PUBLICIDADE

Topo

Sexo

Sexo alarga vagina? Fala de Ludmilla é falsa e soa machista, dizem médicas

Ludmilla foi um dos assuntos mais comentados do Twitter durante a madrugada - Reprodução/Instagram
Ludmilla foi um dos assuntos mais comentados do Twitter durante a madrugada Imagem: Reprodução/Instagram

Mariana Gonzalez

De Universa, em São Paulo

30/05/2021 15h40

O nome de Ludmilla foi um dos termos mais comentados no Twitter na madrugada deste domingo (30). Ao rebater a crítica de uma seguidora, ela afirmou, em tom de piada, que a mulher teria a vagina "larguíssima" por supostamente fazer sexo desde a adolescência — afirmação que não é verdadeira, segundo duas ginecologistas ouvidas por Universa.

Na noite de ontem, a cantora respondeu a uma publicação que dizia que suas músicas tinham "vibes menina de oitava série". Ela disse: "Nossa, se na oitava série sua pussy [vagina, em inglês] já matava rindo, deve estar larguíssima hoje em dia", fazendo referência à música "Rainha da Favela", que tem no refrão a frase "my pussy [minha vagina] mata rindo".

A esposa de Ludmilla, a bailarina Brunna Gonçalves, reforçou o comentário: "Pique túnel da Rebouças".

Prints ludmilla  - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

O comentário recebeu críticas de personalidade como a ex-BBB Lumena Aleluia, que disse que "ficou difícil de entender", e da influenciadora Andreza Delgado, que escreveu: "Esse tipo de mensagem machista é f*da". Anônimas também manifestaram desconforto em seguida.

Mas, afinal, sexo com penetração alarga a vagina?

Não. A ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que é mito que o sexo com penetração faça a vagina ficar mais larga com o tempo.

Ela explica que existem modificações anatômicas ao longo dos anos, mas estão mais relacionadas a outros fatores, como a perda de colágeno e ao número de partos naturais, por exemplo. "Com o envelhecimento, a mulher costuma perder colágeno e isso causa uma modificação anatômica em todas as partes do corpo, inclusive na vagina — por isso, algumas têm propensão à incontinência urinária, por exemplo", afirma.

A ginecologista Larissa Flosi também reforça que é falsa a ideia de que qualquer atividade sexual interfira na largura ou tônus da vagina. "Trata-se de um órgão composto pelos músculos do assoalho pélvico e, por isso, tem capacidade adaptativa. O músculo pode tanto relaxar, quanto contrair. Basta pensar que, no parto vaginal, um bebê passa por esse canal e ele volta ao tamanho normal depois. Não seria a penetração que mudaria isso", argumenta.

E por que o comentário de Ludmilla é problemático?

As duas ginecologistas veem preconceito e reprodução de machismo na fala da cantora.

"Primeiro, porque o sexo é muito mais do que penetração. Segundo, porque cai naquele preconceito de que a mulher que gosta de sexo é vagabunda, o que é extremamente machista", fala Carolina Ambrogini.

Para a médica Larissa Flosi, trata-se de um juízo de valor repetido há anos.

O comentário reflete o machismo que reproduzimos contra mulheres que 'transam muito', para que se sintam constrangidas de transar o quanto elas quiserem. E a afirmação se torna ainda mais problemática vinda da Ludmilla, que se posiciona no movimento feminista

"A gente ouve isso [que a penetração alarga a vagina] desde que o mundo é mundo, mas não passa de um juízo de valor que a sociedade faz sobre a vida sexual das mulheres", finaliza.

Com a palavra, Ludmilla

Depois de receber comentários negativos de famosas e anônimas, Ludmilla voltou ao Twitter para uma série de publicações dizendo que as críticas são "de algumas pessoas cheias de ódio" e que tudo o que ela faz é problemático para algumas pessoas. Leia abaixo na íntegra:

Sexo