


Anticoncepcionais de emergência

Os métodos de emergência impedem ou retardam a liberação de óvulos do ovário. O DIU de cobre se enquadra nessa categoria pelo seu mecanismo de ação, mas também pode ser usado de forma contínua.

Pílula do dia seguinte

Comprimido para ser utilizado, como exceção, para evitar a gravidez após uma relação sexual desprotegida ou algum imprevisto durante o sexo, como uma camisinha que estourou. O mais comum no Brasil é o composto de levonorgestrel. Não é indicada como rotina e não é abortiva, já que só interfere na ovulação. Há opções em duas doses, a cada 12 horas, ou em dose única. Deve ser ingerida até 72 horas após a relação e possui altas doses de hormônios.

Vantagens: Tem efeito rápido, é usado só na hora em que a mulher realmente precisa.

Desvantagens: Não protege contra ISTs, pode provocar náuseas, fadiga, tontura, sensibilidade nos seios, vômitos e alterar o padrão de sangramento.

Eficácia: 98% a 99% (mas a eficácia pode diminuir se você levar muitas horas para tomar o comprimido após a relação).

Custo: De R$ 5 a R$ 30.

Métodos comportamentais ou baseados na percepção de fertilidade

Tabelinha, método do muco cervical, método da temperatura basal

São métodos que se baseiam no ciclo menstrual da mulher a partir da identificação dos períodos do ciclo em que há mais chances de engravidar. Segundo esses métodos, a mulher aprende a identificar sua janela fértil e não deve transar por vários dias antes, durante e depois dessa janela. Como envolvem a abstinência justamente nos períodos em que a mulher está mais fértil e, com frequência, com mais desejo sexual, não são considerados métodos eficazes. "Não é indicado usar um deles separadamente e, mesmo usando os três juntos, não é confiável", alerta a ginecologista Carla Iaconelli.

Vantagens: Não tem custos, fora a compra de um termômetro.

Desvantagens: Exige o comprometimento do parceiro, não protege contra ISTs e tem baixa eficácia.

Eficácia: Não há dados confiáveis sobre uso perfeito desses métodos.

Custo: Do termômetro, de R$ 6 a R$ 20.

Coito interrompido

Consiste na retirada do pênis da vagina antes da ejaculação. Depende do reflexo e da percepção do parceiro. "Por isso, não é indicado como método de contracepção", aponta a ginecologista Ticiana Cabral, da Clínica Emeg, em Salvador.

Vantagens: Não tem custos.

Desvantagens: Pouco seguro, pois além de a percepção do homem não ser precisa, a secreção do pênis antes da ejaculação também pode conter espermatozoides. Não protege contra ISTs e, na prática, tem baixa eficácia.

Eficácia: 96%.

Fontes: Carla Iaconelli, médica ginecologista especialista em reprodução humana, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e da Clínica Elo Medicina Reprodutiva, em São Paulo, Domingos Ciongoli, médico ginecologista da BenCorp e ClubSaude, em São Paulo, Eloisa Pinho, médica ginecologista e obstetra da Clínica Gru Saúde, em Guarulhos (SP); Ticiana Cabral, médica ginecologista e sócia da Clínica Emeg, em Salvador.

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